De volta à Namíbia- segunda parte


De volta à Namíbia- segunda parte

     Namibia, “lugar onde não existe nada” Quem observa pela janela do avião a vastidão inabitada da Namíbia logo entende esse curioso significado do nome do país na língua dos nama, uma das 13 etnias locais. Parece que lá embaixo tem apenas deserto. O nada sem fim só é interrompido quando o avião se aproxima da pequena capital Windhoek, destino do voo do South African, vindo de Johanesburgo- rota mais direta para quem viaja do Brasil.

    Naquele centro urbano quase sem prédios vivem 340 mil dos poucos mais de 2,3milhões de habitantes dessa nação que se renova: completou 25 anos de independência em 2015 que desde março daquele ano é liderado por seu terceiro presidente, Hage Geingob.

    Basta caminhar pelas ruas da capital onde poderá observar a arquitetura Alemã e notar o quanto a cidade é bem cuidada e limpa. Por esse motivo, o Ex presidente Lula, em sua visita a Namíbia, quando então presidente, soltou um grande disparate em afirmar que a Namíbia nem parecia ser África de tão limpa que era!

    O português Diogo Cão, chegou à região em 1.484, ele desprezou aquela sucessão de desertos pouco atraentes. Assim o lugar preservou-se de invasores por 400 anos. Até que a Alemanha chegou para colonizar a então África do Sudoeste em 1884, ficando até 1915, quando se deu a primeira guerra mundial.

    A namíbia inclui em sua constituição a preservação da cultura e dos recursos naturais, descobriu o turismo como grande fonte de renda, que oferece além dos safaris fotográficos de animais, lugares fantásticos para visitar.

    Não é à toa que na capital deparamos com centenas de picapes preparadas para acampar, as quais são alugadas aos turistas que vão a Sossusvlei, Ethosha Park e outros cenários magníficos.

    Nós fazemos parte desse pelotão de turistas, porém nosso turismo é o da caça, que é’ a atividade que gera a segunda maior fonte de renda do país.

    Há 70 anos atrás não existiam tantos animais distribuídos por toda a Namíbia como atualmente. Eles foram dizimados indiscriminadamente pela população e por caçadores ilegais. Os descendentes de alemães, visualizando o potencial na exploração da caça amadora, iniciou a reintrodução de animais selvagens em suas fazendas com o objetivo da caça. Atualmente a maioria dos fazendeiros geram renda com a exploração da caça e com a criação de carneiros e bois, que podem ser praticados concomitantemente sem prejuízos para ambas as partes. Além da caça gerar renda para os fazendeiros, de certa forma barateia o consumo de proteína animal para seus habitantes, Os troféus e as peles dos animais abatidos por caçadores são propriedade do caçador, já a carne do animal é propriedade do fazendeiro que vende-a para alimentação em natura ou para fabricação do famoso “biltong”

      Namíbia é também sinônimo dos bushmen . Um bushman que se tornou famoso foi o NIxau, que protagonizou o filme “Os Deuses devem estar loucos”. Os bushmen são considerados    o povo mais antigo habitante da África, chegaram antes dos negros,eles são muito reverenciados no país por sua extrema capacidade de perseguir a caça e na habilidade de abater animais com um simples arco e flecha minúsculo. As flechas com suas pontas de aço minúsculas, que não tem mais que um centímetro, são envenenadas por uma larva de besouro altamente venenosa. O animal flechado com essa pequena seta envenenada logo se entrega ao poderio do bushman. Para quem gosta de África, especificamente Namíbia, encontram no interessantíssimo livro do Peter Capstick “Sands of Silence” muita matéria sobre esse magnifico país.

A caçada continua,

já era terça feira, o sol ainda não tinha rompido, a manhã foi anunciada pelos cânticos de grande quantidade de galinhas e garnisés, que os Freddies mantém no quintal da sede da fazenda. Elas fizeram nos despertar gostosamente, lembrando o tempo de criança, quando eu dormia na casa da minha avó. 

      Após o café reforçado, com linguiça, ovos fritos na hora e, outras coisas mais, nos preparamos para nova saída. Pela manhã ainda sentíamos a friagem do deserto, os lábios se não cuidássemos com protetores labiais, teriam ressecados como a grama lá existente.

      Sob o comando do Freddie filho, homenzarrão de seus 45 anos descendente de belga, saímos ao encalço do springbok.  Desta vez estávamos: o Mario e eu, andamos um bocado sobre a caçamba da picape, a todo momento víamos Springbok, mas a maioria fêmeas. Segundo o freddie, há em sua fazenda entre 600-700 springboks! 

      A curto espaço de tempo, surgiu um belo macho com longos chifres, o Mario, rapidamente colocou o rifle.243 para funcionar, fez um belíssimo tiro a 170 metros! Sacamos fotos com o lindo troféu e seguimos para outro springbok .  Agora seria a  minha vez! A mesma situação se repete: corre pra cá, corre pra lá, até que um belo springbok estaca a 175 metros. Preparei o rifle e enquadrei o animal em sua “kill zone”, premi mansamente o gatilho do .270. Foi um belo tiro, o bicho desabou no local. Mais uma comemoração na terra das areias rubras. 

     A seguir o Mario estava pronto para outro, desta vez o bicho caminhava mais longe. Com muita habilidade, conquistada pela insistência no treinamento no Brasil com o rifle.22, fez o springbok deitar com um tiro certeiro na paleta. Após a típica sessão de fotos, Mario quis deixar marcada sua presença nos solos da Namíbia com dois springboks numa só foto. Logo após, voltamos à sede, deixando os bichos para esfolar.


  O freddie me passou outro rifle no calibre 3006 marca Musgave, fabricado na Africa do Sul, e me disse que iríamos ao encalço dum Eland. Saímos novamente à procura, vimos alguns mais nada de bom troféu. O Mario atirou mais um springbok que estava com problema na pata dianteira. 

    A parte da manhã estava encerrada. Tomamos um cafezinho com bolachas e seguimos para o “blind” do “waterhole”. Deixamos a picape longe uns 200 metros e fomos caminhando pela areia fofa da Namíbia, repleta de vegetação espinhosa. No final da caçada fui observar que minhas canelas ficaram toda irritada por conta dessa vegetação. Quando chegamos próximo da aguada, saiu correndo um belíssimo Impala” blackfaced”.  Nós três Entramos no blind: Freddie, Mário e eu.

     A espera no esconderijo é maçante para quem não tem paciência, pois  ficamos  à mercê do bicho aparecer. Como nada há que se fazer, aproveitei o tempo escrevendo pelo meu celular. Enquanto isso o Freddie ficava atento olhando pelas frestas de madeira do “blind” vendo se aparecia algo.

    Bem lentamente apareceram três springbok  ,o freddie perguntou-me se gostaria de atirar com meu arco uma fêmea de chifres tortos, eu gostei da ideia. Mas estava um tanto nervoso, o bicho estava a 35 metros e errei. A gente sempre tem uma desculpa quando erra, mas a minha é condizente, pois não treinei com arco assim que cheguei, pois o Freddie não possuía alvo pra flechas.

   Logo apareceu mais um macho a 30 metros e novamente o nervosismo tomou conta de mim. Outro tiro de arco em vão. O Mário assistia tudo passivamente, ele esperava atirar em algo com seu rifle. 

    Esperamos mais um pouco e pela esquerda chegaram umas fêmeas e um macho que estava preguiçoso para aproximar da água. Quando olho para direta, vejo um grande macho entrando pra beber. Sempre a chegada de um animal na água, deixa-nos apreensivos, pois sabemos que eles são muito desconfiados e atentos a qualquer barulho ou movimento. Aí mora a emoção do jogo, pois devemos ter a máxima cautela, se desconfiarem de algo saem em debandada. Avisei o Freddie do bicho que chegara, ele me deu sinal Verde, pedi  a distância, me passou 25 m medido pelo “rangefinder”, regulei a mira do arco, puxei a corda, acertei o ponto luminoso na paleta do bicho e soltei mansamente o gatilho. Só escutei um ploft e o bicho correu. Após

uns 10 metros vimos o bicho desabar. Fomos conferir, era um bom troféu, o tiro acertou sua paleta e teve morte quase instantânea. A flecha transpassou o animal e afincou no leito do lago. Fiquei muito feliz com o troféu, havia assim registrado pela primeira vez a presença com arco na Namíbia!

    Os dias voam quando temos muita atividade. Empenhamos em pular mais cedo da cama para aproveitar mais a quarta feira. Assim, tomamos o café às 7 horas e partimos às 8 horas, o Freddie e eu fomos ao “blind” do “waterhole”, assim que aproximamos vimos muitos wildbeest próximos à água, mas sentiram nossa presença e zarparam em galope pela savana.

    A esperança cresceu em flechar um bluewildbeest, também apelidado pelos africanos de búfalo dos pobres. Seria uma experiência inédita, por se tratar de um bicho difícil!


Permanecemos por volta de 50 minutos e nada de bichos. Já estávamos impacientes quando um Impala avança e permanece numa boa posição de tiro. O Freddie ordenou que eu atirasse e me passou a distância. Nesse momento já estava fervendo de emoção. Quem atira com arco sabe como é essa coisa inexplicável! Pedi a distância, novamente regulei a mira, armei e shot! Que nada a flecha atravessou por cima e o bicho foi-se! Fiquei indignado, não acreditava ter falhado!

    Esperamos mais um tempo e chegaram mais três impalas, um grande cara preta, com um só chifre, ele ficou a uns vinte cinco metros e o freddie me perguntou se eu queria atirar, respondi que sim, novamente pedi a distância. Puxei a corda do arco, quase tremendo, enquadrei o ponto verde em sua paleta e acariciei mansamente o gatilho. Foi um tiro que vi a flecha penetrando em seu corpo. O bicho correu uns 70 metros e desabou. 

    Continuamos na espera, chegaram próximo à margem da água mais impalas, um cara preta e um normal.  Esperamos calmamente eles se aproximarem, o Freddie me alertou; –você vai atirar no Impala comum, i.é, não no cara preta.

    Aguardei que o impala comum me mostrasse as espáduas, minha ânsia era tanta que não esperei muito ele ficar totalmente de perfil, estava um pouco na diagonal, mesmo assim regulei a distância, e levei as cordas ao nariz, enquadrei o bicho e pumba! Percebi que acertou, o Freddie também, cumprimentamos, mas o bicho saiu mancando e não caia. O Freddie falava: “shoot”, “shoot again”, mas estava numa posição tão ruim que não foi possível. Ficamos acompanhando o bicho que se afundou no Bush! 

     Freddie resolveu buscar ajuda, tomou a picape que estava a duzentos metros e foi buscar dois trackers. Os trackers acharam sangue e seguiram um tanto, mas perderam o rastro, pois a grama estava alta e muito pisada por centenas de bichos. Mesmo assim é incrível ver os caras seguirem o rastro naquela areia fofa com milhares de rastros, e achar sangue do animal!  Freddie, voltou para a casa e veio de quadriciclo. Andou por tudo e não achou nada, então resolveu procurar mais próximo da água. Logo voltou com a boa notícia que havia achado o bicho caído morto debaixo do” bush”. Foi uma ótima notícia, seguimos até o local, fotografamos e voltamos satisfeitos para casa!

     Tomamos um rápido lanche e voltamos para o “blind” para nova espera, agora para o gnu.

Mas, o restante da tarde foi infrutífera, não chegou nenhum gnu, que seria meu desejo de tiro com arco!

     A terça se findou, mas o jantar estava ainda por vir. Comemos um rico filé grelhado de boi, com batatas e salada, e fomos ao campfire. Lá é o Local de se jogar conversa fora e também contar as proezas do dia. O Mário de manhã pegou um belo órix , o Pedro idem e o Marinho idem. Também o Alceu pegou seu orix . À tarde o Mário pegou um Impala e um steembok. Como de praxe, mais uma noite o Old freddie veio servir licor de Amarula.

    Quanta feira, o Mario saiu para pegar uma girafa, armou-se com o .375 do Alceu e foi ao encalço da tão sonhada girafa. Chegaram de picape próximo a duas fêmeas e um macho, o Mario enquadrou a paleta da girafa e disparou o tão estimado rifle do Alceu. Ela andou um pouco e a alta estrutura de ossos e carne foi desabando como a implosão dum prédio.

   O Freddie  novamente me propôs para  ir ao “blind” do “waterhole”, assim fomos: o “tracker” Hubert e eu. O Freddie nos levou até próximo, caminhamos o restante à pé, desviando sempre dos espinheiros e nos acomodamos nas cadeiras do “blind”  . Passados uns 40 minutos, começou a aparecer muitos springbok, para saciar a sede. Logo após vieram também diversos impalas machos e fêmeas, além também de kudus machos, fêmeas e filhotes. Pra mim foi um bom entretenimento, pois filmei e fotografei esses belos animais que tanto me agrada!

     O meu intento nessa jornada era abater um wildbeast com arco, mas não apareceu nenhum. Como o Freddie havia me dito que eu poderia atirar num springbok médio e num Impala unicórnio , se aparecesse, resolvi escolher um springbok. Um macho chegou, tomou água tranquilo, depois virou para esquerda andou um pouco e parou com as espáduas pro meu lado. Conferi, com o Hubert se era macho, medi a distância, que bateu 25 metros, coloquei a mira na posição, puxei a corda, visei a paleta do bicho e apertei o gatilho.  Escutei um ploft, a flecha foi pro destino certo, o bicho correu 15 metros e tombou. Após arrastarmos para perto do “blind”, voltamos para o esconderijo. Não demorou o Freddie neto veio nos apanhar para o almoço.

     Após o almoço , tive o prazer de assistir o tiro do Pedro, neto do Alceu de apenas 17 anos que

 fez um lindo tiro com o rifle 7mm STW–,que é mais potente que o 7 Remington Magnum–, acertou um Impala black faced na cabeça a 170 metros de distância. Em seguida fomos ao encalço do meu wildbeast, andamos de picape pelo campo mais fechado de vegetação (bushes), avistamos um grupo de Wildbeests que corriam sem parada. O Freddie ia cercando os bichos que não paravam de correr, até que ultrapassou-os pela direita a uns 150 metros de distância correndo paralelo com os animais. Quando deu uma posição favorável ele me indicou qual era o “big bull” que  deveria atirar, parou a picape e, com o bicho correndo,  enquadrei-o e puxei o gatilho, o tiro acertou em seu corpo,  ele deixou o grupo e se enfiou num bush. Chegamos mais próximos e acertei mais dois tiros com o .270 e o animal caiu. Fizemos a seção de fotos e voltamos para o lodge. A caçada do Blue wildbeest não perde em nada para a caçada de búfalos, tanto é que é apelidado de búfalo do pobre, ele é difícil de abater e muito resistente. Em 2015 atirei um na África do Sul que caiu, comemoramos o episódio e imprevisivelmente o bicho levanta e sai na corrida.

    O Freddie resolveu despachar as carnes para a cidade e solicitou que esperássemos que  assim que voltasse iríamos à procura do tão esperado Eland. Após um certo tempo chegou, já era um tanto tarde, mas assim mesmo fomos ao encalço do Eland. Rodamos muito pelas savanas, vimos 10 Elans, mas não houve jeito de atirar em nenhum. O lindo pôr do sol entre os “bushes”, não esperou-nos para pegar o Eland , mais um dia sensacional de África foi-se. 

     Manhã de quinta, véspera do último dia em Namíbia. Pulamos às 6:00 da cama, em seguida fomos à sala de café onde a esposa do Old Freddie, toda manhã nos preparava um “breakfast” diferente.

   0 Freddie filho me chamou: -(Elior) agora cedo nós vamos ao Eland.  Aprontamos tudo, passou-me o rifle Musgave .3006 e saímos. Fomos em direção a um campo de grama alto com árvores maiores, onde se tinha uma visão de maior alcance para achar os animais. Não andamos muito e notamos um grupo de Eland em nossa frente. Rodamos com a picape alguns quilômetros com os bichos correndo pela frente, até que o Freddie filho resolveu que fossemos à pé atrás do bicho. Pegamos o tripé de bambu e seguimos para ver se víamos o “big Bull”.  Caminhamos por cerca duns dois quilômetros e vimos atrás do” bush” um kudu , perto dele pastavam uns 4 elands. Ele me acenou que o “big bull” estava lá, e me mostrou qual era. Não dava bem pra enxergar, pois a vegetação era alta. Demos mais uns passos à direita e o “big bull” deu sua cara. Era majestoso, seu pescoço acinzentado, parecia um grande reprodutor nelore, suas barbelas do pescoço quase atingiam o chão.  O freddie ofereceu seu ombro para apoiar a arma.  Minha adrenalina estava alta, a boca seca, minha língua sentia um gosto amargo, a emoção me invadia sem pena. Enquadrei as espáduas do grande animal e o tiro partiu , escutamos a batida do projétil a uns 180 metros, mas ele saiu andando. 

  Continuamos a perseguição, o eland andava devagar, e não oferecia as espáduas para mais um tiro, mesmo assim atirei duas vezes apoiado nas árvores.  Todos os tiros acertaram, mas o animal era muito forte, um Eland erado! Aproximamos, e foi-se mais um na cabeça, a montanha de carne e osso desabou ao chão, mais um tiro de misericórdia e estava terminada a caçada.

   O Mario me gozou bastante por eu ter dado muitos tiros. Mas o Freddie disse-me que uma vez um europeu com calibre .458 precisou de 20 tiros para derrubar um eland, confirmando mais uma vez ser o eland um bicho muito resistente. O troféu era muito bonito, com grande cabeleira na testa e corpo muito grande, estimado entre 800/900 quilos. 

    O Freddie voltou para a picape, e retornou para o “lodge” com mais gente para carregar o animal. Chegou com outra picape, trazendo além de três nativos, vieram Alceu, seu neto Pedro e Marinho. Fizeram dois buracos na areia com pás, para as rodas traseiras entrarem, para que a caçamba ficasse mais próxima do chão. Puxaram o grande bicho com cordas e carregaram o enorme animal, o maior antílope do mundo.

    No retorno o Freddie filho viu um steenbok, na posição para Tiro. Com a voz forte endereçou o steenbok a mim. Eu não esperava atirar nada na volta, estava com a arma descarregada e as balas no bolso. Tomei a arma, naquela afobação não sabia o que fazer. Peguei a caixa de bala coloquei uma na câmara e a arma não fechava o ferrolho, então coloquei no pente, aí o ferrolho fechou. O bicho lá parado, por sorte nossa e azar dele, mirei suas pequenas espáduas e arrastei o gatilho, o projétil achou o que procurava e o tão pequeno e delicado animal caiu perfeitamente morto. 

   Já eram onze horas da quinta, eu julgava ter minha caçada preenchido perfeitamente meus desejos, mas o freddie filho me levou novamente para o blind , e me deixou com o Hubert e me disse que eu poderia atirar em Impala ou mesmo um gnu se aparecesse. O Impala seria de management , i.é , não poderia ser troféu e sim um animal com chifres defeituosos. 

Apareceram muitas zebras, foi um lindo espetáculo ver as zebras tentarem se aproximar da água. Como não havia nenhum animal tomando água, elas permaneciam longe, com muita desconfiança, observando tudo ao redor e não chegaram à água, mas pude fotografa-las e filma-las.  Nessa esplêndida caçada, surgiu a oportunidade para Mário

abater um animal que ainda não havia abatido, o White Blesbok, que é idêntico ao Blesbok comum, tanto em chifres como em tamanho corporal, porém totalmente branco. Cumpre salientar, que não é albino e não é um subespécie, atualmente ele é criado em fazendas privadas.

     White Blesbok, faz me relembrar da caçada na Namíbia em 2007, quando o colega Daniel resolveu abater um White Blesbok. Partimos então do município de Witvlei para a região oeste à uma fazenda um tanto distante de onde estávamos. Batemos a estrada de cascalho fino numa velocidade impressionante, parecendo que estávamos rodando no asfalto. Pela janela da picape apreciávamos a vegetação esturricada, árvores sedentas de água que só crescem um centímetro por ano e a cobertura gramínea cor de ferrugem total mente seca.

     Diferentemente da áreas planas, chegamos à uma fazenda de morraria. Assim que aportamos à área de caça, imediatamente avistamos alguns animais. O guia, certamente pensou: está muito fácil para o Daniel pegar seu troféu, porém não contava com o imprevisto.  Os dois desceram da picape, ficamos nós, o Pisteiro, o cão Magnum e eu sobre a caçamba da picape. O Guia recomendou que não descêssemos da picape que eles iriam fazer aproximação por terra aos White Blesboks. Quando eles estavam bem próximo ao alvo eu resolvi filmá-los e desci da picape. Por que! Não imaginava que o cão Magnum iria pular da caçamba e sair em disparada e espantar os animais! Deu por terra o intento da caçada fácil!

      O Guia tomou o volante da picape e iniciamos a perseguição dos cândidos animais. A caçada, que seria a mais fácil de todas, transformou-se na mais emocionante! Batemos aquelas morrarias com a picape, nosso corpo vertia adrenalina, toda hora parecia que a Toyota iria tombar pelas encostas. Depois de muita perseguição o cerco aos animais se deu e, o Daniel conseguiu seu intento.

       Logicamente, fui criticado por ter descido do carro, porém minha desculpa foi boa: caçada sem emoção não é caçada, e se não fosse minha desobediência a caçada seria completamente insossa!

       O Pedro, com seus olhos azuis certeiros como os de águia, também caçou um springbok diferente, o Black springbok, que na foto aparece com o leque levantado em suas costas.

      Ambos os sexos do Springbok tem chifres, sendo que a fêmea possui cornos mais finos e mais curtos que os machos. Existem os Springboks comuns os negros e os brancos, todos eles possuem as mesmas características corpóreas, porém muitos de nós não conhecíamos esse animal.

     Último dia, teríamos somente a parte da manhã. Os colegas saíram com o Freddie filho e o freddie pai. Eu fui para o “blind” com o Hubert.  Ao nos aproximarmos notamos perto da água um grupo de gnus pretos, a princípio correram quando nos viram e pararam uma certa distância, nós  entramos no “blind”. Eles permaneceram longe só investigando se poderiam chegar à água. O Tempo passou, chegaram à  água , porém aquele que eu poderia atirar, o gnu azul, não apareceu. No mesmo dia arrumamos as coisas e pegamos a estrada de volta à Windhoek. Cortamos caminho por estradas de terra que eram como asfalto de tão boas, onde se podia imprimir altas velocidades no veículo. Eu vinha conversando uma série de coisas com o Freddie filho, uma delas ele me explicava que não comprava animais para sua fazenda, sempre utilizou do seu próprio plantel ou das fazendas dos seus parentes. O Freddie também citou que nas cercanias de Windhoek existe um grande “Auction” leilão de animais silvestres, mas ele nunca se utilizou dele. Isso demostra o profissionalismo e bom atendimento a um custo justo.

    Na estrada paramos onde haviam três picapes encostadas, uma delas com a tampa traseira aberta, onde assentava uma garrafa de uísque e três fazendeiros, amigos alegres, sorviam o puro malte. Convidaram nós para brindar juntos e perguntaram de onde éramos, após uma breve conversa em africâner do Freddie partimos.

  Após umas três horas de viagem chegamos ao hotel. Tomamos um belo banho, após o banho o Mário me convidou para comer frutos do mar. Convidamos o Alceu, Marinho e o Pedro, mas preferiram comer no restaurante do hotel.


    Dirigimos à recepção do hotel, solicitamos um taxi e fomos ao restaurante indicado pelo Freddie. O motorista entrou num shopping, ficamos apreensivos, pois pensávamos que fosse o restaurante em outro local. Adentramos ao shopping e, realmente era ele mesmo o indicado. Havia muitas pessoas nas mesas, uma africana nos atendeu e pedimos logo de entrada a famosa cerveja namibiana, considerada umas das melhores da África. Logo após vieram os pratos e fizemos a refeição.

     Já era um pouco tarde e noutro dia teríamos que acordar por volta da 3 horas da manhã para dirigirmos ao aeroporto, que fica um tanto distante do hotel. Solicitei à garçonete que ligasse para o nosso motorista vir nos apanhar. A moça nos falou para esperar na porta do Shopping, ficamos ali por mais de meio hora e nada de taxi. Voltei falar com a moça ela tornou a ligar e disse para esperarmos no mesmo local. Sei dizer que por diversas vezes fui até ela e nada. A hora ia passando cada minuto representava muito pelas poucas horas que tínhamos para descansar. Nós estávamos preocupados, para nosso alívio apareceu o tal do motorista e nos conduziu até o hotel, onde descansamos um pouco.

    Pela madrugada o taxi apareceu e nos conduziu para o aeroporto, tomamos o avião e rumamos até Johanesburgo onde apanhamos outro voo para o Brasil. Antes disso, aproveitamos o tempo para comprar alguma lembrança nas lojas do aeroporto, onde se encontra a mais famosa delas que leva o nome “Out of Africa”, nome talvez em alusão ao filme Entre dois amores, ou então ao livro que deu inspiração ao filme.

     Das pessoas que participaram desta magnífica caçada eu conhecia apenas o Mario que esteve comigo na África do Sul em 2015, o Alceu, que me convidou, seu neto Pedro e o Marinho, eu não os conhecia. Posso afirmar que foram ótimas companhias, conversamos muito ao redor do fogo, trocamos experiências, brincamos, enfim, foram agradabilíssimos companheiros, que continuamos a partilhar  nossa boa amizade!




3 visualizações

©2019 by RECARGAMATIC.