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Cães, é difícil ficar longe deles


                                                 Inesquecível Lupe amarrando ao vento

Meu pai nunca teve um cão de caça, ele sempre caçava junto com os amigos que tinham. Eu não concordava com isso, achava que a gente deveria ter seu próprio animal.

Quando jovem, sempre quis ter o meu cão, mas nossa casa não tinha quintal e eu não pude ter o meu. Logo que casei, uma das primeiras coisas que fiz foi arrumar um cão. Hoje passado muitos anos, continuo com meus cães. Alguns nos deram recordações nada prazerosas, outros nos encheram de prazer. O Lupe foi um dos que deram muita satisfação, além de ser ótimo no campo, era muito inteligente. Uma de suas façanhas era conseguir abrir o trinco do portão do canil, de uma forma que eu nunca vi. Se não colocássemos uma trava no lugar onde se coloca o cadeado, ele simplesmente levantava o trinco e empurrava para trás com a maior rapidez e saia todo radiante.

Certa vez, levamos o Lupe ao MS, depois de termos feitos nossas aventuras pelos campos, resolvemos fazer um passeio turístico pela cidade. Deixamo-lo preso na corrente na varanda da casa da fazenda, com a seguinte recomendação: assim que der um tempo após nossa saída, podem soltar o cão que não mais terá perigo de nos seguir. Quando chegamos era tarde da noite, a esposa do proprietário da fazenda nos disse que o Lupe ficava de ida e vinda por volta da casa sem sossego. Ela então resolveu colocar minhas polainas no chão para que o cão cheirasse. Só assim, disse ela, que o animal sossegou, deitou sobre a polaina e não mais se incomodou com nada. Aquilo ficou gravado na minha mente.

Após muito tempo, já não existia mais o Lupe, fomos para outra aventura. Desta vez me acompanhava uma cachorra. Chegando ao nosso destino, depois de muitas horas de viagem, embora exaustos, resolvemos naquela mesma tarde de chegada, dar um passeio pelo campo. Saímos com toda aquela euforia de primeiro dia, tanto nós como os cães. Anda pra cá e prá lá, o anoitecer aproximou e minha cachorra se perdeu na alta vegetação. Chama por toda a parte, avisa os colegas e nada da dita cuja. A noite chegou e nada dela. Rodeamos o local que presumidamente ela tinha desaparecido, e nada. Usamos um farol de milha à procura, circulando com o veículo, e nada de achá-la. Desistimos então da procura , restava apenas confiar que ela seguisse nosso rastro, e possivelmente até outro dia nos encontrasse.

Após a busca infrutífera, lembrei-me o acontecido com o Lupe , resolvi então voltar para o local que possivelmente ela tinha se perdido e lá deixei minhas polainas, esperando que ela encontrasse. Retornamos para a casa, jantamos, e não saia do pensamento a perda da fiel companheira. Quando era um pouco mais de dez horas da noite, resolvi voltar para o local onde tinha deixado minhas polainas. Chegando lá, a cena foi inesquecível, a cachorra deitadinha sobre minhas polainas. Eu, muito alegre fiz carinhos nela e retornamos todos contentes para casa.

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