Caçada de veado no moinho

De acordo com o “Dicionário dos Animais do Brasil” de Rodolpho Von Ihering, são 7 espécies de veados em nossa fauna, divididos em dois  grupos: com galhadas “Galheiro”e “Campeiro” e com armação simples “Veado-pardo”, “Vira” e “Bororó”

Veado Bororó ou Camocica ou Veado-caracú ou Foboca, apresenta chifres simples quanto muito 6 cm de comprimento e com porte de 45cm de altura.

Veado-branco ,  mesmo que Veado-campeiro.

Veado-campeiro ou Veado-branco, tem armação ramificada que atinge no máximo três pontas com porte de 80 cm de altura.

Veado-caracú ou Camocica é o menor dos nossos veados também chamado de Veado-bororó.

Veado-catingueiro – o mesmo que Veado-virá.

Veado-Galheiro ou Cervo, atinge 1,30metros de altura e a galhada pode chegar a 50cm de comprimento, chegando a contar 29 pontas. No livro “Caça Grossa Brasileira” o autor mostra a foto de um Galheiro abatido em 1958 com inacreditáveis 40 pontas.

Veado-pardo ou Mateiro ou Guatapará, tem armação singela alcançando no máximo 12cm e sua altura chega a 90 cm.

Veado-virá ou Catingueiro, tem armação simples de 9 a 12 cm e a estatura um pouco menor que o veado-pardo, vive nos campos, evita as matas.

Veado-Galheiro-do-norte (Odocoelus) é o mesmo veado encontrado nos EUA, denominado Whitetail deer. Habitam apenas a região norte do Rio Anazonas e daí se estende até os Andes.

Caçada de veado no moinho

Numa tarde calorosa de domingo em minha cidade, vejo meu amigo Nardo sentado na soleira da porta da sua casa na Rua do Comércio. Parei e sentei-me ao seu lado, diga se de passagem, a soleira da porta estava pegando fogo por conta do sol que havia banhado aquela parede.

Sabendo eu, que ele já está batendo na casa dos 80, indaguei sobre sua saúde. Disse-me que estava bom, depois de ter passado uns contratempos com trombose nos pés.

A conversa segue. Quando então digo que qualquer dia iria pedir para me contar um caso interessante de caçadas de veados nas redondezas. Seus olhos, de imediato, brilharam e até sua fala revigorou, e sem esperar esse dia já começou:

—Vou te contar um caso: Uma manhã de inverno saímos meus companheiros e eu. Como você deve ter conhecido, meus companheiros já todos falecidos eram, Minguito, que consertava espingardas; o Pelego , que trabalhava no DER e tinha os cães; o Zé Orsi, que era relojoeiro e o Miro ,pedreiro.  Fomos para o local chamado moinho, que você deve conhecer.

Os cães de caça foram soltos numa picada de mata para farejarem os cachorros do mato, o  Miro, andando para tomar seu posto, viu na trilha barrenta das vacas, pegadas do mateiro. Indignado com os cães que nem se interessavam pelas pegadas do veado, resolveu chamá-los e soltá-los no rastro  fresco do veado. Assim o fez. O carreador da vaca caminhava para um sapezal alto, e os cães atrás.

Em dado momento salta do sapezal um veadinho e sai a toda com a matilha atrás. O Minguito que estava postado a uns 50 metros do levante do veado, enquadrou o bichinho quando este passou a uns 10 metros e  soltou a carga da Sauer cal.12, emprestada do Amantino.  Nem de raspão passou, e o veado corre como doido aos saltos. A cachorrada atrás. Eu (Nardo) estava só observando o  andar da carruagem. Notei que a corrida fez uma curva e o veadinho despontava em minha direção. Enfiei o meu chapéu numa moita de juvu e abaixei-me. Só via que o bichinho vinha a todo vapor. Olha, se eu não levantasse ele iria pular por cima de mim. Assim que levanto ele pende do lado e deixa a paleta à mostra, foi quando meti a carga da Beretta cal.20 e o veadinho estrebuchou. Aquilo foi uma festa, pois os cachorros seguiram pela primeira vez um veado.

Não contente com um só, o Miro volta ao Sapezal, e não é de ver que salta outro veado. Eu já tinha saído daquele posto e estava perto da ponte do ribeirão. Não sabia o que se passava e onde estava a corrida, só ouvia o ladrar dos cães. Resolvi então ficar amoitado como fiz antes. E logo vejo aquele vulto que vinha como uma onda pulando. Quando se aproximou, no que ele deu um pulo eu acertei o tal. Esse dia ficou na memória, pois nunca esperava pegar um veado e abati logo dois.

Desse dia em diante a cachorrada pegou gosto e abatemos dezenas deles naquelas paragens. Tudo escondido dos proprietários, pois sempre pensavam que estávamos atrás dos cachorros do mato que eram causadores de prejuízos.

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