Desvendando o caçador


Nos Estados Unidos o esporte da caça é muito difundido, existem milhares de lojas exibindo e vendendo artigos de caça, os canais de televisão ganham audiência com programas sobre caça. Editoras especializadas, somente em caça, vendem seus exemplares para todo o mundo, enfim o esporte é muito popular nos EUA.

Vendo todo esse interesse despertado pela caça, um repórter americano, que não é caçador, decidiu desvendar o “segredo” que há em gostar de caçar e também saber mais detalhadamente sobre o caçador.

Partiu o repórter para o continente africano. Chegando lá foi primeiramente visitar algumas fazendas de criação de animais selvagens. Indagando com o proprietário com relação aos animais, questionou:

—Porque o Sr. cria animais exclusivamente para serem caçados e mortos?

O proprietário não gostou muito de sua pergunta e respondeu:

—Criamos animais como se criam bois, os bois também morrem!, além disso, estamos colaborando para a manutenção da fauna africana, que se não fosse os caçadores teria extinguido.

O repórter também indagou sobre a esportividade de caçar um animal criado, e o fazendeiro rebateu:

—Antigamente em África existiam vastas planícies atopetadas de animais, matas com animais bravios, hoje o homem ocupou as terras com plantações e gado. A genética de caçar o homem não perdeu, então tem que estabelecer novos métodos de caçadas.

O repórter ,continuando sua trajetória para desvendar o “segredo”, foi a uma fazenda de caça. Chegando lá encontrou com caçadores e caçadoras americanos. Perguntou a todos os caçadores qual é o verdadeiro prazer de caçar. A maioria deles não soube explicar sucintamente o que se passa no ser que gosta de caçar. Disseram que é uma força avassaladora que impera dentro das pessoas, e que já nasceram com este ímpeto.

O repórter participou por uns dias do ambiente de caça. Resolveu então, participar de uma caçada para ver se descobria o “segredo” que envolve o prazer de caçar.

O guia de caça preparou o esconderijo e levou o repórter para a caçada. A caçada no local era somente para arqueiros , foram eles então para o “blind”= (esconderijo) esperar os bichos. Depois de algum tempo de espera apareceram alguns “warthogs”( javalis africanos). O Guia de caça, escolheu um, armou o Crossbow (besta) do repórter, explicou como atira e aguardou o tiro. Mas, o tiro não saia, e o guia dizia “shoot, shoot” e nada de puxar o gatilho! O repórter se rendeu e disse: eu não consigo, não consigo puxar o gatilho.

O guia perguntou:—O que passou com você que não atirou?

O repórter respondeu:

—Realmente senti que somos tomados por uma forte emoção quando da aproximação da caça. Não atirei, pois não sou dado a atirar num animal.

Nós que somos caçadores não entendemos porque caçamos, imagine uma pessoa que não é caçador.

Descobrir o ¨segredo” que impera no caçador, é o mesmo que descobrir porque os guias africanos que acompanhavam os caçadores em África, conseguiam adentrar várias horas caminhando em matas desconhecidas e depois retornar ao mesmo ponto de partida. Eles tem um sentido de orientação inexplicável, tudo por força do atavismo.

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