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Leão de muita sorte

  Assim contou um caçador profissional

Começo dos anos 90, estava caçando numa reserva no oeste da Tanzânia com um norueguês amigo e cliente, Harry voou para este paraíso da terra carregando um rifle novo Sako Safari calibre .375 H&H Magnum.

O rifle era tão novo que ele nem havia atirado com ele. Então lá na pista de pouso nós montamos um alvo sobre um dos inúmeros cupinzeiros que pareciam terra brotando. Depois que ele atirou várias vezes sem mesmo acertar perto do alvo, nós decidimos que ele deveria realmente praticar um pouco mais antes de atirar em algum animal.

O principal objetivo de Harry era tentar um leão de juba grande, e que o leão tivesse uma profunda aversão pelas pessoas que atiram em suas tripas.

Falei para ele que não falaria tudo sobre estas bestas até que eu tivesse razoável certeza do animal que ele iria encontrar para matar.

Agradeço muito por ter aprendido muito como caçador profissional e ser presenteado em aprender a recarga de munições e quem trouxe toda a parafernália necessária para recarregar seu próprio.375, então Harry estava ocupado reativando suas cápsulas vazias.

Depois de muitos dias de intensivo ensino os quais incluíram tiro seco centenas de vezes, nós logo encontramos um imenso cupinzeiro mostrando seu domínio. Usando um caule de grama longa nós calculamos 60 metros da nossa pedreira e como Harry atirou sobre meus ombros senti grande satisfação, pois não havia balanço no gatilho, como o top do alvo foi amassado eu cumprimentei ele dizendo que nós iriamos para a caçada do gato nó próximo dia.

O suave “jambo, Bwana Mkubwa” falado por longo tempo pelo companheiro e mão direita Hamisi acordou-me uma vez mais e logo depois ouvi o poderoso rugido do outro lado do pântano. Eu havia prometido pequena remuneração para o primeiro dos meus ajudantes que ouvissem um leão rugir. Eu até supus que alguns deles passaram a noite sem dormir.

Depois de uma xícara de chá apressada nós fomos em direção ao Cruiser. Nós tivemos que dirigir em volta até o fim do pântano sobre a pista de pouso e deixamos o veículo e continuamos à pé o restante, o qual fizemos em menos que uma hora. Andando ao longo da margem do pântano nós entramos em uma área com partes queimadas de grama, quando um baboon subitamente soou um alarme em qualquer lugar em nossa frente. Nós não havíamos ouvido nenhum som de leões, então eu pedi para meu pisteiro subir em uma pequena árvore para ver se havia algum sinal de gatos.

Ele com dificuldade subiu alguns metros e desceu escorregando com os olhos estarrecidos de medo e disse: Eles estão bem a nossa frente, dois deles imensos, foi tudo o que disse. Eu perguntei se eles eram machos ou fêmeas, mas ele só completou que eram grandes leões em pé atrás de um grande cupinzeiro. Mais que possível, sem fazer barulho, Harry e eu furtivamente atrás dos cupinzeiros espiamos cautelosamente através da esparsa grama crescida naquele lado. Lá estava não mais que 30 metros em pé um dos mais magníficos leões que havia visto.

Sussurrei para Harry que ele deveria deslocar até o ultimo cupinzeiro e atirar, ele fez enquanto eu espiava sobre seu ombro com os dedos em meus ouvidos. O homem deitou e olhando através da luneta e, a besta olhando para trás com uma expressão aturdida em seus olhos. Eu sussurrei para ele que atirasse, mas tudo o que ele fez foi ajustar a posição e fez o leão virar e andar poucos metros. O leão então virou e sentou-se sobre sua anca como um grande gato doméstico.

Lá estava um enorme leão de juba escura. Um troféu da vida sentado lá a uma distância de não mais que 30 metros, e meu cliente mantinha o na pontaria. Eu sussurrei desesperadamente para ele atirar, mas a única coisa que aconteceu foi que ele removeu uma folha de grama em frente de sua visão. Isto foi por mais tempo do que gostaria de lembrar até que finalmente o leão se levantou e andou rodeando a grama.

Antes de eu explodir, um outro quase idêntico, leão macho, saiu andando pela mesma grama queimada que o primeiro tinha ido e parou  apresentando o mesmo alvo fácil

Harry atirou? Naturalmente não! Ele somente olhou através de sua luneta e brincava em volta do top do seu cupinzeiro até que o segundo leão também andava. Nós assistimos eles sumirem nas várzeas

Eu sentei,com minhas mãos na cabeça tentando desesperadamente não dizer nada. Eu poderia arrepender tardiamente. Quando o homem ficou em pé de sua inclinada posição e disse: Que foi bastante tolo, foi ou não?  Eu não pude conter –me e explodi com uma torrente de palavras, muitas delas me envergonho desse dia.

 Em nossa volta ao acampamento eu disse a Harry que duvidaria que ele veria alguma coisa como aquela outra vez, ou mesmo ter uma segunda chance daquela.

Um par de dias após nós fomos dentro de uma área de baixas palmeiras em crescimento. O local favorece os leões com suas sombras. Nós estacionamos o veículo para que entrássemos à pé e pedi para meu pisteiro que levasse o veículo para o outro lado para salvar nos das andanças de volta.

Nós não andamos mais que 100 metros quando vimos debaixo de uma palmeira que andava um dos maiores machos de leão que eu nunca gostaria de me deparar! Ele andava vagarosamente a  curta distância, somente parou para urinar num tronco de árvore. Descaradamente mostrando a nós, meros humanos ,seu domínio.

Antes pude colocar meus dedos nos ouvidos. Harry apoiou seu rifle em meus ombros, mas eu empurrei fora. O gato estava em pé vinte metros longe de nós. Ele não necessitava de apoio para aquele tiro a curta distância.

Ele teve tempo suficiente para mirar, e outra vez o leão saiu andando, e eu comecei a ficar desesperado. Quantas chances perdemos?

 Caçadores clandestinos recentemente queimaram a área inteira, para facilitar a pistagem de animal para a janta.

 Subitamente meus olhos fez contato com um leão sentando bem escondido debaixo de uma baixa palmeira. Como o animal percebeu que ele foi descoberto, seus olhos arregalaram e veio para nós, rabo levantado dando chicotadas no ar, orelhas na vertical, rosnando num volume que podia até furar seus tímpanos e coagular seu sangue.

Desde que sei com experiências em leões com rabo acenando e orelhas em pé não finaliza ataque. Eu fiz a coisa calmamente e falei para Harry atirar. Mas ele congelou de medo. Quando o animal estava cerca de 3 ou 4 metros de nós peguei o chapéu do Harry, fantasiado de safari, e atirei no leão, ele deu meia volta e correu para o mato, com voz de aborrecimento. Assim que virei para meu cliente, eu encontrei ele petrificado cabelos em pé, calmamente falando “Bloody Hell” (Diabos) pra ele mesmo sem parar.

Ele me perguntou porque eu não atirei e, então descobriu que eu estava desarmado! Eu não havia levado minha espingarda preferida para trabalho com gatos a curtíssima distância, nós estávamos somente para uma pequena andada. Eu poderia pegar no carro se eu quisesse.

 Entretanto, perdi outro cliente norueguês por conta da narrativa que ele fez quando retornou para casa dizendo que o leão quase me comeu.

Os dias foram sem que nós encontrássemos um leão de valor pra tiro, porque não vou permitir pegar um leão dominante. Esse comportamento é tão comum hoje que isso leva para um decréscimo da população de leões. A maioria dos caçadores atualmente são conscientes do infanticídio entre os leões. Remover um macho dominante   infalivelmente outro macho mata a prole até idade de dois anos!

No meio da última noite dos 21 dias de safari, Hamisi mais uma vez me acordou, “Simba Bwana Mkubwa, Simba” Ele sussurrou e eu pulei da cama e acordei Harry. O rugido tinha vindo em volta da floresta. Eu dirigi o Cruiser em direção a única clareira com um pequeno lago. Nós estacionamos o veículo e aproximamos à pé. Chegando na clareira senti-me totalmente desanimado, havia uma densa névoa sobre toda área. Subi num cupinzeiro para tentar ver através do meu binóculos e quase caí do poleiro.

Havia dois grandes leões com imensas jubas deitados, suas cabeças eram visíveis mesmo com a névoa. Então corremos para as árvores que circundavam a clareira em direção a um outro cupinzeiro situado a 100 metros dos gatos. Eu imaginei que Harry  fosse capaz de acertar um atirando do topo do cupim.

Assim que nós subimos no pequeno cupim, imediatamente vimos que eles estavam deitados mais perto que eu havia estimado, não mais que 60 metros. Nós deitamos tentando recuperar nosso folego e o sol começou a levantar espantando a nevoa como  magia. A manhã estava esplendida. A umidade da noite fez com que toda folha de grama reluzisse como espada na aurora do amanhecer. Muitos pássaros acordando um a um fazendo serenata no alvorecer do dia.

Subitamente três Hartebeest apareceram na posição oposta da clareira, um grande macho acompanhado de uma fêmea e seu filhote. Andando devagar chegaram muito perto dos dois predadores. Harry e eu decidimos não perturbar a sena com um tiro antes dos gatos acordarem, e nós só ficamos curtindo o momento. Certamente alguém imaginaria que estávamos mentindo pois um troféu daqueles a curta distância. A resposta é completamente simples: Ambos Harry e eu somos éticos e não sentiríamos bem se havia outra alternativa para pegar o animal. Nós sabíamos que os leões não iriam rasgar de lá e seria naturalmente um fácil alvo quando ficassem em pé, então para que pressa? Harry tinha pelo menos cinco horas antes de retornar para seu voo.

Os Hartebeests mantiveram-se alimentando cada vez mais próximos das duas feras e não percebia-as. Os leões obviamente tinham enchido suas panças recentemente. Então, de repente alguma coisa aconteceu que nunca tinha ouvido. O maior dos gatos vagarosamente levantou-se e soltou um poderoso rugido. A intenção foi fazer o antílope conscientizar de sua presença, e entenderam. Eles não perderam tempo para fugir.

Eu falei para Harry atirar no leão em pé- ele estava mais longe que o maior dos dois e imediatamente ele começou a apontar, O rugido do .375 seguiu rapidamente, eu vi o projétil passar inofensivamente justamente acima da costa do alvo. O leão nem retraiu, Ele nem mesmo virou sua cabeça, mas começou acompanhar seu parceiro que tinha levantado, espreguiçou-se e começou a andar tomando distância das árvores. Falei para Harry atirar outra vez, dessa vez o leão reagiu do tiro virando e mordendo na direção do seu umbigo, um péssimo sinal de tiro nas tripas. Agarrei meu .458 e corri atrás dos dois gatos que tinham agora desaparecido atrás de um imenso cupinzeiro. Assim que eu contornei o cupim   vi um dos leões em pé a 100 jardas, naturalmente assumindo que estava machucado, então apressei o passo.

Subitamente ouvi um rugido à minha esquerda e lá estava o leão machucado a menos que cinco metros de distância. Eu atirei quase que instintivamente e corri como nunca em minha vida, sem olhar para trás, todo tempo parecia sentir  unhas me agarrando e tendo a impressão que longas presas estavam afundando em meus ombros. Eu parei de correr depois de pouco tempo e nada tinha acontecido, virei para ver o leão e vi-o deitado em seu lugar, morto. Meu pesado projétil tinha alcançado ele justamente no seu ombro. Depois descobrimos que o projétil de Haroldo tinha sido suficiente para abater o belo animal.

Eu realmente odeio abraços de homens, mas fiz uma exceção naquele dia. Harry estava em êxtase e eu também. Cantando nós carregamos o animal. Duas horas depois Harry estava voando sobre o pântano em se voo fretado.

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