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Caçada de perdiz no Uruguai em 2015


Caçada no Uruguai em 2015

Maio chegou, é temporada de caça! Lá vamos nós outra vez para o Uruguai, país, como João Grande, escritor gaúcho, trata: “Paraíso ao lado”. É ali onde o caçador encontra seu êxtase de emoção.

Vamos para praticar a “Caça, Pureza Sublime, como fala o grande escritor cinegético português Miguel Pereira. Naturalmente, creio mesmo que não há coisa mais sublime para o caçador do que a caça.

Após curto voo de S.Paulo a Montevidéu, o simpático João Paulo nos esperava no aeroporto de Montevidéu. A seguir nos levou para o Porto do Rio da Prata, onde almoçamos num típico centro gastronômico instalado num antigo mercado sob o teto sustentado por lindíssima construção metálica do século 19 executada pelos ingleses.


A carne, prato mais que típico uruguaio, de boi Redfort, saboreamos o tradicional “asado de tira” e o “baby beef”, indiscutivelmente saborosíssima e macia acompanhada da bela cerveja Patrícia , nos saciou plenamente e só deixou saudades.

Logo após passamos por uma “Armeria”.

Em conversa com o proprietário soubemos que as leis uruguaias, no que tange ao controle das armas, seguem o mesmo estilo do Brasil. Para se adquirir uma arma há que passar por curso de tiro, psicólogo, etc.

 Em seguida pegamos a estrada, já portando nossa licença de caça e da arma, previamente preparados para a nossa permanência de quatro dias de caçada. Após percorrermos aproximadamente 230 km do aeroporto à pousada chegamos ao “Solar do Caçador”


Encontrei na pousada, pela segunda vez, o Sr. Paulo, proprietário da curiosíssima arma cal.12 Superbritte, de origem belga. A arma possui a singularidade de abrir do lado. Olhando rapidamente dá-se a impressão de uma arma paralela que foi girada a 90graus transformando-a numa sobreposta. A arma se apresenta impecável e o proprietário orgulhoso de possuir uma raridade e, ter o prazer de caçar com ela.

Abaixo temos uma breve história da Superbritte.


Britte is a Belgium Corp who used to manufacture parts for gun makers, they sold parts to most Belgian gun makers for years (this Corp is more than 100 years old)They stop making parts in June 1936…when they got and order for the Belgian army for parts using 100% of their capacity.After WWII a few guns were finish with existing parts. In 1962 when Miss Dessart the Grand Daughter of the founder died they definitely stop assembling guns. They actually are specialised in precision tooling and mechanical parts.

They are originally a Gun factory and a gun parts factory. Their products range was Boxlock all gauges, Sidelock all gauges, traditional O/U belgian made based on the SAIVE O/U patent. In 1931 Theophile Britte developped his new patent and started the production of a new concept: The SIDE OPENING O/U shotgun the “SUPERBRITTE”. They produced between 1932 and 1936 a TOTAL of 250 SUPERBRITTE in 12 / 16 / 20 gauge including 5 Double rifles in 35 cal and 9,3X74R (I only saw 2 of them.)

To make a long story short, Britte Corp was managed since 1946 by Mr Louis Dessart (Theophile Britte Grand Son) in 1997 he sold his Corp to Vincent Pissart his son in law and sold to GRIFFIN & HOWE, the family collection of SIDELOCK and SUPERBRITTE shotguns adn also all the inventory of parts remaining in the basement since 1936.

In 1999 “Aug Francotte” had a project to revive the SUPERBRITTE but they went out of business before achieving it.

GRIFFIN & HOWE owns all the ORIGINAL Britte And Superbritte guns from Mr Louis Dessart chidren collection. They also owns a limited number of barreled actions SUPERBRITTE and SIDELOCK they are seeling now.

All the SUPERBRITTE shotguns, even with other brand names like “MASQUELIER LIEGE” and “JULES BURY” have been manufactured by BRITTE for these gun dealers in Liege who used to be partner with Theophile Britte in a Corporation called “BRITTE ARMES EN BLANC” which litterally means in English “BRITTE GUNS IN THE WHITE”

I can ensure you that no one else made a single original “SUPERBRITTE” bearing the trade mark “SUPERBRITTE” except using the original parts made before June 1936 when BRITTE stop producing gun parts.

Today GRIFFIN & HOWE IS THE OWNER “SUPERBRITTE” BRAND NAME but ALSO THE OWNER OF THE “JULES BURY” BRAND NAME. GRIFFIN & HOWE HAS THE WRITTEN PERMISSION from Britte SA the actual Britte corp, TO USE THE “BRITTE” Brand name for guns

Comentando sobre armas famosas, sempre há pauta para as inglesas. Lembrando de ingleses, um dos nossos colegas de caçada teve o privilégio em fazer uma caçada de faisões na Inglaterra. Contou ele, mostrando algumas fotos, como é a caçada de faisões: os caçadores tomam seus lugares num declive e ficam em linha reta. Os subordinados do “lord” vão à parte mais alta do terreno e espantam os faisões que previamente foram distribuídos na vegetação. Assim sendo passam voando sobre a linha de tiro dos caçadores.

Ouvindo o relato, me veio de imediato o início do filme “Entre dois amores” que mostra uma cena de caçada idêntica a contada. Aliás, esse é um belíssimo filme, que todo caçador tem obrigação de assistir.

 Mas, o mais interessante é que eles tratam a caça até hoje como uma arte própria da realeza, mantendo os costumes da mesma forma que antigamente e, exigindo a obrigatoriedade de todos os participantes, até os espantadores de aves, vestirem-se de gravata. Então mais uma vez me lembro do Miguel Pereira que diz que caça é Pureza Sublime.

A quarta feira amanhece, diferentemente dos anos anteriores com temperatura alta.  Ansiosos para a primeira aventura nos campos uruguaios, acordamos antes do amanhecer, vestimos as roupas de caça, tomamos rapidamente o suculento café e permanecemos à espera para a saída.

Escolhi previamente para caçar uma Franchi semi auto cal. 12, notei que o choque cambiável estava com três estrelas e resolvi mantê-lo. Os cartuchos fornecidos eram da marca “Trust Caza”, espanhol, com chumbo número 7, com 28 gramas. Gostei da receita, pois uma carga mais leve dá menor recuou na arma que é muito leve, proporcionando então maior comodidade ao caçador e boa velocidade para combater o voo rápido da perdiz(codorna)

Como a turma era grande, os caçadores foram separados em duplas. Caçar sozinho é bom, mas quando se tem um companheiro de caça, a caçada   fica mais animada. No primeiro dia fiquei sem parceiro e cacei sozinho. Apresentaram-me o local e as divisas que deveria respeitar e lá fui eu com a cadela Morucha. Interessante ressaltar que os cães do João Paulo são profissionais. A diferença deles e dos nossos é que caçam todos os dias e sabem ler e escrever sobre codornas. O cão profissional obedece qualquer um, porém temos que falar em espanhol! Ele entrega a caça em suas mãos, aceita com prazer seu carinho. Algumas vezes, como qualquer outro cão, adianta um pouco.

Nesse dia eu com a cadela Morucha, sem o mochileiro, ia apreciando suas amarradas, conversando e elogiando-a e, em apenas uma hora de caçada a cota já estava por uma codorna, então dei-me ao luxo de filmar a amarrada da Morucha. Perto de uma lavoura de sorgo, ela estanca e fica como estátua, fui chegando saquei o celular do bolso e passei a filmá-la. Naquela imobilidade pétrea ela parecia estudar para onde a codorna iria lançar voo. Alguns minutos se passaram e notei que não haveria mais tempo, guardei o celular no bolso e de imediato a codorna parte para o lado do sorgo. A emoção me pegou, mas o segundo disparo deteve seu voo e ela prostra na plantação de sorgo. Retirei novamente o celular e passei a filmar o “retrieve” da morucha. A cena foi simplesmente fantástica, não dá para ser esquecida.

Noutro dia, caçando com O José Conti e o mochileiro, não encontramos muitas perdizes(codornas) mas tivemos o prazer de ver pelo menos cinco perdigões voarem levantados pelo cão. Um deles, bem grande, encastelou ao se levantar e meu amigo José disse que ficou gravado em sua mente a coloração de suas penas. Os perdigões, chamados lá de “Martineta” estão proibidos de se caçar no Uruguai e parece que sua população está crescendo. Nesse mesmo dia voltamos à tarde no mesmo local, porém percorremos mais terreno. Logo de saída saiu uma lebre para o José. Interessante que quando estamos a caçar perdiz(codorna) ficamos focados no que voa e não no que corre pelo chão. Quando a lebre sai em  velocidade incrível com as patas traseiras quase ultrapassando as dianteiras, nesse momento parece que a mente fica bloqueada, até que ela mande ordem para outras partes do corpo responsáveis para mirar, a dita já está longe. Foi assim que o tiro do Zé só arrancou poeira.


O último dia de caçada foi muito promissor. O campo de capim nativo habitado por gado, carneiros e cavalos, encontramos diversas codornas e fizemos bons tiros. No final da tarde estávamos próximos a um local onde o terreno abrigava muitas pedras, uma lebre foi amarrada pelo cão lunet e o José atirou primeiro e o cão feliz com a presa ficou passeando com a lebre na boca.  Enquanto o José fotografava levanta outra lebre e contive sua rápida corrida.


O “Solar do Caçador” continua a servir bons pratos de caça como perdizes fritas, peitinhos de pomba, lebres ao vinho, sem falar na boa carne uruguaia.


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