Caçamba de porcos


Final de setembro, após uma profunda estiagem que vem complicando a vida dos paulistas amanheceu nublado prometendo chuva leve para amenizar a seca. Foi o que aconteceu em nossa saída no sábado pela manhã.

 Rumamos em direção à Rodovia Castello Branco, sentido ao poente debaixo de chuva fina e persistente. A vegetação parecia até sorrir de alegria ao ser banhada pela indispensável chuva. Plantações de cana e pastagens quase secas rapadas pelo gado pareciam ganhar verde imediato.

A chuva não nos abandonou, após quase três horas de viagem fizemos a primeira parada no posto Café. Atualmente notamos que os postos apelam para chamar atenção dos clientes oferecendo sempre algo contemplativo. A lanchonete do posto Café é uma réplica de estação ferroviária do tempo da Maria Fumaça. Um Ford 47 V8 encontrava-se estacionado na estação para relembrar os velhos tempos. No interior da lanchonete muitas fotos de locomotivas e pontes ferroviárias de aço, perfeitas obras de arte.

A viagem prossegue e, após mais duas horas outra parada em mais um posto de apelo contemplativo. Neste um avião bimotor estacionado no pátio e muitas esculturas de grandes dimensões de animais africanos e peixes enormes decoram a frente do recinto. Em seu interior destaca um enorme leão esculpido em madeira que nos deixou imaginando qual tipo de árvore   emprestou seu tronco.

Mais um cafezinho e a viagem prossegue com a abençoada chuva até atingirmos a ponte do   Rio Paraná com extensão de 2.550 metros de comprimento. Essa ponte foi construída quando o rio não era represado, atualmente para cruzar suas águas há que se passar pela ponte antiga e por grande parte elevada que foi construída para transpor o enorme espelho de água.

Após a ponte nosso corpo já demostrava um pouco de cansaço e preparamos a mente para enfrentar a parte mais difícil da viagem que são quase 300 km numa estrada cansativa, povoada de carretas e com poucas opções de bons postos de combustíveis para pit stop. Vencido estes quilômetros infindáveis chegamos ao nosso costumeiro ponto de parada: Posto Jumbo, no entroncamento.

A lanchonete do Jumbo deixou marcado em minha mente o cartaz que eles mantinham na parede com os atores Stenio Garcia e Antônio Fagundes e um caminhão Scania da série de TV Carga Pesada rodada pela Rede Globo entre 1979 e 81. Anos a fio passava por lá e sempre notava o mesmo cartaz de Carga Pesada.

Tomamos café, compramos o enorme pão caseiro que comercializam e, na saída deparei com uma Harley Davidson e seu já maduro piloto. Puxei conversa com ele e perguntei se havia lido o livro “Estrada da Cura” em Inglês “Ghost Rider”, em que o autor e baterista da banda Rush, Neil Pearl, relata sua viagem de motocicleta pelo Alasca Canadá e México. A viagem do Neil Pearl foi como uma terapia para curar a depressão pela perda de sua esposa e filha quase ao mesmo tempo.

A chuva deu trégua e mais um trecho de 140 km para o sudeste teria que ser vencido para chegarmos ao local pretendido.

Chegando à fazenda, após o banho tomamos um lanche e fomos para nossos aposentos onde grandes quadros de fotos de família, em preto e branco, repousavam pendurados nas paredes. A canseira da viagem nos proporcionou um ótimo sono e só acordamos com a sinfonia dos galos que cantavam por todos os lados. Após o típico café da fazenda fui informado que se eu caminhasse pelas beiradas do mato poderia defrontar com algum porco, já que a terra estava bem molhada e eles poderiam estar chafurdando por lá. Foi o que fiz, mas nada de ver animal algum. A hora do almoço chegou com muitas visitas na fazenda e o almoço foi festivo com bisteca de porco, linguiça de boi assada, frango, maionese, salada e a indispensável mandioca amarela cozida. Ainda bem que tinha bastante gente para comer tudo aquilo e também para lavar toda a louça.

A tarde foi passando animada de muita prosa e logo que o sol começou enveredar para sua pousada, resolvi testar a munição cal.12 carregada com balote. Coloquei a uns 40 metros uma latinha de cerveja num grande pé de cedro e mandei chumbo. Fiquei um tanto desenxabido, pois o tiro não aproximou muito. Mas, ao mesmo tempo refleti que nós iríamos atirar aos porcos a curta distância, pois a caçada é por perseguição sobre a  picape.

Logo chegam os companheiros, carregamos as tralhas e saímos para uma fazenda próxima onde prometia ótimas chances de caçada.

Na caçamba da picape dois armados e um para iluminar com um farol possante de luz comum, pois o Led não dá boa definição. Na cabina um armado e outro só para dirigir.

A picape seguia pelas estradas das plantações ora de milho colhidas, assim víamos lobinhos, veados e outros bichos. Percorremos vários quilômetros com tempo bom e temperatura amena até que nossa temperatura começou a subir de emoção quando deparamos com uma mancha preta na roça. Era um pequena vara de porcos. O motorista dirigiu a picape para cima dos tais e a correria começou. Ficar sobre a caçamba segurando no Santo Antônio era complicado, pois balançava e dava muito soco, imagine então atirar dessa forma. Os cinco porcos passaram a correr em linha, então o tiroteio se instalou, foram muitos tiros de 12 era só porco que caia. Dos cinco um fugiu ferido e quatro ficaram no local.

Após a castração dos machos a caçada prosseguiu. Na verdade a caçada já era suficiente, mas não custava tentar outro. Depois de andar muito, mais uma vara de porcos na roça de milho. Da mesma forma o motorista desandou a correr sobre a vara. Por sorte nossa a vara dispersou e cada um correu para um lado. O motorista experiente foi atrás de uma grande porca, pois se não marcar um para seguir perde todos. Assim, a porca recebeu um baletão nas costelas que varou doutro lado e continuou a correr, na sequencia mais um balote na cabeça e focinhou no chão. Sorte nossa que, como falei a vara dispersou, pois o serviço no dia seguinte para cuidar da carne não foi nada fácil.

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