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Lagoa Paraguaia


Década de 60, acampamento montado na beira da lagoa paraguaia, hoje engolida pela represa do Paraná, caçadores e pescadores reunidos depois de um dia de pescaria tomavam sua pinguinha de alambique aguardando o jantar.  Casais de papagaios gorjeando cruzavam o céu em direção às suas pousadas anunciando a proximidade da noite. A lagoa estava calma sem ventos, alguns peixes boiavam alimentando-se dos insetos.  Pernilongos estavam apostos para mais um ataque costumeiro a sangue novo na boca da noite. A lua cheia, preguiçosa a surgir, deu tempo para o Edson convidar o Zé Monteiro para sair de barco sondar qualquer que fosse o bicho. O Zé imediatamente topa e os dois saem com o barco de cedro que estava aportado na margem. Os dois navegavam calados margeando a lagoa num remar cauteloso tomando cuidado para não bater o remo no bote para não assustar os bichos. E assim iam com o celibim (farol) iluminando as margens e aguapés à caça de uma capivara ou talvez até uma paca. Logo dois olhos resplandecentes ao facho de luz são notados, o Zé segurou o bicho nos raios fortes da luz e o Edson preparou a cal.12. O barco ia aproximando lentamente do bicho, ofuscado e letárgico com a luz forte, permanecia imóvel dentro da água. Assim que o golpe de vista denunciou que era hora, a cal.12 roncou assustando diversos socós que dormiam nas árvores que margeavam a lagoa. Imediatamente o Edson larga a espingarda no bico do barco e passa a procurar a fisga para içar o jacaré, naquele desespero momentâneo bate com o joelho na espingarda e ela vai alcançar o fundo da lagoa. Desenxabido com o ocorrido e sem meios nenhum de procurar a arma na escuridão da noite, deixou seu chapéu na margem marcando exatamente o local do ocorrido. Noutro dia pela manhã,quando tomavam o café quente do fogão de lenha, o Edson chateado que estava por ter perdido a Beretta de cães que era de seu pai, contou o caso aos colegas. O Pivão, logo anunciou: —Quer apostar que eu tiro essa espingarda do fundo da lagoa? Sem duvidar, e nem mesmo sabendo como ele iria proceder, saíram logo pela manhã fria de cerração. Chegando ao local exato que estava marcado com o chapéu, o Pivão preparou um cambito de galho de árvore e perguntou ao Edson se a espingarda tinha bandoleira, respondeu que sim. O cambito amarrado a uma corda foi lançado no local tido como certo. Qual foi a surpresa que no primeiro arraste do cambito ele se prende a algo, auspiciosos puxaram a corda e a Beretta surge agarrada pela bandoleira. O Edson muito feliz agradeceu o Pivão por ter salvado a arma e da

 dura que iria receber de seu pai. Difícil foi descanhotar a arma, pois os cartuchos de papelão incharam e a arma não abria. Cuidadosamente, sem mesmo terem ferramentas especiais, retiraram a coronha e colocaram no sol. Para abrir forçaram um pouco e introduziram por dentro do cano uma vareta e com pancadas leves conseguiram abrir e retirar os cartuchos de papelão que estavam inchados. Tanto o cano como outras partes da arma já apresentavam ferrugem. Tudo foi devidamente enxuto, as partes foram untadas com óleo e a tão estimada Beretta estava pronta para outros desafios.




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