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História do Safári II

Continuando  a reportagem  do ator Richard E. Grant pela busca da História do Safári 

Bror ou Barão Von Blixen era um aristocrata sueco criado na tradição da caça e foi retratado no filme como marido adúltero de Karen Blixen. Entre o anos 20 e 30 ele teve muitos clientes ricos que faziam fila para pagar por seus serviços e sua reputação de amante prolífico se tornou lendária. Mas o que fazia dele alguém tão adorado? Conversei com seu afilhado Ulf Aschan, para descobrir .

—Ulf , pode-me mostrar uma foto do Bror?

—Posso sim. Ele não era assim no dia a dia. Ele raramente usava terno e gravata. Ele não usava cinturão de balas, era sem frescuras, ele carregava a arma e umas balas no bolso.

—O que fez de Bror um caçador único entre outros daqui?

—Para começar é preciso ter uma ótima pontaria e ser um caçador notável. É preciso ter vigor. É preciso ter paciência. É preciso ter habilidade para ouvir muita besteira. É preciso ser um anfitrião muito bom entre outras coisas. Ele tinha tudo isso!

—Pensando nisso, pelo que li ele não era um galã convencional?

—Não. Os sualis se referiam a ele como um “Wahoga” que é um pato selvagem, porque ele tinha bochechas grandes e andava como um pato. Mas também era descrito como alguém ativo e simpático.

—Está correto ,acho que isso e mais um pouco. Mas tem razão ele andava assim  e o engraçado que você andando assim consegue avançar mais. Cobrimos uma distância maior se andarmos como pato. Mas fazia sucesso, mesmo não sendo um galã e andando como pato.

—Isso mesmo, um dos segredos era que ele ao conhecer  uma dama a atenção dele era tanta que aquela mulher se sentia a única do planeta. Ele nunca hesitava, não tirava os olhos da pessoa com quem estivesse falando. Ele olhava nos olhos , falava e escutava. Era um bom ouvinte, este era seu segredo.

Para a mulher que tivesse sorte de estar no safári de Blixen nada era problema. Todos seus caprichos eram realizados por ele.  Houve um safári com duas aeronaves disponíveis porque a matriarca pedia para ser levada para Nairobi uma vez por semana para fazer o cabelo.

—Fazia o cabelo para caçar?

—E tinha mais, o avião voltava trazendo água  Evian, para a banheira dela. Uma cidade foi batizada em homenagem a ele , um homem branco. É a cidade de Wahoga que fica na Tanzânia, isso demonstra a honra e o respeito que os africanos tinham por ele.

—É um caso singular, não é?

—Sem dúvida nenhuma. Quando eu era novo e comecei no ramo de safári eu conheci muita gente que tinha trabalhado com ele e todos o adoravam. Era único no sentido de que para começar ele era como eles. Se ele fosse caçar um elefante sozinho ele dormia no chão com uma arma até o amanhecer e depois voltava a andar. Quer dizer , ele era assim não tinha frescura com nada. Mas, quando havia luxo ele usufruía sem problemas, mas ele era admirado por isso. Sua simplicidade seu vigor e seu senso de humor maravilhoso. Tanto que Berye Marklan disse que quando Bror morrer quebraria o molde.

—eles eram amantes?

—Sim com certeza, de modo amigável.

—Então as camas, a caça  e o safári eram compartilhados?

—Sem problemas e sem ciúmes.

Blixen  foi o caçador profissional mais bem pago de sua geração. Ele criou uma sociedade com o caçador Denys Finch Hatton, outro conquistador famoso por seu caso com Karen Blixen. Blixen e Finch Hatton foram a primeira geração de caçadores conquistadores do safári.

—O que eu mais penso sobre Blixen é que ele era um homem com quem as pessoas queriam fazer amizade e copiar , além de ser irresistível para as mulheres. Que sortudo!

No final da década de 30 o safári atraia clientes ricos europeus e americanos. Mas, a promessa de paixão e romance sob o luar africano não duraria  para sempre. Em Nairobi casos amorosos se tornaram comuns. Aliás uma história mostrou que ciúme podia resultar em consequências fatais. Em 1941 um assassinato na alta sociedade escandalizou a colônia e virou notícia  na Grã Bretanha. Lord Joss Hag, o conde de Errol, foi assassinado nos arredores de Nairobi em uma história que inspirou o filme”Incontrolável Paixão”

Os colonizadores perceberam o potencial que tinham em mãos e que poderiam vender a aventura da caça ao mundo. A estrutura de caça comercial começou a ganhar forma na África O. Britânica com a vinda dos turistas ricos. Para suprir a demanda crescente surgiram empresas especializadas em safáris em Nairobi. Eu fui até o arquivo Nacional onde estão guardados os jornais antigos do início  da colonização. Para ver anúncios dessas primeiras empresas O Prof. Anderson concordou em me ajudar mais uma vez.  Este é o “East African Standard” um dos primeiros jornais da colônia . Este é de 1906 e aqui temos anúncios típicos relacionados ao safári Comercial à caça e tudo que gira em torno disso. Essas empresas organizaram safáris.


—Aqui as empresas ditas coloniais em Mombaça e Nairobi vendendo todo tipo de coisa  no atacado e farejo. Até uísque Mc Callum´s Perfection, móveis pinturas a óleo, vinhos ,destilados, barracas à prova dágua. Eram tendas enormes de 1903 até com varandas na entrada. Uma demonstração  de status classe e prestígio. Um africano nunca colocaria os pés nessas tendas. Então a história do safári, sua essência cultural é marcada pelo separatismo  pela diferença e pela instância poder e luxo. Isso é equivalente a “Times “ em Londres com um anúncio enorme da Harrods dizendo “Venha cá vamos cuidar de você” Uma tenda dessas era sofisticada em 1906, tudo num lugar só. Era uma loja em contato com recrutadores de mão de obra que arrumavam carregadores , transporte , suprimentos, tudo que precisassem. Vendiam equipamentos e organizavam a viagem para você.

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