Joaquim Bentinho "O queima campo"


Joaquim Bentinho –”Oqueima campo”

Tietê ,minha terra natal, e também do famoso escritor e poeta Cornélio Pires, todo ano ele é comemorado, em agosto com uma semana de eventos , personagem este que também foi o precursor da música sertaneja no Brasil.

A criação do personagem Joaquim Bentinho, deve-se a Cornélio Pires e o termo “queima campo”(mentiroso) popularizou-se pelo Brasil afora, por conta de Cornélio Pires.

Uma ocasião no Terreiro da fazenda Velha , ao por do sol, Cornélio começou a narrar aos caipiras ali presentes os principais episódios da vida do maior sertanista da época, Gal. Couto de Magalhães, precursor do Gal. Rondon. Falava Cornélio das caçadas do Magalhães e quando descreveu o rio Paraguai, referiu-se das piranhas, que em minutos devoravam um cão que caísse da canoa. Joaquim Bentinho-O queima campo, meteu a “colher torta na conversa” O mentiroso ajeitou o toco de cigarro atrás da orelha direita e começou:–Piranha, o rio tem muito…..mas in lagoa! Chii….é deperpósito…—Mas o instinto nos irracionais é extraordinário. Os animais evitam lugares…—Isso é verdade- interveio o Bentinho. E continuou: —Eu já ponhei reparo.. Nas contenda tem um lagoão no meio do campo, aberano um matão de légua e tanto. De ua feita que andei caçano por lá, onde hái um mundaréu de caça de pelo…de pena nem é bão se falá. Tem minjolinho, batuíra, jaçanã, passoquina, socó boi, frango dágua, uierêro, garça, marrequinha, pato do mato, saracura…

—Eeeh! Nhô Joaquim… u bem mecê fala de passarinho u bem das piranhas!

—Já vai…Arreparei no gado quano vinhum vino bebê água, na lagoa num pude sigurá…Rolei dá risada!

—Por que?

A lagoa tinha mais piranha do que as paraguaia casteiana…Arreparei no fucinho dos boi e garrei a sirri tanto que inté os boi oiaro cum réiva pra mim…

—Mas por que se ria?

—A boaida do home tava tudo sem beiço…tudo reganhado cumo coisa que tavam dano risada! Piranha tinha comido os beiço dos tar..

—Sim, senhor! Mas como é que você há pouco concordou que os animais sabem-se defender.

—Isso é agora que vai… Eu tava lá; o sór tinha esquentado. Sentei nua sombra do lado do mato e de repente garrei escuitá um guaiuá de macaco. Era ua prosarada de mico e eu se encolhi e fiquei de tocaia. Quiria ver se os tar tavum sem fucinho u tudo maneta, cumido de piranha. Num levô sete minuto, pareceu o bando…Mais fiquei xavié…Tavum tudo prefeito. Num tinha nenhum lejado! Garrei espiá. Quiria vê os apuro dos tar no bebê áua. Eu bem vi que as piranha tavum ferveno num cardume, reberberano no fundo dáua… Ói…vacê pode aquerditá! Foi a coisa mais esquesita deste mundo. Os mico foro chegano, tudo de pezinho que nem gente, ficaro infilerado na bêra dáua e cada um tiro de baxo do sovaco um canudinho de taquari, de parmo e tanto e garraro chupá áua pro canudo, sirrino do lôgro que pássaro nas piranha!

Livro: Antologia Caipira—-Desenho de Eloir M Marcelino

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