Canivetes


   Ao ver a postagem http://awildbeastatheart.blogspot.com.br/2012/12/the-best-tool-ever-created.html  do Rodrigo Meirelles sobre canivetes, resolvi também publicar algo sobre minha relação de vida com os canivetes.

 O interesse por objetos cortantes remonta desde o primitivismo dos homens na terra pela necessidade de cortar a carne da caça e outros fins. Essa herança arraigada de ter e portar um objeto cortante permanece até hoje latente, muitos homens ainda não deixaram de portar mesmo que seja um pequeno canivete.    Não sabemos a origem do canivete, mas pelo que tudo indica ele foi concebido como uma faca de portabilidade fácil, tanto que em inglês ele é chamado de pocket knife , ao pé da letra: faca de bolso.    No início o canivete era uma ferramenta tosca, basicamente uma lâmina com um furo onde girava e escondia seu corte no cabo. Posteriormente foi desenvolvida a mola que mantinha a lâmina nas posições fechado e aberto. Mas essa mola nem sempre era segura, pois quando em uso a lâmina poderia fechar e causar ferimento no operador, assim sendo inventaram a trava para a lâmina. Esta sim foi de suma importância para a segurança no uso dessas facas dobráveis e portáteis.    Os canivetes compartilharam comigo pela vida afora, desde criança tinha fascínio por canivetes, nunca me esqueço dos dois canivetes de cabo de chifre que meu pai fez e guardava no criado de seu quarto. Sempre ia ter contato com as preciosas ferramentas. Um era de lâmina estreita e comprida e outro era de lâmina mais curta. Imagino eu que o de lâmina comprida e estreita era para ser usado nos pomares de laranja para descascá-las. Outro canivete que me deixa saudades era um pequeno, cerca de seis centímetros de cabo em madrepérola. Ele era importado, se não me engano tinha gravado em suas lâminas swiss made. Uma lâmina era bem fina e ponte aguda e outra mais larga e mais comprida. Ele permanecia junto com pinças e tesouras. Era quase que uma ferramenta usada para micro cirurgias. Sempre era usado para retirar espinhos que quebravam dentro da epiderme em nossas lides pelo mato, ou então os bichos de pés que entravam nas plantas dos dedos. Um detalhe: antes de usar era limpa com álcool e também aquecida sua lâmina no fogo para desinfeto. A lâmina mais larga era usada para retirada de calos. Infelizmente não pude ficar com esses canivetes, eles sumiram assim que meu pai adoeceu.     Outro canivete que nunca nos separamos foi o Corneta com trava, era usado na caça e pesca, possuía só uma lâmina, sua robustez era tamanha que abríamos latas de sardinha limpávamos peixes e caças.    Nunca me esqueço quando estava no colegial, tinha um colega que me perseguia, não sei por que, só sei que o cara era muito grande e forte.  Tanta que era a perseguição que uma ocasião dei-lhe um soco na cara e saí na corrida, pois se me pegasse me trucidava. Um dia procurei o pai do monstrengo e adverti-o que se ele não deixasse de me perseguir iria portar o Corneta e poderia feri-lo. Só assim amainou a perseguição e não precisei portar o dito cujo.   O canivete para mim é um utensílio e uma ferramenta de uso nos esportes, não sou colecionador de canivetes, os que possui sempre foram usados intensamente. Um dos canivetes de minha preferência que usei muito e continuo a usar nas aventuras é um Aitor com empunhadura plástica com trava e uma só lâmina. Canivete que obtive em loja do Paraguai e nunca mais encontrei outro igual.   Quem gosta de canivetes, pode até não comprar, mas visitando qualquer que seja a loja, a primeira coisa é ir para a vitrine de canivetes.   Os canivetes suíços entraram tardiamente na minha vida, pois eram muito caros. Hoje em dias quase que ficaram banalizados, quem não tem um canivete suíço, por simples que seja.   Juca Chaves, décadas atrás enfatizou o canivete suíço em uma de suas magistrais piadas http://www.youtube.com/watch?v=KytkdvkR0vA   Em 2008 em viagem pela Europa, estive de passagem pela Suíça. A Suíça para mim descerra duas tentações: relógio e canivete. O primeiro foi fácil, comprei logo, não foi um Rolex, mas um bom relógio. O segundo deu história: Andando pelas ruas deparei com uma loja só da Vitorinox, aquilo prá mim foi como achar um tesouro. Fiquei extasiado ao ver todo o esplendor da loja com seus últimos lançamentos das lâminas mais reluzentes do mundo. Mas, as coisas nem sempre são como a gente quer. Sempre me lembro do sermão de um padre no casamento de uma sobrinha—Para  a noiva primeiro—Lembre-se que de agora em diante você não irá vencer todas. Para o noivo—Não fique contente não, pois da mesma forma de agora em diante também você não irá vencer todas.    E minha esposa não concordou que eu comparasse nenhum canivete, pois estava com medo de problemas no aeroporto. Contentei-me então a comprar somente umas canetas esferográficas da Vitorinox. Que pena!   A foto acima mostra um canivete, segundo dizem da época de 50. Só sei que eu ando com esse canivete junto com minhas chaves. Para mim ele é de muita utilidade quando vou abrir alguma embalagem, cortar um barbante, etc. Ganhei este canivete quando era menino, sua lâmina era de aço carbono, de tanto uso tive que fazer outra  de aço inox.   Interessante salientar que eu mesmo vi há muito tempo atrás, quando estive no Santuário, diversos modelos de canivetes de Nossa Senhora Aparecida em diversos tamanhos. Infelizmente sumiram do mercado, já mandei procurarem em Aparecida, eu mesmo estive lá a procura e nada de achar. Acredito que  pararam de ser fabricados há décadas. Pelo Mercado Livre achei um à venda , ele é  multi funções: lâmina, abridor de latas e garrafas, sacador de rolhas, etc. tudo em aço carbono, somente a empunhadura em metal forjado.   Falando em Aparecida do Norte, antigamente era comum pelegrinos comprarem armas e munições nas lojas da cidade, era até uma tradição, cumpriam promessas e voltavam com espingardas, revolveres, etc.   Hoje Aparecida é visitada por mais de um milhão de fiéis ao mês, nenhum templo no mundo tem maior frequência de visitas que a nossa Basílica.

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