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Caçadas do Tonicão


CAÇADAS DO TONICÃO

Tonicão é um personagem caçador que se aventurou em caçadas por muitos lugares em nosso país.  Recente ouvi algumas de suas histórias, uma delas passo a descrever como foi contada.

Tonicão desta vez esteve na fazenda Mata Grande para uma caçada de macuco. Conta, que chegando a fazenda perguntou ao proprietário onde habitavam os macucos, este respondeu que em volta da represa, a qual é cercada de mata, sempre ouvia o piado uníssono do macuco.

 Porém, o fazendeiro falou que essa represa é habitada por sucuris de bom tamanho e que uma delas ficou famosa na época em que morava um meeiro na beira da represa. Este morador  uma ocasião teve que sair por alguns dias e deixou um encarregado para cuidar de suas galinhas que previamente foram cercadas para que não fugissem. O tratador ia diariamente para alimentar as galinhas, um dia encontrou uma enorme sucuri dentro do cercado com um grande inchaço na barriga provocada pela deglutição de todas as galinhas. Pelo buraco que ela entrou, não conseguia mais sair, pois sua barriga tinha mudado de proporção. O tratador vendo aquilo começou a dar pancadas com um pau na serpente. Não sendo suficiente correu para a sede da fazenda para pegar uma arma, mas quando voltou, não sabe como, a sucuri escapou e voltou para a lagoa. Tonicão, mateiro como ele só ouviu aquilo, mas não deu muita importância, pois não ia se meter na lagoa em caçada de macuco.

Partiu ele então para o mato, adentrou e sentou num pau caído onde ao chão misturavam-se folhas secas salpicadas de amarelo de lindas flores dos ipês. Diversas vezes repetiu em longos intervalos o som do piado do macuco, mas a mata estava emudecida. Depois de tempo ouviu um ronco ao longe parecendo ronco de porco e foi aumentando, imediatamente Tonicão trocou os cartuchos da sua cal.20 de chumbo fino pelos de 3T na espectativa que fosse algum cateto. Entretanto, percebeu que estava caindo pequenos galhos em sua volta, olhou para cima e macacos aranha estavam roncando igual porcos e admirando-o e jogando pequenos galhos de cima da árvore.

Cansado de chamar o macuco sem ouvir resposta, resolveu dar uma volta pela represa para conhecer como era. Desceu pela estradinha que singra o mato, bem devagarzinho no intuito de não espantar algum animal que por lá pudesse estar. Qual foi sua surpresa que viu no meio da lagoa um patão de asa branca pousado num galho. Tonicão  nunca tinha abatido um patão daqueles e a vontade tomou dianteira, avaliou a distância enquanto permanecia imóvel para não espantar o patão. Pensou em trocar o cartucho para um tiro com 3T, mas voltou atrás e resolveu mesmo alvejar o dito cujo com chumbo fino mesmo, usando o cano full chocke de sua cal.20. Apontou a arma mirou na cabeça, avaliando que o tiro cairia um pouco pela distancia, firmou na mira e disparou. O patão caiu, bateu um pouco as asas e logo ficou estático boiando na água. E agora, pensou ele, como fazer para apanhar a caça? Logo aflorou o pensamento da história da sucuri, refletiu um pouco e lembrou  que até hoje não foi constatado que uma sucuri tenha apanhado um homem, mesmo assim o temor pairava porque dentro da água deparar com uma bruta daquela amedronta.

 Disse ele que procurou um local na margem que mais ficasse próximo do local e retirando toda a roupa entrou na água límpida e fria da represa. Até uma altura foi andando, depois nadou um pouco e retirou a caça. Felizmente não viu nem sombra de sucuri.

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