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Bons momentos


   Declinamos o rio logo ao amanhecer do dia, com o motor desligado para não fazer barulho, encostamos o barco na margem com cuidado, descemos e caminhamos quase rastejando para atingir uma leve ondulação de terreno de um metro e meio de altura, do outro lado desse barranco era uma depressão onde existia um mato ralo e algumas árvores baixas. Muito cuidadosamente, escondido no barranco e com os nervos à flor da pele, sem fazer ruído olhei para as árvores baixas e qual foi meu espanto, estavam lá umas galinhas e o galo, que faziam parte da família, todos empoleiradas nos pequenos arbustos. Virei para meu companheiro e murmurei:- –Estão lá. Ele na mesma hora respondeu:

—Esse momento não tem preço, não tem o que pague e ordenou: — Atire. Imediatamente já empunhando uma Boito sobreposta 12 desfechei dois tiros sendo um no macho topetudo e outro numa fêmea.

Aí foi só alegria, apanhamos a caça, subimos o rio para o acampamento, colocamos na panela de pressão, aquelas coxas enormes ficaram saborosas. Dois dias antes tinha sido feito no local, para tal fim, uma ceva com milho para atrair o Mutum, caça esta considerada na Amazônia apreciadíssima pelos amazôninos. O rio onde estávamos no MS, de poucos trechos de águas mansas e margeado por mata, no dia anterior na subida deparamos com duas antas que saíam da água em direção ao barranco. Munido do .38 TA, desfechei alguns tiros do lado das tais, sem propósito de atingi-las somente mesmo para que galopassem, o que continuaram fazendo muito rapidamente. Nesse mesmo dia anterior, à noite fizemos uma descida no sealedbean (selebin) à procura da paca, mas só tinha capivaras, pegamos uma e levamos para o caseiro da fazenda vizinha saborear.

Diferentemente de outras lembranças, o caçador trás vivo em sua mente passagens únicas, recordações memoráveis.


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