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A caça existe porque a vida não basta!

A caça existe porque a vida não basta!

     Parafraseando a célebre frase do famoso poeta brasileiro Ferreira Gullar:” A arte existe porque a vida não basta”, nós caçadores também podemos dizer: A caça existe porque a vida não basta! E, “Que não seja imortal, posto que é chama,mas que seja infinito enquanto dure…” Vinicius de Morais

Era uma segunda feira de maio de 2018, no movimentado aeroporto internacional de Guarulhos em S.Paulo, pessoas ouviam o chilrear da ave Irerê, olhavam por todos os lados e não sabiam o que era aquele som, quem discernia procurava pela ave e nada via.  Era nossa turma animada composta dos   caçadores: Otavinho, Diego, Dito, Dr. Márcio, Jonas, Waldemar, Tadeu e eu, que enquanto íamos caminhando para o embarque para mais uma caçada de perdiz no Uruguai, comunicávamos assoviando o chamado do Irerê.

   Após um voo curto de 2,5 horas, pousamos no Aeroporto de Carrasco, no Uruguai, onde o João Paulo, mais uma vez, nos esperava.

   Após a liberação das bagagens e armas, fomos direto para o centro gastronômico do Porto, para saborear a famosa carne Uruguaia, em especial o bife de tira, de requintado sabor. Após a panturra satisfeita, nos dirigimos mais uma vez para a loja de armas para uma visita.


Terminada a visita, partimos para Trinidad. Como sempre, a chegada é aguardada com aperitivo e bom vinho uruguaio.

     Terça feira amanhece, mochileiros de plantão, café servido, poucos minutos nos separavam para a primeira e almejada saída para os pampas uruguaios. Os cães ladravam incessantemente, querendo tomar seus lugares à carreta que ia rebocada pela van. Caçadores andam daqui pra lá parecendo perdidos naquele pequeno espaço. Era o nervosismo da primeira caçada! A temperatura marcava 16 graus e tinha uma ótima aliada, a umidade que ia alta e traduzia num ótimo dia para as ventas caninas.

    A van parte com 8 caçadores falantes e animados para a aventura. Na frente ia em outro carro o João Paulo e os mochileiros (pra quem não sabe, são os moços que   nos acompanham levando água cartuchos, designam onde caçar e controla o número de peças abatidas). Chegando à fazenda contratada pelo JP, um caçador com seu mochileiro, salta aqui, outro salta acolá.

    Descemos, o mochileiro, eu e a Luna (Spaniel Breton) num campo verde de plantação de trevo, forrageira para alimentação de gado.

    Portava uma Franchi Benelli cal. 12 e um cinturão de cartuchos de marca italiana, com 28 gramas de chumbo cromado.

    Ao soltar a Luna, ela já dá o aponte à perdiz, a qual amarra lindamente. A dita voa bonito e eu com dois tiros do belo cartucho, que dava até dó de gastar, deixo ir a perdiz ilesa. Lamentações e desculpas é o que não faltaram após uma falha dessa, mas, graças a peça não foi machucada!

    O famoso vento uruguaio deu sua cara, e todo mundo sabe que a caçada de voo com vento é complicada. Mais uma amarrada, e ao segundo tiro a perdiz baixa ferida. Fomos até o local, mas como a Luma é boa para amarrar e ruim para cobrar a peça, perdemos.

Andamos mais um pouco e saiu uma de bunda, tiro que prega mais peça em caçadores, mas foi pro chão. Aí animou! Assim, fomos achando outras, umas amarradas espetacularmente e seguidas pela luma, outras saíram “espirradas”, rapidamente a cota foi atingida.

    Nosso companheiro Waldemar que não havia encontrado nada noutro piquete, passou para o meu lado e foi encontrando algumas e com sua estimada 28 alvejava as bichinhas.

    Outros caçadores não acharam tantas e voltamos para a pousada. Após um saboroso almoço e um curto descanso, voltamos para o mesmo local. Felizmente o local que me coube era muito bom, fiz a cota e fiquei esperando pela van. Mais uma vez o Waldemar teve que passar para o meu lado para finalizar sua cota, inclusive filmei-o abatendo a sua última perdiz da tarde.

    Com a chegada de todos à Van, a conversa se acirra: quem andou mais, quem matou mais, quem errou mais, etc. e com a roda de uísque no gargalo a animação cresce.

    Quarta feira, segundo dia, não conseguimos completar a cota. Uma perdiz atirada foi se precipitar nas águas de um lago, fomos até lá procuramos muito e não achamos. Inesperadamente a Luna aparece com uma na boca, mas infelizmente não era nossa e sim de outra turma que havia perdido.

   A tarde de quarta não foi muito boa para alguns, o Jonas só detonou um tiro em uma lebre.

    Quinta feira amanhece nublada, após o café partimos para o leste, percorremos uns 30 km, chegamos ao local onde o João foi soltando os caçadores. Cada um com seu respectivo mochileiro em campos diferentes. O tempo estava fechado, temperatura 11 graus, campo úmido, otimamente propicio para busca das perdizes. Nessa manhã todos tiveram bom desempenho, o meu foi razoável, tive que pular para o campo do companheiro, pois nada achava. Numa baixada com resquícios de plantação de soja encontramos algumas, infelizmente por duas vezes bati no ferrolho da semi auto, e por conta disso não disparou duas vezes. Uma das perdizes avistei altiva caminhando pelo chão, aí a adrenalina sobe e vem aquele pensamento herdado que :perdiz vista no chão é erro na certa. O nervosismo bate, vou em direção à ela e aquele maldiçoado pensamento não sai da cabeça. A ave voa e..páa, páa.. e a perdiz vai embora. Que lástima, levantou tão bonito! Nesse dia, após o almoço não houve caçada, pois a chuva chegou, como mostrava a previsão do tempo. Aproveitamos a tarde para as compras na cidade.


Sexta pela manhã fomos para um local bem distante 50 km, a um campo nativo, andamos muito, exercitamos bem as pernas, não perdemos a viagem, pois a maioria teve bom proveito. Como chegamos tarde para o almoço, saímos tarde também para a caçada da tarde a um local que já conhecia do ano anterior. A pastagem estava rapada, até o fazendeiro teve que vender o gado, pois ficou sem pasto. A Luna, cadela que conhece o campo, notou que não havia perdizes e desceu para a beira do córrego, vasculhava as touceiras de capim no encalço das lebres, caçada que por sinal é a preferência da raça. Nessa tarde pude ver quatro lebres, duas delas propicias ao disparo. Uma delas a Luna fez com que corresse para o nosso lado, inesperadamente me dou com a lebre que vem à toda, de frente para o meu lado, por sorte mirei um pouco à frente e a cambalhota foi simplesmente sensacional. A outra que atirei, também levantada pela Luna, passou como dizemos “de ponta de asa”, numa velocidade incrível, foi mais um tiro inesquecível.

     Sábado, último dia de caçada, local onde já havia caçado por dois anos, e que sempre encontramos perdizes. Houveram amarradas sensacionais, dignas de filmagens e fotos inesquecíveis. A tarde retornamos para o mesmo local, eu já estava satisfeito com a caçada e retornei cedo para a van.

     A caçada acabou, restou para a janta a última homenagem à caça, que foi a caçarolada de perdizes acompanhada de polenta com fubá brasileiro.

     Tudo correu maravilhosamente bem e, pra somar, o nosso amigo Waldemar deixou gravado em sua câmera shotkan, uma cena que duvido alguém repetir numa filmagem! 

Waldemar colocou a câmera no cano inferior de sua cal.28 e foi à caça, após filmar algumas, a cena inacreditável surgiu: Apontando a câmera, levanta a perdiz, ele segue-a e dispara corretamente, a ave em câmara lenta cai e o cão vai ao seu encalço. O Waldemar não troca cartucho e permanece filmando o cachorro pegando cuidadosamente a ave e, assim que ele ajeita na boca e sai para a entrega, inesperadamente levanta do nada, na plantação rala, uma lebre que sai à toda. O Waldemar com o único cartucho do cano superior, corretamente aponta um tanto à frente da lebre e a dita rola espetacularmente no chão. Foi uma cena maravilhosa. Parabéns Waldemar! Encerrou com chave de ouro caçada de 2018!

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