controle dos javalis


   O norte do Estado do Paraná, bem como outras regiões do Brasil  vem sendo invadidas  por javalis. Plantações são destruídas pela sua voracidade, chiqueiros de porcos de pequenos agricultores são atacados pelos cachaços de javalis, pequenos animais são afugentados ou mesmo mortos pela tamanha ferocidade do bicho.

  Um morador da região nos informou que colocou uma cachorrada atrás de um javali de aproximadamente 300 quilos que vinha molestando a vizinhança, ele nem bola deu para a matilha, correu uma distância aproximada de 60 km e os cães o  abandonaram.

  Outro morador nos reportou que no plantio do milho o ataque dos javalis causa grande prejuízo, eles arrancam a semente de muitas leiras. A única forma de espantar é colocar cachorros à noite ou sair de carro com farol espantando os animais, até que o milho cresça um pouco.

  No Texas, USA, o governo está pagando US$2.00 por  javaporco abatido e a famosa loja Cabela´s dará um prêmio de US$1.000,00 para quem abater mais espécies no período de um ano.

  Lá existem mais ou menos 2,5milhões desses animais. Eles acham que é preciso abater pelo menos 66% da população para controlar a espécie.

  É permitido caçar até de helicópteros e outras formas durante todo o ano.

http://www.bloomberg.com/news/2012-11-28/texas-feral-hog-wrecks-mark-losing-battle-with-animals.html

  O governo do Paraná concedeu permissão  para o abate em algumas fazendas.

   Existem diversas maneiras de abater o bicho: à noite com faróis e armas como o calibre 12 com chumbo grosso ou mesmo baletão ou rifles de calibres como o .308. Também podem ser feitos jiraus( palavra de origem tupi: yu´ra, que significa uma casinha elevada sobre paus) e colocar próximo uma ceva onde os bichos vão se alimentar e assim proceder a extinção de alguns.

  Fomos conferir como funciona.

    Nosso amigo fazendeiro do norte do estado nos deixou no jirau por volta das 6 da tarde , explicou todo o funcionamento da coisa e nos emprestou o instrumento de extinção: um rifle.308 com luneta.

   Instalamo-nos no jirau, aliás bem construído, elevado uns 4 metros do chão e totalmente fechado, com duas camas no seu interior. Deixamos uma fresta na janela e ficamos a observar o movimento de tudo ao redor. Em frente a uma distância de 30 -40 metros jazia a ceva de milho que estava rodeada por plantação de feijão, onde as vagens já quedavam bem desenvolvidas.  A visibilidade era muito boa, pouco mais para baixo uma pequena restinga de mato e do meu lado esquerdo uma mina de água onde os javalis deixaram seus rastros após  chafurdarem na noite anterior.

   O temperatura estava alta o calor era sufocante, nada de vento e o tempo estava mudando para chuva. Os primeiros a visitarem a ceva foram um jacu e logo depois um marreco. O céu passou de azul para cor de chumbo, as nuvens pesadas passeavam pelo céu a convite do vento. Raios cintilavam no horizonte . Uma nuvem tão pesada que parecia ter perdido as amarras, caminhava justamente na minha direção. Os raios continuavam no horizonte em todo meu ângulo de visão. Não demorou muito, os trovões anunciaram que viria chuva forte. O vento logo deu seu recado fazendo balançar o jirau sobre os quatro palanques, a água daquela nuvem pesada não teve como suportar e derrubou por cima do jirau, acompanhada de raios. Juro que nunca vi tantos raios na minha vida, pelas frestas das tábuas do jirau entrava os fleshs de luz ,tamanha era a frequência que parecia terem instalado uma árvore de natal com mil luzinhas a piscar do lado de fora.

   Estava eu quase perdendo o controle de tanto medo dos raios; eles matam pessoas e gado, como também atingem árvores e almejam lugares altos, e eu estava no alto. O pensamento vagueava com muitos presságios desastrosos, como: e se amanhã o amigo vier me buscar e me achar morto! Pensei até a descer e me abrigar num nível inferior longe do jirau, mas iria ficar totalmente molhado barreado etc. A única solução mesmo foi rezar para não acontecer o pior. Uma hora passei refregando contra os desaustinados pensamentos. Até que enfim a chuva cessou , já era nove horas, como a lua cheia surgiu, passei a perscrutar atentamente se via algum vulto escuro. Quando o relógio marcou dez horas, dei com dois olhos resplandecentes a luz da lua, imediatamente tomei a arma e pensamento fluiu é hoje que terei meu primeiro javali. Que nada, dei a procurar o dito, quem diz de achar na cruz da luneta, o danado já tinha fugido. Pior que não fiz o mínimo barulho.   Descansei um pouco e por volta das duas, mais uma olhada e nada, mais tempo dei e por volta da quatro horas, mais uma varrida e nada de bichos. O sono me pegou e acordei com a claridade, já era seis da manhã. Olhei pela janela e uma faixa preta mais ao fundo destacava da vegetação, eram eles, os tais. Logo todos correram, pensei: será que perceberam algo? Ficaram bem na beira da restinga de mato. Passei a  procurá-los com a luneta. Nada de achar, regula daqui, regula dali e nada de achar os tais na mira. Meu pensamento era que com certeza iriam embora, pois já era dia. Quando menos espero  uma corridinha levou a vara quase perto da ceva e por ali ficaram, já eram seis e meia da manhã, preocupado estava, pois o meu amigo estava prestes a chegar. Apontei novamente a luneta . Como o dia deitou mais luz  e os bichos chegaram mais próximo pude enquadrar a vara. Na ânsia de atirar, pensando que os bichos poderiam correr novamente ou então o amigo chegar e espantar, cheguei fogo no meio da bicharada, focando  atingir um ou mais. Ledo engano, saíram todos correndo e eu fiquei a ver navios!

Obs. Nem tudo que escrevo reporta realismo,existe ficção também

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