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Caçadas de aves na Argentina 2019

Após anos de caçadas de codornas no Uruguai nossa turma resolveu conhecer outros sítios. Assim por indicação dum amigo participante do grupo, fomos conhecer a caça na Argentina.

Defrontamos com diferenças: o Uruguai é um país pequeno com 176 mil km2 em contrapartida só a Província de Buenos Aires, na Argentina onde se localiza a cidade onde se encontra o lodge de caça, conta com uma extensão territorial de 307,5 mil km2!

As fazendas onde adentramos são latifúndios ,muitas vezes até de dois mil hectares. Muita terra mesmo para andar, onde impera a criação de gado, em campos imensos, habitados pela princesa codorna e pela rainha perdiz, além de muitas lebres.

Nosso animado grupo de oito, faziam-se presentes, Otavinho, Dr. Marcio, Tadeu, Waldemar, Jonas, Diego, Rodolfo e eu.

Em voo que partiu de Guarulhos em poltronas apertadas da Empresa Aérea Gol, chegamos ao aeroporto de Ezeiza em Buenos Aires, por volta das 8:30 do sábado, onde nos esperava o motorista de van que faria o trajeto de 450 km até o município de Benito Juarez, ao sul de Buenos Aires, precisamente à fazenda “La Pampa” de propriedade do Giovanni e seu filho Enrico Corsi, italianos natos que migraram para a Argentina. O Giovanni por ser grande entusiasta da caça apaixonou-se pela região, mas quem administra hoje o negócio é o Enrico, seu filho.

A viagem de quase 7 horas de Van não foi nada confortável, pois a van era um pouco pequena, mas chegamos bem. Fizemos somente uma parada mais demorada num posto de estrada para comer um lanche, onde alguns apreciaram a famosa empanada argentina.


O Lodge “La Pampa” nada mais é do que uma confortável casa de fazenda adaptada para receber turistas caçadores. O fogo das lareiras nunca deixou de arder nos dias que estivemos por lá, pois a temperatura permaneceu baixa, chegando até dois graus negativos.

Assim que chegamos ao Lodge, fomos atendidos pelo Enrico e pelos Mochileiros como também pela graciosa Lupa, uma pointer de coloração predominante branca, fininha, parecendo modelo de passarela, muito simpática, demonstrava querer nos abraçar para dar boas-vindas. Talvez até tenha descortinado com seu faro que nós éramos caçadores e que iríamos lhe proporcionar muita satisfação.

O “Welcome”do “lodge”, foi com o bom vinho tinto argentino servido com frios, queijos e azeitonas, para relaxar os ânimos que se achavam tensos por conta da longa viagem.

Sempre a primeira vez que chegamos num local desconhecido ficamos ansiosos para admirar e também perguntar tudo, pois, a curiosidade nos invade. Queremos saber dos cães, dos locais, das armas. Se a distância do deslocamento para os campos é grande, enfim tudo o que é relativo ao objetivo caça.

Na sala da casa, à esquerda, havia uma estante onde se encontravam 10 armas, todas marca Beretta semi auto mod 391 Urika cal.12, cada uma com um número etiquetado. O Enrico falou para cada caçador escolher uma do seu agrado. Assim cada qual pegava uma, levava ao ombro, fazia mirada, já sonhando com as codornas em voo, até chegar numa que lhe agradasse. Porém, isso é coisa complicada, pois estamos cansados de saber que quem acerta o tiro é a coronha, se ela não estiver adequada fatalmente será um festival de tiros perdidos.

Escolhemos também o quarto para dormir, eu dividi com o Rodolfo. Debaixo da cama se encontrava duas caixas de cartuchos contendo cada uma 500 cartuchos, uma com chumbo número 5 e outra com chumbo número 7, com 32 gramas, marca Orbea feito na Argentina, porém com comprimento 67mm e não de 70mm. O que gastássemos seria computado e depois debitado na conta de cada um.

A caçada de campo num lodge de caça difere um tanto das caçadas que você vai com a sua própria condução, leva seu próprio cachorro, etc. É digamos assim mais light, pois vai acompanhado de um mochileiro que carrega suas coisas e comanda o cão. Também você não caça com sua arma que está ambientado. Assim sendo a emoção e o romantismo não é o mesmo, mas é muito bom e vale a pena sim!

Domingo, primeiro dia de caçada, partimos em picapes traçadas pelas estradas de cascalho branco, elevadas do nível do solo. Aliás, muito semelhantes às que encontramos no Uruguai. Rodamos muito pouco para chegar ao local de caça. Como havia dito, são propriedades grandes de pastos com capim nativo onde não se vê quase agricultura, pois a terra muito argilosa e alagadiça não se presta muito ao cultivo e sim ao uso pastoril.

O Rodolfo e eu mais o mochileiro e sua linda “perra” Lupa saímos pelos campos ralos de vegetação, pegamos algumas codornas, erramos alguns tiros, por consequência da não adaptação com a arma, mas foi bom. Terminamos a jornada da manhã, fizemos fotos com os companheiros e retornamos para o almoço.

Nossa confraternização após cada caçada sempre era regada com uns goles de uísque e recheada de brincadeiras.

Ingressando à mesa do “lodge”, um belo tinto argentino, fermentado de uvas Malbec as quais tem a faculdade de madurarem melhor na Argentina, dando ao vinho um sabor frutado de gosto achocolatado. O vinho sempre era servido acompanhado com cardápio da cozinha italiana, com massas, vegetais recheados. carnes variadas e o famoso “asado de tira”grelhado argentino.

Após o almoço tirávamos um descanso merecido motivado pelo trabalho árduo da manhã. Por volta da 15:30 um café era servido para reanimar os ânimos para a jornada da tarde.

Novamente Rodolfo e eu saímos com a Lupa e seu proprietário, o mochileiro Franco. A Lupa, como ficou demonstrado em sua boas-vindas, é uma cachorra excepcional, trabalha muito bem não engana, percorre bem o campo e é muito produtiva.

Um fato inédito a destacar foi quando a Lupa amarrou uma codorna e, assim que levantou atirei. A codorna foi embora em linha reta, sumindo de vista sem nenhum sinal de ter sido atingida. A cachorra se meteu atrás e sumiu. O seu dono Franco chamava, assoviava e nada dela voltar, ele permaneceu chamando por uns 10 minutos. Por incrível que pareça após um tempo ela surgiu ao longe , bem na direção onde a codorna voou , vinha caminhando direto em nossa direção. Quando pudemos divisar melhor seu perfil, vimos que carregava algo na boca. Ficamos boquiabertos em ver que ela estava carregando a codorna. Assim que ela chegou fizemos uma festa por seu grande merecimento.

A caçada continua, agora mais animada ainda pela cena inusitada que tivemos, porém a emoção da tarde ainda estava por vir.

Passando por um local mais sujo, foi dado um alerta pelo Franco que poderia haver um perdigão “Colorada”, como eles chamam. Foi só ele falar que a Lupa amarrou maravilhosamente e pulou alçando voo ascendente uma linda “colorada”, como os aficionados dizem “encastelou”. Parecia que o perdigão em fuga estava até com a cabeça virada pra trás me olhando. Uma emoção inimaginável por qualquer vivente que não seja adepto à caça. O perdigão antes mesmo de mirar seu destino de voo foi alvejado pela carga mortífera do chumbo 7! A comemoração foi grande, pois nada como abater uma ave magnífica como o perdigão num campo liberado!

Noutro dia mais uma saída gostosa pela manhã de inverno ao sul da Argentina. Como de costume as saídas são sempre da mesma forma, só muda o destino. Cada um se acomoda nas picapes traçadas do Enrico, embarcam os cães, pegamos todos nossos pertences, sem esquecer a água pra tomar.

Os finais de caçada são sempre fervorosos, pois cada um quer contar suas façanhas, as perdizes que mataram, as que erraram as lebres que pegaram. Enfim, rola muita brincadeira, misturada com bebericadas direto na garrafa de uísque.

Na terça feira o Enrico programou uma caçada de patos numas lagoas próximas, as quais com antecedência havia visitado e visto as aves por lá.

Enrico nos preveniu que iria fazer frio e que nossa saída seria bem cedo.

Assim, por volta da 4 horas da manhã pulamos da cama, tomamos um cafezinho, aprontamos a tralha e embarcamos todos bem protegidos do frio.

Na frente do comboio ia o Enrico num jipe Nissan rebocando uma carreta com um barco de fibra, tipo canadense, com a proa pra fora da carreta. Atrás ia uma Toyota cabine dupla mais antiga e por último íamos nós numa Toyota cabine dupla mais nova. A temperatura estava bem baixa em torno de zero, a neblina estava fechada. Após caminharmos por uns 40 minutos em estrada cascalhada os dois veículos da frente pararam. Descemos e fomos inteirar que houve um acidente. O Enrico, por conta da neblina passou a entrada à esquerda e freou o veículo, o que vinha atrás quase colado, brecou, mas derrapou e colidiu com a carreta. Acabou com a proa do barco e o varal da carreta entrou na traseira do Nissan perfurando o tanque de diesel. Não havia o que fazer, a caçada ficaria sem o barco, que serviria para caçadores se meterem no meio da lagoa.

Continuamos o trajeto em duas picapes e o jipe voltou à base. Chegando à lagoa o Enrico foi deixando cada dupla ou terno em local já pré estabelecido. Ele atirava à água uns patos de plástico (negaças) e ligava um aparelho de som que imitava chilreados de patos e aves.

O local da espera ,”apostadero,” era cercado por uma esteira de junco e nós ficávamos escondidos em seu interior, sentindo um pouco de frio, mas muito espertos no que estaria por vir.

É inesquecível a visão do sol surgindo enrubescendo o horizonte dando um contraste lindíssimo com o céu azul. As negaças espalhadas pela água e o carnavalesco som da “pataiada” trabalhavam em nosso favor.

A ansiedade da espera é sempre a mesma, o pensamento fica voltado somente para os patos que virão. Não demora muito vem lá um bando de patos. Eles vem exatamente como um avião, cegos pra aterrissarem na água, nossa ansiedade é muito grande, a gente se mexe eles percebem, abortam o pouso, mas o tiroteio acontece, cai uns e outros desaparecem. É só cartucho que voa por todos os lados!

Voltamos a posição inicial, quietinhos, lastimando as mãos frias, o ventinho cortante, mas ninguém quer trocar aquele momento pela casa quentinha!

Nova remessa de patos sobrevoam a lagoa, alguns sentam mais à frente e ficam por ali, outros passam um pouco distante para o tiro, se bem que algum caçador arrisca mesmo assim, o azar sempre é do pato.

Por volta das 9:30 horas a caça dos patos encerra, pois a passagem se torna rara e mais espaçosa no tempo.

Nosso amigo Waldemar, fez belas filmagens de patos sendo alvejados com a filmadora shotkam colocada sob o cano da arma.

Enrico costuma receber caçadores da Ilha de Malta, localizada próximo da bota da Itália. Diz Enrico que são os caçadores mais persistentes que já conheceu. Eles saem de madrugada do “lodge” levam lanches e permanecem o dia todo no “apostadero”, só retornam à noite. Enrico diz que isso se deve, pois na Ilha de Malta não existe mais caça, então ficam endoidecidos com os patos!

Fizemos mais caçadas de patos e perdizes, na sexta, último dia de caçada ventou muito pela manhã, mas assim mesmo a caçada foi razoável. Entretanto ninguém apostou na tarde, só o Waldemar e eu . O vento ainda persistia, mas com menos força A caçada foi ótima, encontramos muitas perdizes e encerramos com chave de ouro a temporada de 2019 na Argentina.

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