Javali no pio


Sabemos que muitos Estados do Brasil estão sendo invadidos pelos javalis, eles estão causando muitos danos aos agricultores ,além disso são animais perigosos que enfrentam e atacam pessoas e animais domésticos.      Enquanto a caça não está liberada, há que fazer  controle da espécie para que o prejuízo não seja tanto. Alguns agricultores fazem um cerco onde aprisionam diversos deles e sacrificam e aproveitam a carne. Outros reúnem a necessidade ao prazer , fazem o controle caçando.

    Acho um erro fazer como alguns grandes plantadores do Mato Grosso, que sistematicamente  vem envenenando o milho para controlar os catetos e os queixadas. É lastimável essa prática, se a caça fosse liberada, poderia dar muita satisfação aos amantes do esporte e proteínas aos necessitados.

     Foi nosso companheiro de caçada no Uruguai este ano um amigo produtor rural do sul do Estado de São Paulo. Tanto na sua propriedade como nas redondezas, os javalis estão impiedosamente destruindo as plantações. Abaixo ele conta o que se passou numa caçada.

Javali no pio

     Num sábado, um amigo cuteleiro apareceu em casa com o intuito de realizar uma caçada.      Imaginei que a caçada seria  nos moldes de sempre ,na espera em uma de minhas cevas, mas  o amigo me surpreendeu apresentando um “Pio para Javali”, francamente nem imaginava que existisse  tal objeto. Ele me mostrou como funcionava o tal pio de ruído que causa um som ensurdecedor.

     Como principiava  a chover, resolvemos fazer uso do”Piu” no dia seguinte pela manhã. Pelo que meu amigo disse, deveríamos primeiramente tentar localizar onde estavam os porcos e depois chamá-los.

    Propus  a ele que no dia seguinte deveríamos procurar as pegadas mais recentes da noite e seguiríamos até que sentíssemos o cheiro forte dos cachaços. Aí então seria a hora de usar o “Piu” e esperar que os tais aproximassem, e então era só puxar o dedo.

     No domingo pela manhã após o café partimos para o sítio, chegando ao local, pegamos o Neno, homem destemido e grande apreciador de caçada de porcos, e rumamos em direção ao mato.

  Pouco andamos e já defrontamos com a batida dos animais e  iniciamos a perseguição acompanhando o rastro fresco dos peludos. Fomos pela trilha cravada dos cascos dos javalis . Logo em seguida nossas narinas já começaram a denotar um cheiro forte dos bichos que estavam na beira de um banhado. Não podíamos vê-los,pois o capim era alto e difícil de adentrar, mas sentíamos sua presença.

    Sussurrei  para meu amigo cuteleiro: —Prepare-se que o pega será aqui.

    O cuteleiro tomou a frente na perseguição dos rastros em direção ao banhado já empunhando sua 30-30 win. Eu fiquei um pouco atrás com minha cal.12 com balote e o Neno do meu lado.     Até este ponto estava tudo dando certo como eu havia planejado, mas quando dei sinal para o cuteleiro soprar o Pio…

    Os bichos deram uma bufada e logo se aquietaram. Eu imediatamente falei :–

    –De mais uma piada que eles estão perto.

    Como disse, não se enxergava nada, pois o mato era alto, só ouvia o bater dos dentes mais nada. Então o  cuteleiro deu mais uma piada bem forte.

     Nesse instante senti que a coisa ficou preta e o bicho ia pegar! O Neno foi parar na copa dum pé de angico, eu joguei a 12 no chão , me agarrei e subi numa arvorezinha, pois com meu corpão não consegui subir numa árvore maior. O cuteleiro ficou meio paralisado e pálido , também em cima duma arvorezinha, depois de ter também jogado a arma no chão.

   Sem mentira, passamos um medo danado, os bichos passaram rentes as nossas canelas mandando as presas por todos os lados como querendo briga. E nós sem as armas nas mãos, ficamos desconsertados.

    O som do “Piu” imita o ruído de um leitão sendo esfaqueado e os javalis são atraídos enfurecidos como se fossem para se defender.

    A caçada nesse dia foi infrutífera, mas a experiência foi boa, pois pesquisando sobre o assunto, conclui que devemos primeiramente ir a um local onde se encontram os bichos, escolher uma árvore para subir e de cima soprar o “Piu” e aguardar.

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