A minha caçada ao "Cambaco"


A minha caçada ao “Cambaco”

“Cambaco, em língua Changane, significa o elefante velho e solitário. Esta palavra adquiriu, ao longo de gerações, um valor romântico, místico e lendário: a lenda do grande solitário, portador de grandes dentes de marfim, sonho de todos os caçadores de elefantes.”

E, fui à caça ao “Cambaco”

Para caçar um “Cambaco”teria que contratar um caçador profissional, ou como dizem Professional Hunter, este por conseguinte teria que levar seu pisteiro, esfolador e serviçais. Quanto ao local, provavelmente ele já teria. Entretanto, se encontrássemos um lugar, como antigamente ,onde os nativos passavam dissabores com os elefantes que vinham durante à noite roubar água das cacimbas, ou penetrar na sua cultura de milho e dizimar com a pequena lavoura–seria interessante…

Tem um porem, esses elefantes costumam se esconder de dia na mata fechada e intrincada de espinhos e bambuzais. Embora possuindo um corpanzil imenso, mimetizam como camaleão, proporcionando assim alto risco ao caçador inexperiente podendo ter seu corpo enrolado por sua poderosa tromba ou espetado pelo marfim.

Mas não era esse o “Cambaco” que estava à procura…

Através de meus relacionamentos, contatei o Cel. Trajano, aqui do Brasil, homem letrado em assuntos da África, e expliquei o meu desejo de caçar um “Cambaco”. Imediatamente ele me deu dicas como também apresentou os livros do Cel. Oscar Cardoso, aliás muito lindos que são : A Espingarda de Caça em Portugal e A carabina de Caça Grossa em Portugal. Assim sendo comprei primeiramente o livro A Espingarda de Caça aqui mesmo através de sebo virtual, já que acha-se esgotado.

O Livro A Carabina de Caça Grossa, comprei de um Senhor de Portugal e recebi já com autógrafo do autor.

Assim que abri o livro A Carabina de Caça, deparei com fotos de caçadas do meu amigo Jorge Alves de Lima “O Kirongozi”, imediatamente liguei para ele e me explicou que o Óscar, autor do livro, é seu amigo desde quando morava em Angola.

Passei então a corresponder por e mail com o Óscar de Portugal e descobri que morou muito tempo em Angola e na África do Sul e adquiriu muita experiência em caçadas nesses países, inclusive foi também amigo do Peter Capstick.

Papo daqui, papo dali, apresentei ao Óscar o Miguel Pereira, escritor do livro: Caça Beleza Sublime, que reside em Angola. Os dois não se conheciam pessoalmente, vieram se encontrar logo depois num caloroso almoço regado de muitas estórias de caçadas.

Mas o meu comichão mesmo era o tal do “Cambaco”que não saía da minha cabeça…

Um belo dia resolvi então perguntar para o Óscar se ele poderia me indicar como conseguir um “Cambaco”.

Prontamente com a maior boa vontade disse que iria contatar o José Pardal, ex caçador de elefantes que viveu e caçou elefantes em Moçambique por 40 anos. O Pardal, já com seus 90 anos morando em Portugal, atendeu prazerosamente seu amigo Óscar, enviando-lhe um livro para o Óscar com dedicatória especialmente para mim.

O livro que o José Pardal me ofereceu nada mais é do que o “Cambaco I” fruto da minha irrefreada caçada!. Ufa! Consegui…

Mas, a caçada ao” Cambaco I” não finalizou, faltava o cobro (como dizem os portugueses ao ato de recolher a caça abatida)

Em 6 de dezembro Óscar postou o livro e em 12 de dezembro o livro já estava em Curitiba, esperando liberação da receita.

A ansiedade me dominava, todo dia consulta ao web site dos correios ,sequioso para saber o paradeiro do livro. E a tela não mudava!

O impasse perdurava e eu não sabia mais para quem reclamar, pois já tinha reclamado até para a ouvidoria.

No dia 4 de janeiro de 2013, recebo uma triste notícia partindo do Óscar, que o José Pardal entregou sua alma aos céus e foi viver suas veações no paraíso.

À partir daí a ansiedade multiplicou, pois se o livro desviasse, nunca mais teria outro com o autógrafo do autor.Tenho plena convicção ter sido este o último autógrafo de sua vida!

Após trinta e dois dias que o livro estava parado em Curitiba, recebo a boa notícia dos correios que o livro estava na minha agência.

Olha que bela dedicatória que o Pardal   me presenteou:

“Meu caro Eloir Marcelino,tenho a impressão de que esta dedicatória se parece mais com um abraço entre um “Cambaco” e“ um “Mapfôguè. É que os “Mapfôguès “ são os futuros “Cambacos” como eu aliás já fui. É que eles são mais malandros e traiçoieiros. Cuidado!!!”

José Pardal 2012

Mapfôguès é o elefante macho adulto.

Obrigado José Pardal!  Obrigado Óscar Cardoso!



0 visualização

©2019 by RECARGAMATIC.