Armas" handmade"


Hand made guns

Diferentemente de outros animais que possuem garras ou presas para se defenderem, o homem possui a inteligência e as mãos para emprego em sua defesa. É inato ao homem o dom de construir armas, desde criança temos a tendência de gostar de armas e de construí-las. Assim uma criança toma um pedaço de pau e já imagina uma faca, espada ou pistola.

Nós que nascemos em outra época, e crescemos ligados à natureza onde perseguíamos animais e pássaros com estilingue; quando chegava a adolescência partíamos para construir nossa própria espingarda de chumbo. Assim achávamos um cano, tapávamos um dos lados e um pequeno furo servia para se colocar a espoleta de arma de brinquedo para inflamar a pólvora negra.

A primeira arma verdadeira que conheci feita em casa, foi uma cal.36 que meu pai fez. Era uma imitação da Laport.  Ela foi meu objeto de admiração. Sabia onde ele guardava e vez por outra ia escondido admirá-la.


Conforme fui penetrando no meio do tiro, da caça e das armas, passei a conhecer muita gente que se meteu a construir arma, porém só agora pude escrever algo sobre as “hand made guns” e mostrar um pouco sobre o que essas pessoas construíram, já que agora são todos falecidos. Também me eximo de qualquer responsabilidade em mostrar as fotos já que não sei dizer o paradeiro dessas armas que construíram, pois somente o que restou para mim desses artesãos foram apenas poucas fotos que captei de suas obras.

Algumas armas não pude fotografar só restou mesmo a imagem delas em minha mente.

Assim foram as armas que o Sr.  Luiz fez. Quando o conheci já era de idade, ele construía espingardas paralelas e sobrepostas, tive a oportunidade de ver uma sobreposta cal.12 que fez em casa com pouquíssimos recursos. Aliás todas essas pessoas faziam maravilhas com pouquíssimo recurso. Conheci a obra de um outro artista que fez uma carabina “lever action” nos moldes da nossa carabina Puma, construída no calibre 12, era monstruosa, não cheguei atirar com ela, mas parecia funcionar muito bem.


Um outro senhor que conheci, tinha muita habilidade para construir garruchonas. Quando o conheci já era aposentado. No fundo de sua casa, a única coisa que tinha era solda e uma furadeira de coluna de virar com a mão, o restante eram ferramentas manuais, tais como limas de enxada, etc.  Lembro-me que quando fui conhecer sua oficina perguntei como é que fazia a câmara da arma e ele me respondeu que fazia com auxílio de uma lima afiando -a dos lados na conicidade da câmara e colocando na furadeira de coluna ia girando vagarosamente e assim fazia o câmara. Muito me surpreendia a capacidade desses artesões que com quase nada de ferramental faziam coisas belas.



 Mas o ermitão não só fazia as armas, fazia também sua munição e inventava calibres. Fazia as cápsulas de bala em aço, inclusive a coquilha para fundição dos projéteis. 

Essas pessoas são atemporais, não importam se levam um mês ou um ano para construírem seus sonhos. Eles tem grande intimidade com o tempo o qual maneja diferentemente de nós acostumados a correria diária.

 São verdadeiros artistas que se expressam no metal, no engenhoso mecanismo que funciona e produz um estampido, embora forte, mas que nutre nossos ouvidos e cura qualquer doença dos devotos com sua fumaça à maneira da pajelança indígena.

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