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Livro Manual do Caçador de Francisco A. Varnhagen 1860




O Brasil proibiu a caça a longo tempo e continua a proibir, assim ficamos sem literatura condizente na área. Os leitores apreciadores do assunto ficaram marginalizados não tendo nada para se ler a não ser a coleção do Barros Junior que já está virando raridade.

Nas décadas de 50,60e 70 tivemos obras escritas, traduzidas e publicadas no Brasil e também reeditadas, mas desse tempo para cá pouca coisa foi acrescentada à literatura cinegética.

A caça é inerente ao homem, quando do descobrimento do Brasil os nativos já sobreviviam da caça. Os exploradores portugueses quando da entrada pelos sertões sobreviveram da caça e da pesca. Os portugueses foram os que introduziram as armas de caça, habituados nessa prática em sua terra natal aqui encontraram farta fauna onde se deliciaram com a caça.

De todas as obras sobre caça que lemos, uma me chamou atenção, foi o livro: Manual do Caçador, do autor Francisco Adolpho Varnhagen editado em 1860, talvez só encontrado na Biblioteca Nacional. Se não fosse o Cel. Trajano que me mandou um CD que copiou na internet de uma postagem feita por um português que fotografou todo o livro eu não teria essa obra, que do CD transformei num belo livro.

Adolpho Varnhagen era filho da portuguesa Maria Flávia de Sá Magalhães e de Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen, um engenheiro militar alemão contratado pela Coroa para construir os altos fornos da Real Fábrica de Ferro de Ipanema, na região de Sorocaba, na então Capitania de São Paulo, estudou no Real Colégio Militar da Luz, em Lisboa, e iniciou a carreira militar à época das Guerras Liberais, como voluntário nas tropas de D. Pedro IV de Portugal que lutavam contra D. Miguel I de Portugal.

Escreveu “Notícia do Brasil”, seu primeiro trabalho de história, entre 1835 e 1838. Suas pesquisas na matéria levam-no a localizar o túmulo de Pedro Álvares Cabral na Igreja da Graça, em Santarém. Foi admitido como sócio-correspondente na Academia de Ciências de Lisboa. Formou-se como engenheiro militar em 1839, na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho.

Varnhagen no capítulo 1do seu livro citado acima foi muito feliz no texto onde escreveu:

“O exercício da caça é indispensável ao selvagem para buscar o alimento,converte-se para o homem civilizado em uma distração lícita,com que dá trégua aos cuidados e trabalhos do espírito, robustecendo o corpo e geralmente o coração. Os passeios no campo,que ela ocasiona,são higiênicos,e o modo com que nela se ocupa o espírito do homem abastardo e independente o desviam do ócio ignavo, que não poucas vezes conduz à moleza e outros vícios.A caça é o simulacro da guerra,e para muitos heróis foi dela o tirocínio;e a experiência prova que geralmente os caçadores como os guerreiros,são sofredores,tolerantes e generosos.Foi seguramente por isso que Platão e Plinio a aconselharam,e que Lycurgo a recomendou à juventude na sua república.Além disso:nenhum exercíco dá ao homem melhor idéia da sua superioridade sobre todos os viventes,e por conseguinte nenhum é mais próprio a lhe infundir tão profundamente o reconhecimento que devemos ao Criador, que nos dotou com a inteligência que tudo avassala.

Por outro lado é neste exercíco que os homens mais se nivelam uns aos outros:ficando espostos aos mesmos perigos, e vestindo quase idêntico traje,só prevalece o verdadeiro mérito, nesta profissão, fundado no saber caçar e no valor. Por isso na antiguidade foi a caça considerada complemento essencial da educação dos reis e senhores…”

 A propósito, quando o texto lembra que a caça é o simulacro da guerra, lembrei-me do Coronel Óscar Cardoso que serviu em Angola e lutou contra os terroristas usando  o Bushmen (povo africano que chegou antes dos negros, que tinha uma habilidade fantástica para a caça) para caçar sorrateiramente os terroristas.

A saberdoria do Varnhagem era tanta que no final do livro, isto em 1860,  escreveu:

“Os veados podiam-se propagar por meio de coutadas;fazendo estas em grandes cercas ou tapadas,ou em ilhas distantes da terra.Esta prática seria ao país muito mais útil do que a de ter um pátio de bichos.Se algum dos nossos grandes proprietários quizesse destinar a uma semelhante tapada alguns contos de réis,poderia introduzir nela,não só os veados do país,como os da Europa e até algumas espécies do gênero Cervus da África e Ásia.”

Cedo alguns países  da África chegaram a esta conclusão  adotando como meio de preservação da vida selvagem a prática da caça. Exemplo disso é a África do Sul a Namíbia, que adotaram coutadas para caça , criando os animais, assim atualmente tem mais animais selvagens fora dos parques nacionais que outrora.

Tudo é uma questão econômica: se o animal não tem valor, como aqui no Brasil, ele então é desprezado, milhares deles são mortos nas estradas que não possuem local próprio de passagem. A agricultura acaba com eles por conta dos pesticidas, o desbravamento de terras destroi o  habitat, as megas culturas não permitem a nidificação das aves, sem falar que alguns agricultores envenanam os animais. As onças estão sendo mortas pelos pecuaristas por envenenamento das carcaças dos animais por elas abatidas, etc.

Só se dando valor ao animal selvagem é que se dá a conservação, porisso o Varnhagen a mais de 150 anos já recomendava a criação de coutadas no Brasil.

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