Eu e a loja "Ao Gaúcho"

I

nesquecível o dia em que um amigo do meu pai trouxe de São Paulo -capital ,duas espingardas espanholas novinhas calibre 20 mochas marca Sarrasqueta, compradas numa loja ,uma delas não disparava um dos canos e meu pai  consertou-a.

Na época era moleque ainda,só tinha um catálogo que me trouxeram  fornecido por loja de armas onde apareciam espingardas espanholas ,francesas e alemãs, que  de tanto ser manuseado e babado ,ficou até roto.




Meu sonho era  conhecer as  lojas de armas onde os abastados adquriam tais sutilezas. Esses caçadores eram Admirados não pelo dinheiro que possuíam , mas pelo gosto refinado.

Com o passar dos anos tive a oportunidade de conhecer a mais tradicional e mais pronunciada pelos caçadores ,A loja Ao Gaúcho.

Na entrada da loja a vitrine mostrava a majestosa cabeça de um Alce Empalhado ,caçado pelo fundador do Ao Gaúcho em 1935, dez anos após sua fundação. A curiosidade maior que despertava chacotas e piadas era a espingarda de matar veado  na curva.  A espingarda era uma cal 24, belga dois canos voltados para cima , descrevendo uma curva . A brincadeira surgiu quando ao descarregar umas armas novas pra loja, uma delas caiu e foi atropelada por um bonde ,ficando com os canos curvados ,surgiu então a espingarda de matar veado na curva!

A loja merecia seu  nome, pois lá se encontrava  variedade enorme  do costume gaúcho, como facas gaúchas , ponchos , botas e muito material de acampamento. Mas o mais marcante para mim na época ,há quase 50 ,anos foi ouvir os sons dos pássaros que ficava tocando  com o LP do Dalgas Frish o qual também falava do descobridor do Rio Amazonas ,Francisco de Orellana.

Dias atrás visitei a casa Ao Gaúcho ,senti um desalento , pois tudo mudou, a loja não mais tem aquele clima suntuoso do passado. A cabeça do alce continua lá e a espingarda de matar na curva também, mas as armas que tanto gostávamos de apreciar não se pode mais colocar em vitrines . O Serginho ,descendente da família e proprietário atual da loja , quase teve um infarto quando o Exército proibiu ter as armas à mostra! 

Dona Rosinha estava lá também,me recebeu com amplo sorriso e por incrível que pareça ela me falou:

—Você não acredita quem esteve aqui , o Dalgas Frish, um homão de dois metros de altura, com seus 90 anos,trouxe-nos relógios de pássaros que está  comercializando e foi ao nosso estande atirar com a espingarda de pressão!

Notem a coincidência: a primeira vez que estive lá me deparei com o LP do Dalgas e agora uns 40 anos depois novamente o Dalgas se fez presente !

Abaixo a história da loja “Ao Gaúcho” passada pelo Serginho ,atual proprietário.

Era o ano de 1925. Francisco Sprovieri, imigrante italiano, como tantos outros chegou ao Brasil para tentar uma nova vida, livre dos horrores da Grande Guerra.

Indo diretamente para o estado do Rio Grande do Sul, esse imigrante, caçador, exímio armeiro e cuteleiro, descobriu que o povo gaúcho adorava as mesmas coisas que ele adorava. Ficando poucos meses por lá, logo foi chamado por um primo para trabalhar em São Paulo, em uma grande empresa de venda de ferramentas, no centro da capital do estado.

Não se passaram mais de 8 meses de sua chegada ao Brasil para que Sprovieri alçasse voo e, ainda em 1925, abrisse sua primeira loja na Rua São Bento  --  a Ao Gaúcho, homenagem ao povo que o acolheu ao chegar e também àqueles que, até hoje, se conservam como grandes caçadores , atiradores e amantes dos esportes ao ar livre.

Durante 25 anos, Ao Gaúcho permaneceu em sua 1ª sede, já pequena pelo número de clientes. Em 1950, com a ajuda do genro, José Rodrigues, então lojista do ramo de material elétrico, decidiu expandir a empresa. Em uma decisão de grande arrojo, compraram juntos um prédio de 5 andares na Av. São João, então centro novo da capital paulistana. Lá fizeram um verdadeiro shopping de esportes ao ar livre. Eram 4 andares de loja, com mais de 20 mil itens à disposição dos clientes, amantes das armas, facas, mergulho, camping, alpinismo, pesca, arqueirismo, caça...   enfim, todo tipo de material para esportes ao ar livre.

Foram 54 anos na 2ª sede. Muitas histórias e alegrias vividas por Francisco Sprovieri, José Rodrigues, Marco Aurelio Sprovieri Rodrigues (neto do fundador, filho de José) e Sergio Maresca, atual sócio-proprietário que, desde 1994, está à frente dos negócios.

De lá para cá, já se passaram mais de 90 anos, e Ao Gaúcho, em 4ª geração, continua proporcionando aos fiéis clientes a possibilidade de encontrar as melhores armas e a melhor cutelaria do Brasil, em artigos nacionais e estrangeiros, ainda em loja física localizada no centro da Capital Paulista  --  agora na Av. Dr. Vieira de Carvalho, pra onde se mudou em 2004, contando também com seu próprio clube de tiro e armeiro, especialista em restauração de armas antigas.

Com quase 100 anos, desde a fundação, Ao Gaúcho é a loja de armas mais antiga do Brasil !

Era o ano de 1925. Francisco Sprovieri, imigrante italiano, como tantos outros chegou ao Brasil para tentar uma nova vida, livre dos horrores da Grande Guerra.

Indo diretamente para o estado do Rio Grande do Sul, esse imigrante, caçador, exímio armeiro e cuteleiro, descobriu que o povo gaúcho adorava as mesmas coisas que ele adorava. Ficando poucos meses por lá, logo foi chamado por um primo para trabalhar em São Paulo, em uma grande empresa de venda de ferramentas, no centro da capital do estado.

Não se passaram mais de 8 meses de sua chegada ao Brasil para que Sprovieri alçasse voo e, ainda em 1925, abrisse sua primeira loja na Rua São Bento  --  a Ao Gaúcho, homenagem ao povo que o acolheu ao chegar e também àqueles que, até hoje, se conservam como grandes caçadores , atiradores e amantes dos esportes ao ar livre.

Durante 25 anos, Ao Gaúcho permaneceu em sua 1ª sede, já pequena pelo número de clientes. Em 1950, com a ajuda do genro, José Rodrigues, então lojista do ramo de material elétrico, decidiu expandir a empresa. Em uma decisão de grande arrojo, compraram juntos um prédio de 5 andares na Av. São João, então centro novo da capital paulistana. Lá fizeram um verdadeiro shopping de esportes ao ar livre. Eram 4 andares de loja, com mais de 20 mil itens à disposição dos clientes, amantes das armas, facas, mergulho, camping, alpinismo, pesca, arqueirismo, caça...   enfim, todo tipo de material para esportes ao ar livre.

Foram 54 anos na 2ª sede. Muitas histórias e alegrias vividas por Francisco Sprovieri, José Rodrigues, Marco Aurelio Sprovieri Rodrigues (neto do fundador, filho de José) e Sergio Maresca, atual sócio-proprietário que, desde 1994, está à frente dos negócios.

De lá para cá, já se passaram mais de 90 anos, e Ao Gaúcho, em 4ª geração, continua proporcionando aos fiéis clientes a possibilidade de encontrar as melhores armas e a melhor cutelaria do Brasil, em artigos nacionais e estrangeiros, ainda em loja física localizada no centro da Capital Paulista  --  agora na Av. Dr. Vieira de Carvalho, pra onde se mudou em 2004, contando também com seu próprio clube de tiro e armeiro, especialista em restauração de armas antigas.

Com quase 100 anos, desde a fundação, Ao Gaúcho é a loja de armas mais antiga do Brasil !

218 visualizações

©2019 by RECARGAMATIC.