A pescaria que não pude realizar










Em 2013  Vinícius, rapaz novo apreciador de pescarias, resolveu juntar um grupo para uma pescaria em Mato Grosso do Sul. Pesquisa daqui, pesquisa de lá, achou uma chalana, assim chamado um barco hotel no Mato Grosso. O local de pescaria seria o Rio Paraguai e a cidade Porto Murtinho. O combinado foi um pacote com hospedagem na chalana, servido de 4 barcos pequenos para deslocamentos de pesca, 4 pirangueiros, iscas (excetuando minhocuçús) e todas as refeições excetuando bebidas que levaríamos.


Assim sendo formamos um grupo de 8 pessoas e fomos pagando em parcelas mensais. O valor  referia-se a 4 dias inteiros de pescaria embarcados na chalana. O combinado com o agenciador foi pagar uma porcentagem do total adiantado e o restante no dia do embarque.


A data da pescaria foi marcada para 16 maio de 2014, os meses foram passando a data da ida se aproximando e o desejo cada vez mais exacerbado. Vez por outra marcávamos uma reunião numa chácara à noite, onde rolava carne na chapa com arroz, salada e muita prosa com expectativa de realizar uma boa pescaria.




Porém, faltando 4 dias para nossa saída meu filho foi inoculado pelo vírus  da dengue que assolava a cidade de São Paulo. Minha esposa, muito preocupada achou melhor que eu cancelasse a viagem.  Assim sendo, resolvi procurar uma pessoa para me substituir.  Liguei para uns tantos, mas todos tinham compromissos e recusaram o convite. Quando já não havia mais esperanças de achar um pretendente, na tarde da véspera da saída, quando os participantes já estavam prontos para carregar os dois carros que levariam as oito pessoas, me comunicaram a existência de um interessado em meu lugar. Conversei com a pessoa, acertamos o pagamento, bem abaixo do real, e noutro dia saíram pela madrugada com destino ao Mato Grosso do Sul.


Meu único desejo era que a turma fizesse uma ótima pescaria. No decorrer da viagem o pensamento estava focado neles, lembrando que poderíamos estar naquele momento na companhia com todo aquele entusiasmo que antecede a pescaria.


A noite, no mesmo dia que saíram liguei para o Roberto e, para minha surpresa percorreram mais de mil quilômetros chegando ao destino no mesmo dia. Dormiriam em terra naquele dia, e noutro  embarcariam na chalana.


Só depois soube que a chalana estava ancorada na outra margem do rio, no vizinho país do Paraguai, e que toda a tripulação era de paraguaios. Assim sendo tiveram que atravessar o rio em barcos para alcançar a chalana.


Após esse último contato não mais falei com ninguém, pois o local não era provido de antena para celular.




 É mais que normal a possibilidade de acontecer algum atrito quando se reúnem um grupo de pescadores. E ainda, será que em 4 dias vão dar conta das 480 latinhas de cerveja que compramos, sendo que três deles não ingerem álcool?


Eles lá no Rio Paraguai e nós aqui, quase rente as margens do Rio Tietê só de olho no calendário para saber das novidades que viriam no dia da atracação final.


No dia do desembarque consegui falar com Roberto, que nessa altura já estava em Ponta Porã para irem às compras de importados. As primeiras notícias foi que a chalana era ótima que a tripulação deu um tratamento de primeira aos turistas. O café da manhã com frutas, sucos, etc. A hospedagem ótima, tudo limpinho , os quartos com banheiros individuais. As refeições substanciosas e um ótimo tratamento dos pirangueiros.




 Nos três dias seguintes de pescaria o tempo virou em chuva e também houve o problema com a “Dequada”.


 “Dequada” é um fenômeno que se dá nas águas que invadem os campos nas enchentes do Rio Paraguai, e quando desaguam para o rio levam consigo muita vegetação putrificada que retira o oxigênio da água e muitas vezes chega a causar mortandade de peixes. Nessa situação fica mais difícil fisgar os peixes. O fenômeno da “Dequada” foi testemunhado pelos participantes da pescaria, a água encontrava-se marrom e notaram muitos peixes agonizando e muitos mortos por esse efeito natural que acontece no pantanal.


Infelizmente não pude ir, mas foi como se tivesse ido, pois a felicidade que eles tiveram em realizar uma bela viagem foi compartilhada comigo, ri muito do que aprontaram por lá, agora a expectativa é programar outra pescaria de chalana.





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