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Encontro com notáveis caçadores


          Uma grande oportunidade surgiu – uma viagem à Portugal- em que pude reservar um tempinho para encontrar, em terras lusitanas, homens experientes na caça que viveram o auge dos grandes Safaris em África.

    Julgo Portugal de suma importância no contesto da caça, tanto em terras portuguesas como em África, país que colonizou. Grandes caçadores portugueses se notabilizaram no Continente Negro deixando um grande legado.


Como simples turista, estava eu percorrendo os grandes salões do Museu da Marinha em Lisboa. Ah! Como me fez lembrar o nosso extinto Museu Nacional do Rio de Janeiro, que foi tragado pelo fogo! Bem, o museu da Marinha, diferentemente do nosso, agora em cinzas, aparenta ótimo trato, com toda segurança contra incêndios, etc.

O que me deixou muito surpreso, foi encontrar objetos de um grande explorador. Imagine a gente andando indiferentemente por um museu, vendo coisas

interessantes, mas de repente alguns objetos sugam você e quedamos boquiabertos, tentando

desacreditar no que estamos vendo, mas a veracidade dos objetos não engana, era do grande explorador português Hermenegildo Capelo. Ele, com o Ivens, escreveram o livro “De Angola a Contra costa”. A aventura no coração da África Negra se deu em 1884 com 124 homens dos quais 68 morreram pelo caminho durante os 7 meses de aventura, percorrendo 4.500 km sob a fornalha do sol africano do Atlântico ao Índico!

Encontramos ali instrumentos

para topografia, o quais foram usados para fazer levantamentos topográficos da região africana, além de facas e armas usadas pelo Hermenegildo, também as autênticas cadernetas de campo e os desenhos feitos pelo desenhista da expedição. Tudo isso é apaixonante para quem como eu adora a África.

O próximo encontro cinegético foi, nada menos que com o grande escritor português, José Maria da Cunha, que escreveu 4 ótimos livros, onde explana preferencialmente sobre a caça de pena em Portugal, relatando com supremacia assuntos sobre a caça e seus entornos.

Após um rápido telefonema ,o encontro foi marcado na Pastelaria Versailles, um dos pontos mais charmosos do centro de Lisboa. Assim que chegamos o José Maria já nos esperava à frente do tradicional Café. Adentramos, tomamos uma mesa e a conversa se desandou sobre a caça e livros. Trocamos ali uns livros e, tive o prazer de ser agraciado pelo último livro do autor, intitulado “Olha o Passarinho”. Infelizmente nosso tempo era curto e, o prazeroso encontro terminou logo, mas o momento ficou eternizado.


Noutro dia a visita seria para Amélia, a viúva do Mestre José Pardal.

Um parêntesis como conheci o Pardal– Existia um website em Portugal chamado “Santo Huberto,” o qual sempre eu visitava, lá deparava com anúncios de livros de caça editados em Portugal. Um deles que eu sempre namorava era o “Cambaco I” do J. Pardal. Depois de um tempo não vi mais o livro à venda. Soube através de um amigo que haviam dois volumes do livro, I e o II. Fui ao encalço do livro fazendo contato com “alfarrabistas” (Sebos)de Portugal e consegui encontrar o volume II ,o qual comprei. Faltava então o Cambaco I, que não conseguia achar. Conversando com o Kiringozi, ele me apresentou o Óscar Cardoso, de Portugal.

Contatando com Óscar, na oportunidade comprei um livro de sua autoria, intitulado “A carabina de caça em Portugal”. Comentando sobre o livro Cambaco I, do Pardal, o Óscar conseguiu um livro para mim, o qual recebi com uma bela dedicatória. Penso que foi a última dedicatória da vida do Pardal, pois logo faleceu.


É indizível a minha sensação quando adentro à residência de um caçador, aquilo para mim se compara ao castelo encantado para uma criança. Sinto inebriado pelo clima, animais empalhados, armas antigas, quadros da África, e o que é melhor- assunto sobre África.

Amélia nos confabulou sobre a profissão do Mestre Pardal em Moçambique. Ele era professor e, além disso programava os horários das aulas. Como era apaixonado pela vida sertaneja, fazia com que os horários de aula tivessem uma ligeira margem de tempo para que ele pudesse sair nos finais de semana na sexta e retornar na segunda à tarde, assim iria à caça com mais tranquilidade. Quando as férias chegavam, o acampamento se revestia em autêntico Safari vividos na época de ouro. Saíam com o jipe com o reboque, onde levavam todas as tralhas de acampamento, bem como os auxiliares de caça: pisteiro, guia e cozinheiro.

Os relatos das caçadas de Pardal em seus livros, são realmente revestidas de muita emoção, inclusive o relato de uma caçada em que a arma falhou no momento perigoso em uma caçada ao elefante. Mas, o que me despertou muita curiosidade foi o caso do filho do Pardal, com menos de nove anos, que se perdeu no mato quando foi atrás de um porco espinho. Indaguei à Amélia como ficou o emocional naquela hora. Ela me disse que a única pessoa que previu o trajeto do filho na mata foi ela. Depois de colocar alguns homens ao encalço do menino, ele foi encontrado. Porém, o sufoco foi imenso, visto que havia muitos animais carnívoros na região.

Permanecemos pouco tempo em sua residência, mas o suficiente para levar boa impressão da Amélia como também do falecido Mestre Pardal, que com certeza estava ali também em forma de espírito nos recebendo com alegria!


O último encontro foi com o famoso Óscar Cardoso, homem de invejável cultura, atuou como Coronel nas forças armadas portuguesas em Angola, no governo Salazar, defendendo com muito ardor sua pátria. Combateu os terroristas financiados pela União Soviética e Cuba, culpados pelo grande sofrimento dos povos africanos, como também pela destruição total dos parques nacionais, dizimando animais, matando elefantes para a venda de marfim.

Óscar Cardoso é um expert das armas, escreveu dois maravilhosos livros, referência da literatura portuguesa sobre o assunto. Os livros são em tamanho grande, em papel couché , com muitas gravuras. Um intitulado “ A Espingarda de Caça em Portugal”(esgotado) e outro “ A Carabina de Caça Grossa em Portugal”( tem disponível alguns exemplares). O primeiro sobre as espingardas e o segundo sobre os rifles.

Ao longo de alguns anos vimos trocando e-mail , de forma que cultuamos uma forte amizade virtual,sempre tecendo considerações sobre diversos assuntos, desde armas, caça, naturalmente, até política.


No ano passado o Óscar foi convidado a participar do lançamento do livro do Kirongozi ( Jorge Alves de Lima), mas por motivo de força maior, não pode vir. Se viesse, com certeza teria lhe dado meu abraço. Entretanto, por conta do destino, o meu abraço teve que ser dado em sua cidade de Ericeira. Sem sombra de dúvida, sempre foi meu maior desejo!

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