JAVAPORCOS X CALIBRES


   Javaporcos x calibres

Numa região de alta produção de grãos, escaparam alguns javalis puros, estes acasalaram com porcos alongados. Devido sua rusticidade, fácil adaptação e seu alto índice de procriação, o aumento da população cresceu exponencialmente.

Formaram-se diversas varas de porcos que sistematicamente vem destruindo a lavoura, a mata e até animais silvestres. Na lavoura, faixas grandes de milho foram totalmente devassadas pelos porcos, na mata eles cavoucam e comem as raízes das plantas fazendo com que sequem. Ninhos das aves são saqueados, assim onde passam deixam seu rastro de destruição.

O único sistema de controle é a caça, que além de proporcionar grande quantidade de carne de boa qualidade, proporciona fascinante esporte.

Fomos para essa região conferir como se caça o Javaporco.

Primeiro dia chegamos à casa do Cristo, um CAC apaixonado pelo tiro esportivo com armas curtas e longas. A espera do almoço na fazenda foi com atrativas conversas sobre munição, recarga, calibres, etc.

Após o substancioso e saboroso almoço peculiar da fazenda fomos à procura dos javas. A caçada nesse dia seria com cachorro. O Cristo logo providenciou o embarque em sua caminhonete dos três cães, que foram levados para uma mata ciliar não tão longe da sede.

Sob orientação, ficamos colocados riacho acima e os cães foram soltos abaixo. Ficamos ali prostrados por mais de meia hora recebendo beijos cariciosos dos pernilongos e dos borrachudos. O Compadre pulou o riacho e ficou um pouco acima da minha posição. O chão estava coberto de folhas e não se divisava carreiros dos bichos, em todo caso, ficamos por ali na espera, escolhendo um ponto em que pudéssemos ficar escondido e ter um bom ângulo de  visão.

Algum tempo passou e ouvimos o primeiro latido. O compadre gritou de lá:

—Lá vem o bicho!

Eu posicionei a arma para fácil manejo, conferi o cartucho na câmara da semi automática cal.12 e fiquei atento para algum ruído.

 E nada de aparecer o bicho.

Mais um tempo correu e repentinamente ouço um estralo seco da carabina .44mag. do Compadre. Logo a seguir um barulho nágua parecendo um bicho ou um cachorro atravessando o córrego.

 Eu, na expectativa, muito ansioso,tive a visão e audição amplificada naturalmente.

E o bicho preto vem a toda, quando me viu deu os flancos para desviar e a doze ecoou na mata. O bicho rolou. Na ânsia de não perder despejei mais dois balaços. Foi o primeiro baletão slug, fundido por nós, que levou a vida do javaporco.

 Após verificação a.44mag. também acertou, porém não letalmente e não foi suficiente para neutralizar o bicho.

Interessante que o Javaporco não foi espantado pelos cães, ele veio sozinho do lado contrário aos cães.

Esta primeira saída já deu para analisar que o java é forte, mesmo um 44mag. poderá não segurar o bicho.

Na esfolação a conversa fluiu para a resistência absurda do animal e a discussão sobre os vários calibres próprios para deter o animal.

Mais adiante veremos mais sobre os calibres eficazes para os Javas.

A caçada à noite

Saímos à noite com uma picape, o compadre ia na cabina com o Grilo que pilotava, João e eu na carroceria. O farol de um milhão de velas ligado a bateria era muito bem comandado por João. A caminhonete percorria os caminhos das roças de milho colhido e o João ia fazendo a varredura com a possante luz. O primeiro porco a aparecer dei-lhe um tiro a grande distância de 30-06, mas o bicho foi embora ileso. Logo depois apareceram dois porcos pequenos e o Grilo finca atrás com a picape, num dado momento eles param e ficam posicionados de frente para o compadre atirar. Eu não pude atirar, pois a luneta pulou do trilho e ficou enroscada e  sem ferramentas para tirar. O compadre pegou a carabina. 357mag e lascou um tiro, mas passou por cima, pois ele deu mira cheia e estava regulada para flor de mira e os porcos se foram.

Depois disso meu compadre pega a doze com balote, nisso mais um porco grande passa correndo dando a retaguarda como alvo. O compadre pregou um balote nas ancas do bicho que descaderou-o, mas mesmo assim continuou fugindo, atravessou uma cerca e foi alvejado novamente sendo  derrubado com outro tiro da 12.

Embarcado o bicho, um cachaço novo e grande, que nem mesmo as presas estavam aparentes. Eles crescem rapidamente, pois a alimentação é farta e de boa qualidade.

A caçada continua, agora mais um belo animal cheio de energia se põe a correr fugindo desesperadamente. O Grilo seguindo o bicho pelas quebradas, esquecendo que estávamos na caçamba passando o maior sufoco para equilibrar com armas e faróis. Posso dizer que a picape atingiu 60kmpor hora e o porco correndo a uns 20 metros na frente, João disparou a.357mag , o porco simplesmente levantou a pata dianteira atingida e continuou na mesma toada correndo como louco. Eu de imediato com a 12 e emendei um tiro, o bicho rolou. Fomos verificar, o porco levou um tiro de. 357mag.  que quebrou a pata e o porco nem confiança deu, não diminuiu em nada a corrida. Só mesmo a grande energia do balote 12 foi que deteve o animal.

Após uma chuvinha de madrugada achamos que durante o próximo  dia  os porcos estariam vagando pelos milharais, já que eles apreciam muito a água. Saímos então ao encalço dos bichos. Rodamos por toda a lavoura, mas nem sinal de javas.

 Notamos onde eles escarafuncharam para refrescar do calor e se livrar dos parasitas do couro. Vimos diversas árvores com os troncos marcados de barro  onde os javaporcos se esfregaram.

Normalmente durante o dia os porcos se instalam no meio dos grandes milharais ainda em pé e o caçador se vê impossibilitado de alcançá-los. Só mesmo quando a colhetadeira está trabalhando o caçador fica na espreita e assim que vai acabando o piquete de milho é que a vara de porcos sai na correria para alcançar o mato e o caçador na espreita pode atingir alguns.

Podemos topar com algum porco durante o dia, mas eles ficam próximos à mata e assim que pressentem algum perigo adentram rapidamente ao mato.

 A próxima noite voltamos à procura dos bichos, fomos com o Cristo à busca dos bichos. Assim que começamos a focar pudemos ver diversos animais nativos: uma anta, um veado mateiro, um lobo guará e alguns lobinhos. Uma sensação de bem estar nos invade ao topar com essa fauna que ainda perdura.

Passamos por todo o milharal colhido daquela fazenda, aos sairmos deparamos com um porco que estava no pasto vindo da visita de um saleiro de boi. O bicho foi focado e estava a aproximadamente 150 metros, o compadre segurou no farol e o bicho começou a andar, eu já pronto só deu tempo para firmar na mira e disparar. Assim que saiu o estrondo da 30-06 o bicho desandou a correr desesperadamente, percorreu um trajeto em forma de L, sendo que quando dobrou o L e avançou para atravessar a cerca, o tiro do Cristo, que já estava fora da picape, ribombou. O porco  na correria não teve tempo para alcançar o mato e rolou como uma bola atingido pelo projétil . Naquele instante foi só festa, o belo tiro do Cristo foi aplaudido por todos.

Fomos para o local apanhar o bicho e vi que o compadre estava percorrendo alguns metros antes da queda do porco. Assim que cheguei ao local perguntei do ocorrido e o compadre disse que o porco tinha sido atingido e vinha perdendo muito sangue no trajeto que fez na fuga. Analisando o corpo do animal pudemos notar que o bicho tinha sido atingido no pulmão pelo meu tiro de 30-06 e foi detido pelo. 308 do Cristo que atingiu o lombo do animal.

Eu estava com dois tipos de munições, umas que foram por mim recarregadas com projéteis full jacketed boat tail e outras compradas com projeteis hollow point boat tail. Naquele momento ao invés de usar o hollow point , utilizei o full jacketed por engano.

Vale notar que os porcos são muito resistentes, não adianta utilizar projéteis que não sejam de ponta expansiva. Ouvimos relatos de caçadores que usaram o cal. 223 sem sucesso com projéteis full jacketed.

A última noite de caçada foi também elucidativa em termos de calibres usados no abate dos suínos.

Saímos em duas caminhonetes, as duas com faróis de mão fazendo a varredura dos milharais colhidos. O frio estava impossível de suportar, tivemos que caçar dentro das cabinas dos veículos.

Logo avistamos um porco que estava no jeito de atirar. Eu tinha deixado o ferrolho da arma aberto, rapidamente fechei o ferrolho fiz a mira e disparei, só ouvimos a batida seca de ferro com ferro, não tinha entrado bala na agulha. O porco correu e ouvimos um tiro e já não vimos mais o porco. O Grilo saiu em disparada com nós agora na traseira da caminhonete, pensamos que o porco tinha fugido, mas não, o filho do Ede tinha atirado com um balote cal.20 knockdown da Fiocchi e o porco não saiu do lugar. Ao saber do porco morto, imediatamente voltamos à cabine, pois o frio de 6 graus com vento dava sensação térmica abaixo de zero grau.

Notamos que a curta distância o ideal mesmo para deter um javaporco é uma calibre 12 ou 20 com balote. O calibre .357mag.não é suficiente para deter o animal na corrida. O .44mag é bom se atingir  região letal , mas o que tem dado melhor resultado é o .30-30, o .308 , o 30-06, todos com munições de ponta expansiva. Vale dizer que a curtíssima distância até com faca se mata o bicho, o problema e detê-lo na corrida para que não fuja para o mato machucado.

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