Aquele tiro fácil que erramos….


                                                              Bill e o autor

Caçando notamos coisas interessantes que ocorrem no tiro ao voo.. Muitos de nós já fizemos tiros inacreditáveis, tipo: abater uma perdiz a 50-60 passos. Outros tiros também difíceis, como a ave cruzando em nossa frete, que saiu “espirrada”, e acertamos.

Mas o que ocorre com aqueles tiros que a ave levanta, como se diz: cagando no cano, em linha reta, bem em nossa frente, como que entregando a vida de mãos dadas, e erramos redondamente, sem tirar uma pena sequer.

Se vocês pensam que ocorre só com brasileiros, estão enganados, pois caçando ano passado no Uruguai com Bill, um amigo americano, bom atirador , praticante de skeet . Ele reclamou que as perdizes que saíam numa perfeita reta, estava errando todas. Olha que o Bill é bem treinado, já abateu diversas codornas com a cal.20 segurando a arma só com uma mão.

Tudo leva a crer que o motivo de errar esse tipo de tiro é puramente psicológico, veja bem: Quando a ave levanta e voa numa linha reta e fácil de alvejá-la, nós queremos ver o tombo, não é? Aí que está, olhamos a ave e esquecemos de mirá-la! E lá se foi a caça…

Caçando em dupla, parece que é mais fácil de acontecer este erro, pois em dupla sempre há a preocupação com o companheiro e também a questão instintiva da disputa.

Já aconteceu comigo caçando em dupla de errarmos dessa forma, e persistir no erro, pois fomos à procura da ave onde pousou e outra vez erramos.

Assim é o esporte, se acertássemos todas que graça teria, o bonito é isto, acertar e errar, e não ter vergonha de falar, pois o verdadeiro caçador não é um competidor e sim um degustador da arte de caçar.

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Não tem nada a ver com o caso acima, mas vou contar um caso da minha maneira, que eu li em um dos livros do Barros Junior.

Francisco de Barros Junior, escreveu a maior obra literária de caça do Brasil. Contou ele, uma ocasião , foi caçar perdizes num sítio, e o proprietário falou:

—Sr. Francisco, logo aí nessa descida mora um perdigão dos graúdos, que ninguém consegue matá-lo, já estiveram aqui diversos caçadores, mas o perdigão é muito velhaco e ninguém conseguiu colocar no embornal.

O Francisco falou:

–Deixe prá mim que hoje ele terá um caçador pelas costas e não vai conseguir escapar.

O Barros desceu o pasto com seu cão perdigueiro que só faltava falar e logo estancou como uma estátua, só se via a boca do cão estufar e murchar como um trombonista tocando. O Barros preparou sua Parker e deu ordem para o cão avançar, sem demora pula a galinhona. O Francisco apontou, e traque…,foi o que ouviu, abaixou a arma e escorreu chumbo no chão. Retirou o cartucho e verificou que quando recarregou esqueceu de colocar a pólvora. Só a espoleta detonou e teve somente força para empurrar a bucha.

—É disse ele, esse perdigão tem mesmo sorte!

Se existisse a Recargamatic naquele tempo, não dava para errar na recarga,pois se não colocar a pólvora não cai o chumbo!

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