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Instrumentos de caça e emoções


Instrumentos de caça e emoções

Atualmente com as máquinas CNC a fabricação de armas deu um salto enorme, em qualidade acabamento e precisão. Os recursos óticos de pontaria estão avançadíssimos, permitindo cada vez mais precisão nos tiros. Mesmo assim com todo esse avanço, os saudosistas caçadores ainda usam armas de ante carga, arco e flecha, seja o mais sofisticado com miras reguláveis ou então os arcos recurvos desprovidos de miras. Esta equação em que cada atirador seleciona sua arma, sua caça e a maneira de caçar é que dará a ele próprio sua satisfação emocional.

No livro do Jorge Alves (Kirongozi) ele conta sobre a aventura do seu cliente Bonfiglioli em caçar gnu na África com lança, da mesma forma que os nativos. Jorge fala também de um rico texano que caçou os cinco maiores com ele, inclusive um elefante, usando um arco recurvo de madeira. O arco era de tal potência que o corpulento Jorge nem conseguia puxá-lo.

Para mim, a caçada de campo é inigualável em termos de emoções. Quando me iniciei na caça de campo, sempre na noite anterior de uma caçada nem dormia direito, só ficava pensando na caçada que iria acontecer. Tudo passava em minha mente: o cão irá desenvolver bom trabalho, o campo será promissor, e o atirador estará num bom dia.

A caçada de campo é repleta de adrenalina, pois a ave está em fuga, é uma luta que ela poderá vencer; é isto que nos invade de emoções. O trabalho de perseguição do cão faz com que nós lutemos internamente com as emoções para ter controle e poder chegar ao intento de abater a caça.

Muitas vezes somos vencidos pelas emoções e isso torna maravilhosa a caçada. Quantas vezes errei a ave em fuga, e aplaudi a ave, como a platéia de uma tourada em Madri aplaude o touro, quando ele se apresenta melhor que o toureiro. Quantas vezes não conseguia destravar a arma, pois suava nos dedos de emoção. Outras vezes, além de ter que controlar as emoções temos que ter um bom preparo físico para correr atrás do cão em perseguição, e muitas vezes ela é quem vence pois controlar todo seu ser correndo é complicado.

Em contrapartida os belos tiros marcam para sempre as emoções que causaram. Um tiro em ave em fuga que cruza por detrás de uma árvore e você abate na saída.

A ave que encastela e você chega a ver até seus olhos olhando para você em fuga.

Aquele banhado de serrado onde a perdiz correu por trilhas com muita rapidez, e o cão sem perder o faro fez com que a gente passasse até medo de encontrar uma cobra venenosa no caminho. Nesse misto de emoção e medo o incansável cão faz com que ela levante, e o tiro além alvejar a presa, imprime em nossa mente o ato para sempre.

Sem falar nos belos tiros “Double”, que também marcam para sempre. E quando “emendamos manga” (um atirador erra e outro atira após fração de segundos alvejando a caça) que vira sempre motivos de chateações que enriquecem o momento.

Outras vezes, caçando em dois não conseguimos controlar o gatilho e o tiro sai após a ave ser alvejada pelo colega. Nessa hora sempre vem a chateação: atirou no defunto! 


                     Momento em que a ave escapou do caçador

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