Espingardas, breve relato de fabricação


Métodos de fabricação e materiais empregados em espingardas.

Há muito tempo atrás, não era possível tomar uma barra de aço e furá-la para executar um cano de espingarda. Como até o aço era difícil,os armeiros pegavam ferraduras e pregos de cavalos que eram encontrados pelas ruas, aqueciam, forjavam , caldeavam e transformavam em tiras, Essas tiras  enroladas a quente sobre um eixo, igual fazer um canudinho de papel, depois de aquecidas, caldeadas transformavam em cano de arma. Até hoje existem espingardas trochadas damasco circulando. Muitas pessoas glorificam uma trochado, mal sabem que foram fabricadas no tempo das pólvoras pretas, não podendo ser usadas com pólvora sem fumaça. Uma das marcas que se popularizou no Brasil foi a Laport, que não era marca de fábrica e sim marca do comerciante,que importava e revendia armas para o Brasil e outros países http://www.littlegun.be/arme%20belge/artisans%20identifies%20l/a%20laport%20gb.htm. As básculas dessas armas eram forjadas em um blank e depois usinadas até chegarem às formas desejadas. Já os cães eram forjados e retrabalhados.

Com a advinda de novas máquinas e novos materiais, passaram a fazer canos a partir de barras maciças, furados de ponta a ponta com as famosas brocas canhão, que possuem lubrificação e refrigeração forçada na ponta. Assim são usados aços melhores ligados com outros materiais para melhor qualidade. Hoje em dia algumas fábricas de armas usam tubos forjados, por serem bem mais fáceis de usinar e de concluir a usinagem interna. Com a invenção dos choques cambiáveis, facilitou mais ainda a usinagem interna dos canos. Atualmente são usados diversos tipos de aços para confecção dos canos, algumas fábricas que ainda furam canos, usam o aço de corte fácil, que é ligado com chumbo, para facilitar a perfuração. Outras usam o aço carbono com até .045%de carbono. Os melhores canos são produzidos com aços ligados ao cromo níquel ou cromo molibdênio, estes aços possuem alta resilência e também resistem mais à ferrugem. Com o tiro, o cano da arma sofre um esforço e o aço sendo plástico absorve o impacto se deformando e imediatamente retornando a posição inicial, se o aço do cano não tiver boa resilência esta deformação plástica causa fadiga e o cano rompe ou dá folga na câmara. Isto acontece muito com armas onde se empregam materiais baratos, o pessoal diz, ”está estufando cartucho”. Para sanar este problema os armeiros faziam uma bucha e colocavam na câmara. Era muito difícil encontrar um profissional que fizesse o serviço correto. Uns embuchavam, e a bucha saía, outros introduziam a bucha estanhada e quando atirava o cartucho saía todo encaroçado. Eu me lembro que alguns clientes do meu pai pediam que ele fizesse embuchamento. Como ele era perfeccionista, adquiriu alargadores para abrir a câmara da arma e fazia a bucha com uma leve interferência, aquecendo um pouquinho a câmara e esfriando a bucha, era introduzida. Ficava perfeito, mas  lembro o quanto ele penava, pois algumas buchas atritavam na metade ao serem introduzidas e perdia o serviço.

Tratando-se de armas paralelas ou sobrepostas, os canos são unidos com solda de baixa fusão, tipo estanho. Essa união é um dos pontos chaves na confecção das armas. Muitas delas ficam desalinhadas,”vesgas”.Eu mesmo uma ocasião tive uma espingarda espanhola paralela que não acertava no alvo mirado. Portanto, ao comprar uma espingarda,há sempre que fazer um test drive, apóia-se a arma e mira-se exatamente num alvo para certificar se realmente está correta.

A revolução na fabricação de armas veio com o aperfeiçoamento da fundição a cera perdida para micro fusão. O micro fusão, hoje largamente usado por uma infinidade de indústrias na fabricação de componentes de armas, tais como báscula, cães, gatilhos, etc. O micro fusão permite que se use aços de boas características de resistência e corrosão, sem necessitar quase nada de usinagem posterior, pois a precisão atingida por esse tipo de fundição atualmente é grande. O processo de cera perdida existe há centenas de anos, os indianos foram um dos precursores desse processo, fundindo infinidades de objetos complicados com esse processo. A maneira é a seguinte: faz-se um objeto de cera e recobre-o com areia refratária, que será o molde, após a secagem da areia, derrete-se a cera, ficando somente a cavidade onde é então vertido o metal liquido para formar a peça. Próxima oportunidade continuo escrevendo mais.

Foto: do site da Purdey

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