©2019 by RECARGAMATIC.

As armas de caça da época do meu pai


As armas de caça da época do meu pai

Todos aqueles como eu, que são fissurados em caça e armas, sempre vem à tona recordações de nossos mestres.

Na época que meu pai caçava, seus amigos mais abastados possuíam espingardas de caça das marcas: Lebeau Courally, Dumoulin, Greener, Sauer, Lajot , sendo a maioria nos calibres entre o 20 ao 12. Para eles, o custo dos cartuchos não era problema, por isso usavam calibres maiores.

Os caçadores menos abastados como meu pai, não tinham poder de compra de uma espingarda de caça de marca, então ou usavam emprestada ou adquiriam marcas mais baratas. Uma delas, bem popular naquela época, era a Pieper Bayard. O calibre também não poderia ser grosso, pois o custo dos cartuchos pesava no bolso, então o cal. mais procurado era o 28, os calibres como o 24 e 32, não eram muito difundidos, como não são até hoje.

Sempre recordo quando meu pai foi adquirir a sua Pieper Bayard cal.28, fui junto, minha curiosidade era muita. A arma era usada e possuía alguns pontos de ferrugem, externamente e internamente. Naquele tempo usavam muito espoletas corrosivas e os canos não eram cromados internamente, por mais cuidado que tivesse, sempre aparecia algum ponto, do maior inimigo das armas que é a ferrugem. A arma estava com bom aspecto externo, não tinha jogo no fechamento, os parafusos estavam intactos sem marcas de chaves. É horrível armas com os parafusos desbocados. Os cães expostos estavam perfeitos com as molas fortes, a coronha era original, enfim era um bom negócio.

Foi só vendo a alegria do meu pai em levar aquela arma. Dai prá frente ele não mais separou dela, parecia uma extensão do seu corpo quando apontava para a codorna ou perdiz, que caia como trapo, até mesmo a longas distâncias. Ele era um bom atirador, sempre recebia elogios.

Nessa época eu saía caçar com ele com uma cal.410(36) Rossi de um cano. Ele sempre me instruía sobre o uso das armas: nunca atravesse a cerca com a arma na mão, ao colocar encostada cuidado que ela não escorregue para o seu lado. Quando estiver caçando, sempre mantenha os cães desarmados. Só arme o cão assim que a caça levantar. Nunca arme os dois cães de uma só vez, que após o primeiro tiro poderá esquecer armado e naquela euforia de ter pego sua presa, esquece de desarmar e poderá causar um disparo acidental.

Conjugar esta questão de armar só um cão e depois armar outro quando perder o primeiro tiro, ou tiver que fazer um Double é complicado, dado o espaço ínfimo de tempo que temos. Meu pai conseguia essa proeza, realmente não sei como.

Certa ocasião após muitos anos que meu pai já não caçava mais, motivado por um aneurisma, num ato nostálgico fui aventurar com a Pieper cal. 28. Havia tempo que caçava com minha cal.20 mocha, então quis sentir os sabores de caçar com uma arma que meu pai fez muita proeza.

Fomos então ao local que anualmente realizávamos nossas caçadas aos perdigões. As áreas que mais almejávamos eram os amendoinzais os batatais ou tigüera de milho, de preferência rodeados de pastos. Estas culturas eram excelentes para alimentação das penosas.

Vestindo o velho cinturão que meu pai usava com cartuchos Cruzeiro que catei do seu velho baú de recarga, onde abrigava um virolador de cartuchos, pólvora piquete, espoletas, buchas de feltro e cortiça e chumbo de vários tamanhos, vou eu então.

Num local destes ditados acima, o fiel companheiro levanta uma perdiz, meio que espirrada, levo a arma ao ombro, puxo o gatilho e nada! O tiro não saiu, não armei o cão. Vamos lá para outra, essa quero me preparar, o cachorro amarra, eu me preparo, arregaço o cão direito. A perdiz levanta e erro puxa o segundo gatilho e nada, o cão estava desarmado! Depois disso consegui abater algumas, mas realmente a arma já não mais me servia. Meu hábito estava concretizado na arma mocha.

Não lastimei ter feito pouco nesta caçada, pois para mim foi uma homenagem que fiz ao meu querido mestre que tanto me orientou no esporte da caça.

2 visualizações