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A essência da caça


Muitos brasileiros viram domingo passado no fantástico, cenas lindas da África, uma delas foi um filme sobre nativos da Namíbia, chamados Bushman.* Eles usam flechas envenenadas com uma espécie de larva de besouro cristalizada e colocada na ponta de suas flechas. Quando atingida uma fêmea de kudu, como apareceu no filme, provoca um ataque cardíaco no animal, facilitando assim sua captura

Todos nós notamos a felicidade dos nativos, que com o pequeno arco, lançou uma flecha que atingiu o kudu. Percebemos que a felicidade de ter acertado o animal pareceu ter sido maior que o pensamento na carne que iria abastecê-los, isto é o instinto caçador, o prazer de caçar.

Ortega Y Gasset cita: “Toda morfologia da morte se contrapõe como algo sem par, pois somos os únicos seres normais que ao matar uma criatura constitui delícia de outra. Isto leva ao último paradoxo as dificuldades da ética. O desportista não interessa na morte da peça, não é isso que se propõe o que interessa é tudo que houve antes para poder lograr, isto é caçar, com a qual se converte em efetiva finalidade, que antes só era o meio. A morte é essencial, porque sem ela não há autentica caçada, em suma: não se caça para matar, senão ao revés, se mata por ter caçado”.

Outra cena que despertou curiosidade no Fantástico foi um filme que já rolou na internet. São também nativos que caçam a caça do leão, isto é uma modalidade nova de caçada, pois enfrentam os leões que apanharam uma presa e deles roubam um naco de carne. Esta caçada, embora sem armas de fogo, assemelha-se aos caçadores de elefantes, de Leões, etc. onde caçadores correm eminente perigo.

Em seu livro Cambaco II, José Pardal cita:” Há uma inebriante mistura de medo físico e de gozo mental que só o homem é dado a sentir. Até porque o homem é o único animal que extrai um prazer anímico do perigo e do medo”. “A febre da aventura e a embriaguês do perigo são estados de espírito próprio do homem e que exercem sobre ele forte solicitação. Sempre foi assim e sempre continuara a ser!”

“No livro Caçando em África e olhando o Mundo do Com. H. Pereira, ele cita o livro Paix et Bonheur, que diz: “O prazer da caça não consiste, de modo algum, apenas em matar os animais” completa ainda:” Realmente, a morte do animal,seja ele pacífico ou agressivo,é a última das coisas e talvez sem ela fosse a caçada ainda mais interessante”.

Muitos apregoam que o caçador é um ser sem piedade e coração. Não é bem assim, notem que até os índios brasileiros antes de saírem para a caçada, rendem homenagem aos animais que serão mortos para sua alimentação. Herdamos não só o instinto venatório como também o protecionista. O Arlindo Zatti em seu livro cita uma passagem do seu companheiro Vitor Oliva que abateu sem saber uma onça com filhote a mamar, cita: “Ruy Oliva com um filhote ao colo, cobrindo-o de carinhos, e olhando a sua presa sem vida, pareceu-nos que suplicava perdão. É difícil entender o coração de um homem que mata e acaricia e que anda entre os extremos do egoísmo e do altruísmo. Mais fácil é entender a alma do caçador, sempre comovida e genuflexa ante os sublimes e afetivos mistérios do amor”.

*Informação obtida no livro Sands of Silence do Capstick

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