Caçada de perdiz no Uruguai em 2016


Caçada no Uruguai 2016

Local: Província de Trinidad Uruguai

Realização: à cargo de J.P. Cacerias – do experiente João Paulo

Participação: oito incomparáveis amigos

Ainda era escuro, o céu estava estrelado, deixamos nossa cidade às 5 horas da manhã para tomarmos o voo Gol para Uruguai às 10:30 em Guarulhos -SP.

Quando chegamos à marginal Tietê, fomos informados pelo rádio que a única rodovia de acesso ao Aeroporto estava bloqueada por manifestantes contra o impeachment da Presidente Dilma, já que a votação seria no dia seguinte. Aquilo foi uma bomba, pois era quase certeza que perderíamos o voo. Porém, quando chegamos à Rodovia Airton Sena, veio a boa notícia que uma das faixas do acesso tinha sido liberada. Ao aproximarmos do km17 que dá acesso ao aeroporto deparamos com o trânsito parado. A preocupação voltou a nos afetar. Os dois viadutos antes da entrada do aeroporto estavam congestionados e o trânsito não fluía. A tensão


aumentava, resolvemos ligar para o Zé perguntando onde estava para certificar se chegaria em tempo, pois ele vinha por outra rodovia, mas teria que pegar o mesmo acesso.

 Por sorte conseguimos atravessar os dois viadutos e entrar na via que chega ao aeroporto e às 9:10 fizemos o check-in e fomos informados que às 9:40 o guichê fecharia.

 Nossos outros três amigos não passaram pelo sufoco, pois saíram um pouco mais cedo e não pegaram a paralização.

Infelizmente o Zé e o Pavan perderam o embarque e tiveram que tomar o próximo voo das 21:00.

Chegamos por volta das 13:00 em Montevideo, o João Paulo, proprietário da pousada de Caça em Trinidad na cidade de Flores, estava a nossa espera. Do aeroporto rumamos de Van para o complexo culinário do Porto onde saboreamos as famosas carnes uruguaias. Enquanto isso o João foi ao encalço das licenças de caça.



Infelizmente as licenças de caça não ficaram prontas por conta do atraso dos nossos colegas, então o primeiro dia de caçada seria só à tarde.

Após o almoço, por volta das 15:00 saímos todos numa Van para a primeira caçada da temporada. O dia estava ligeiramente frio em torno dos 12 graus, a umidade alta por conta da chuva anterior, tudo perfeito para um bom começo de caçada.



Outras codornas foram amarradas espetacularmente pela Luna. Uma lebre parte inesperadamente cruzando minha frente e o Álvaro dá alarme, mas eu não senti vontade de atirar e a lebre foi se embora. Caminhamos mais, levantamos outras codornas e mais uma lebre saiu em disparada e foi detida pela cal.12 Franchi com carga de 28 gramas de chumbo número 8.

Manhã de quinta-feira, segundo dia de caçada voltamos ao mesmo campo. O dia estava bonito, mas não muito claro, pois o sol estava escondido. A temperatura era 12 graus a umidade estava ao redor de 80 por cento, da mesma forma que o dia anterior, ótimo para se caçar.

Assim que o Álvaro solta o Niegro, cão pointer preto e branco, de imediato agarra uma galinha. Coisa de cão novo, logo é detido pelo mochileiro. O Niegro estava muito disposto, procurava muito e, às vezes distanciava um pouco. Algumas codornas voaram longe, mas favoreceu um espetáculo lindo, pois tive a oportunidade de derrubar algumas de ponta de asa (voo cruzado) que é um dos mais lindos tiros na caçada.


A tarde de quinta não tivemos tanta sorte, mas caçada e pescaria não é todo dia que acertamos. Não fizemos a cota da tarde com a cadela Athena, mas valeu a andada que foi grande. Caçar não é só abater peças, o que vale é estar em contato com a natureza, sentir os pés pisando na vegetação, atravessando barreiros, vendo os pássaros, o gado, inalando o ar puro do campo. Resumindo: o importante não é caçar, é estar caçando!

Manhã de sexta-feira, mais um dia generoso conosco. Saímos com a Morucha, cadela pointer pequena, salpicada de preto e branco com grandes manchas negras, cheia de energia, rápida, aponta bonito, de vento com nariz para o alto, porém muitas vezes temos que correr com seu aponte distante e a caça nem sempre espera. Fruto disso alguns tiros são perdidos, ou digo ganhos, pois imagine você se sairmos de manhã para à caça e abatermos com 5 tiros cinco codornas, cadê a emoção da caçada?

 À tarde saímos com a Morucha novamente, andamos bastante até atingir o ponto de caça, chegando ao local fomos contornando a vegetação que margeia a plantação. Andamos muito e levantamos poucas codornas, mas realizamos aquilo que pretendíamos e agradecemos em ter realizado uma grande caminhada. Por sinal, um dos colegas fez a somatória dos quilômetros andados nos quatro dias usando um aplicativo no seu Smartclock e computou 51 km. Creio que esse total não fugiu muito para cada um dos caçadores dando média diária de 12 km caminhados.

Todos os quatro dias de caçada voltávamos para o almoço na Pousada do JP. Sempre bem atendido por JP e sua esposa, Juanito e outros funcionários. A comida como sempre muito boa da maneira que gostamos, sem esquecer da memorável caçarolada de codornas.

Todas as noites na sala de refeição durante o aperitivo e após o jantar era o momento para a acalorada troca de experiências vividas durante o dia de caçada.  Cada qual contava sua emoção vivida com o cachorro e com os disparos, sem deixar de lado as chateações sem maldade com as falhas dos companheiros.

A verdadeira caçada não se restringe somente em caçar, o companheirismo é muito importante, nossa turma estava muito entrosada, muito brincalhona, fez com que os dias de caçada transformassem em dias de pleno bem estar para todos os participantes.

Manhã do último dia de caçada, dia fechado de serração e orvalho abundante, umidade no extremo. Percorremos de Van uns 40 km para alcançar a fazenda.

Mais uma vez desembarcamos numa dessas fazendas, a temperatura não estava tão baixa, mas a sensação de frio era grande por conta da alta umidade. O vento frio enrubescia nossa tez e as narinas vertiam água. Mais uma vez andamos muito até chegarmos ao campo onde há uma linda baixada, mas as perdizes eram poucas. Achamos algumas que se apressaram em levantar não dando oportunidade para se atirar, mas mesmo assim conseguimos apanhar algumas . A tarde no mesmo local, andando por uma região de pedras eis que uma lebre sai a toda, imediatamente alvejei-a, ela deu sinal que ia cair mas continuou a correr cambaleante, vacilei em não secundar, mas a Morucha seguiu-a desaparecendo. Ficamos ali prostrados sem saber o que fazer e ouvimos um grito que parecia ser de lebre sendo mordida.  Chamamos-a incansavelmente por Morucha e nada dela, perdemos meia hora na espera até que aparece a dita cuja limpando o focinho na grama. Acreditamos que ela pegou a lebre e se alimentou um pouco da bichinha.

A caçada continuou, cruzamos por uma plantação de aveia com uns 18 centímetros de altura onde habitavam as codornas, ali pudemos concluir nossa cota com cenas verdadeiramente lindas  fechando com chave de ouro nossa temporada de 2016.

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