Difícil entender


Difícil é entender o coração de um caçador que mata e acaricia e que anda entre os extremos do egoísmo e do altruísmo.

 Para ser caçador é preciso calar o coração, ou melhor, esquecer que o animal como nós tem direito à vida. O caçador diferentemente de um psicopata que maltrata sem dó, nele sempre pesa certa culpa ao ver sua presa inerte.

Há momentos de reflexão em que o caçador tangido por seus atos relembra estórias da mitologia como a cena em que Acteon, o grande caçador, que vagava pelo bosque quando se deparou com Artemis tomando banho, ela muito irritada jogou água em Acteon e este imediatamente se transformou num belo cervo branco, o qual foi caçado sem piedade pelos companheiros de Acteon até morte.

Outras vezes o caçador é perturbado pelos sentimentos religiosos, que em certas crenças perseguir e matar animais é pecado grave.

 Então ele se lembra dos filhos de Nimrod (Orion) o famoso caçador que amava a caça. Nimrod, durante uma expedição de caça levou seus filhos, ao longo da mesma, descobriu uma caça e separou-se deles para persegui-la. Os dois jovens continuaram sua própria busca e cruzaram com um animal maravilhoso, uma grande corça, que brilhava com todas as cores e cujos galhos brilhavam contra a luz. Depois de muita perseguição acabaram perdendo a corsa. Pediram então a seu pai Nimrod que construísse um templo onde pudessem meditar.

Ele também se lembra da estória de Santo Huberto perseguindo um veado em pleno bosque, quando se deteve repentinamente o que fez parar os cães e os cavalos. Entre os cornos do veado apareceu uma cruz luminosa e Huberto ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Se não voltares para Deus cairás no Inferno’.

Mas, talvez o que mais pesa na mente culposa do caçador é a questão da reencarnação, imaginando que poderá como prega o hinduísmo, reencarnar num animal e então ao invés de caçar será caçado.

Assim é a mente do caçador que se culpa, mas não deixa de caçar movido pela arrebatadora herança de predador.

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