Carabina de Jardim


Espingarda de jardim

 Era um dia comum de trabalho como todos os outros cheio de atividade por conta das tarefas a realizar durante a jornada diária.

 Num dado momento chega um conhecido com uma espingarda na mão. Era uma espingarda antiga de um só cano que parecia ser calibre 36. Disse-me que estava com a mola do cão quebrada. Passei os olhos sobre a arma e verifiquei que se tratava de algo raro.

Disse a ele procurar alguém que olhasse para ele o que tinha acontecido, mas ele insistiu em deixá-la comigo para quando eu tivesse tempo olhar o que tinha ocorrido com a arminha, que parecia até de brinquedo.

Dias, ou até mês se passaram, uma tarde aparece o homem, eu nem tive tempo de verificar o que tinha acontecido com a tal. Peguei a dita cuja e aí que fui descobrir que não se tratava de uma espingarda cal.36.

Disse ao crédulo proprietário, que pensava ser uma 36, que na realidade era uma arma obsoleta de calibre 9 mm Flobert de percussão central, e que não mais iria achar cartuchos para ela. Portanto, não iria servir para nada, a não ser deixá-la de enfeite pendurada numa parede.

 No livro do Coronel Óscar Cardoso “A espingarda de caça em Portugal” é que consegui algo a respeito dessa arma, assim está no livro:

O 9mm de hoje é uma calibre de percussão central. Neste pequeno calibre ainda se fabricam armas passarinheiras em Espanha, na Bélgica e em Portugal.

O calibre 9mm vai buscar sua designação a um arredondamento do diâmetro do cartucho, que é de 9,5mm sendo o seu comprimento de 45mm. O diâmetro da boca do cano varia de 8,1mm e 8,5mm.

Apesar da inutilidade deste pequeno calibre as armas de 9mm tem seus admiradores em espingardas feitas na França e na Bélgica, sob a designação de “carabinas de jardim” que são atualmente peças de coleção. Muitas eram construídas no chamado “sistema Warnant” de culatra ascendente e travamento com o próprio cão.

Nos princípios do século 20 fizeram-se mesmo carabinas mistas de salão e jardim de canos sobrepostos, sendo o de cima calibre 9mm Flobert e o de baixo 6mm, também Flobert, ambos de percussão circular ou periférica. Os canos eram lisos e ambos calibres podiam ser de bala ou carregados com chumbo miúdo.

0 6mm carregado com escumilha seria talvez efetivo até cinco metros. O mesmo calibre, com bala, era o que, em tempos, disparávamos no “tirinho” do Parque Mayer, utilizando geralmente carabinas de tipo Martini e da marca Francotte.

Também tive alguma experiência com Floberts de 9mm. “Flobert” é uma designação que se generalizou para as pequenas espingardas passarinheiras de qualquer sistema de funcionamento. A designação é tecnicamente incorreta porque grande parte das espingardas de pequeno calibre não são do sistema criado por Louis Flobert, espingardeiro e mestre atirador de Paris; tão pouco o calibre 9mm em voga é de concepção Flobert.

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