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Arco & flecha


Arco & flecha

Minha intimidade com arco e flecha começou na infância. Procurávamos por árvores que tinham bons galhos para executar arcos rústicos. O maior problema eram as flechas, pois em nossa região não existia bambu igual que os índios faziam, mas como nossos arcos e flechas eram só mesmo para brincar não exigíamos muito deles.

Foram se infância, adolescência e na fase bem adulta, na década de 80, defrontei-me com arco e flecha novamente.  Isso acorreu logo que se instalou a fábrica de Arcos e mini bestas Velox numa cidade próxima daqui. A Velox foi uma das pioneiras na fabricação de arcos de fibra no Brasil e existe até hoje.

Um vendedor e cliente me apresentou o arco TA Velox de roldana e uma mini besta Velox, os quais adquiri na época. O arco TA ainda tenho, na verdade, usei-o muito pouco, pois naquela época as flechas eram difíceis de se ter coisa boa. Ou se conseguia flechas importadas, ou nacionais feitas de fibra de vidro que deixavam a desejar. Atirei um pouco com o arco, só por diversão, mas logo desisti, pois o que podia acertar era um balde de plástico de 20 litros a uma distância de 8 metros. Na realidade, eu não sabia atirar e não tinha nenhum acessório de mira.

Por muitos anos o arco ficou pendurado na parede. Só em 2007, depois que fui para a África com um amigo caçador de arco, resolvi  me entender com o arco novamente.

Retirei o arco da parede onde descansava por longos anos, Limpei-o, comprei umas flechas de alumínio da Velox e outras de madeira e passei a praticar tiro instintivo com arco TA de roldana. Notei que era difícil acertar sem os acessórios de mira. Assim comprei os pinos de mira e fiz um” peeper”. A coisa mudou, consegui melhorar a performance.

Consultei meu amigo caçador de arco como poderia aprender o tiro com arco. Ele me aconselhou a frequentar curso de arco na capital de S.Paulo. Não fui porque meu arco era muito antiquado e sem muitos recursos.

Em 2009 fui para os EUA e com ajuda do meu amigo Rodrigo que lá reside, fomos a uma loja de arcos, ele me orientou na compra. Assim, depois de escolher o arco, o funcionário da loja mediu minha puxada, acertou o “peeper”, colocou a mira de três pontos de fibra ótica e fiz um teste de tiro. Não aprendi nada sobre tiro com arco, pois só foi um teste.

Quando cheguei com meu arco, não sabia quase nada sobre a regulagem da mira e do “rest” da flecha. Dei uns tiros, quebrei algumas flechas que defrontaram com a parede, aí passei a pesquisar melhor na internet e no “youtube”  como regular o “rest”. Assim fui novamente à pratica, sem fazer curso algum e sem instrutor consegui logo acertar num pequeno alvo a distancias de 20 e 30 metros.

Assim fui aperfeiçoando o tiro, comprei outra mira com um só ponto e regulagem de distância e um” rangefinder”  assim não precisei do curso.

Depois de ter atirado muito e notado o domínio sobre o tiro, resolvi procurar desafio com arco recurvo.

Comprei um belo arco recurvo sem miras da Velox, e comecei a praticar tiro instintivo. O tiro instintivo com arco recurvo   torna-se mais emocionante que o composto, pois a gente se sente como um índio que tem a responsabilidade em acertar o alvo para obter a caça.

Porém, não é nada fácil o uso do arco recurvo na forma instintiva. Eu colocava até bem as flechas no alvo, mas não conseguia obter uma referência para o tiro. Através do facebook encontrei o Jorge de Piracicaba que é fã dos arcos tradicionais. Fui até ele e me deu umas dicas de ancoramento e me ensinou a relação de distância do alvo e a posição do ancoramento. Procurei também no “youtube” mais elucidações quanto ao uso do arco.

O bom do arco recurvo é o hobby, pois a gente parte para inventar. Passamos a querer inventar arcos e flechas. Eu mesmo parti para fazer minhas próprias fechas de madeira. Comprei as varetas roliças de 8mm de diâmetro, comprei as penas de ganso já cortadas e montei as flechas e posso dizer que ficaram boas.

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