Áureos tempos



Dias atrás, me passaram um belíssimo texto, publicado há dezenas de anos no Jornal da Tarde, escrito por Fernando Silva Pinto. Reproduzo aqui só o primeiro bloco.

“É uma estátua o cachorro. Há uma perdiz a metro e meio do seu focinho, invisível. No mato espesso desta cabeceira de córrego não há quem consiga vê-la, a não ser voando. Por isso, o caçador que se aproxima tem que estar atento, arma preparada. A perdiz voará de repente, depois de um salto vigoroso e assustador, sem direção definida.”

Isto me fez lembrar os áureos tempos da revista Troféu e Pescatur, onde eram publicados textos de caçadas de campo e também onde podíamos deparar com inúmeros anúncios de canis que comercializavam cães de linhagem apurada. Cito alguns que constantemente apareciam anunciados. Canil dos Pinhais, Canil Debret, Elejay Valey, Canil Paula Souza do saudoso Waldemar Pacheco, canil Descalvado e um dos mais famosos Canil Indaiá, e o seu não menos famoso cão, Ch. Chá Caçador de Indaiá.

Naquele tempo eu estava iniciando minha vida profissional e não podia de forma nenhuma comprar um filhote destes renomados canis. Tinha que contentar com os “pés duros” de raça mestiça que os amigos criavam e me cediam filhotes. Não tenho o que reclamar dos cachorros que tive, pois a minha melhor cadela foi fruto de cruzamento com vira lata. Mas nós víamos na revista Troféu aquelas fotos lindíssimas de cães amarrando, ficávamos de água na boca, imaginando quão bons seriam. Aquela época ainda existiam cerrados para se caçar, e como dizem, era o melhor local da prática do verdadeiro esporte. Muitas vezes o caçador andava horas e horas sem encontrar nada e depois num só lugarzinho achava um tufo delas.  Sempre nessa hora, depois de andar tanto e não ver nada, dava um nervosismo terrível que algumas tinham sorte e saíam ilesas.

Relembrando os canis, vem também a lembrança do treinadores de cães de aponte. Existiam diversos na região e cada um com um com sua técnica. Conheci um que usava de um misticismo poderoso que ensinava os cães com passes espirituais mágicos.

Naquela época o mais famoso treinador era o Luiz Antonio Taddei de Freitas, que sempre era comentado e enaltecido como o melhor treinador, nas revistas cinegéticas brasileiras. O Taddei, publicou um curso completo de adestramento de cães, para aqueles que se dispõe a ensinar por conta própria.

O caçador que treina seu próprio cão é o mais feliz dos caçadores, porque participa euforicamente das primeiras amarradas de seu cão. Esta participação nos dá tamanha satisfação nada inferior que a do próprio cão, que quando vê pela primeira vez uma codorna levantar fica completamente doido, corre prá cá e prá lá. Somente depois de diversos levantes que ele irá entender o que aconteceu.

Quem estiver interessado nessa apostila de adestramento, eu posso fornecer Xerox. Este Curso tem 7 tópicos: 1.Aprenda a eleger o filhote em meio à ninhada e saiba como iniciar o treino.2.Veja como desenvolver no cão o talento da mostra.Acostume-o ao tiro.3.Cinco são os principais defeitos que um cão pode ter.Elimine-os.4.Ensine o perdigueiro a trazer a mão com perfeição, sem mastigar.5.Conheça o método infalível para cães teimosos. Com ele, não se perde a caça.6.Faça seu aluno exercitar o que já aprendeu. Use codorna , marreca,coelho etc.7.Decifre os segredos do campo. Entenda o problema do auto-embotamento do faro.

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