Marruco perigoso



Lá pelas terras de Goiás

Há cinquenta anos podíamos falar lá no sertão de Goiás, pois era uma região de grandes cerrados onde a lavoura era pouca e a criação de gado imperava. Atualmente tudo mudou, a região não é considerada mais sertão, e sim uma região de progresso com pleno desenvolvimento, as estradas que chegam às cidades todas asfaltadas, a lavoura tomou conta de tudo, só se vê soja, milho e cana, mecanizadas com máquinas agrícolas de última geração. A renda média dos habitantes aumentou, e muito. As cidades são movimentadas, veículos novos circulando e comércio a todo vapor.

Mas, não é só a agroindústria que impera, ainda existem pequenos produtores rurais que mantém a atividade leiteira, ou criação de gado mesclado com agricultura. É nessas pequenas propriedades onde ocorrem os “causos” que podemos contar, pois nas grandes propriedades é aquele mar de lavoura onde parece não existir vidas.

Uma ocasião, um Marruco, ou marruá-boi ou búfalo alongado, invadiu o pasto de um criador de vacas leiteiras bubalinas tumultuando o ambiente calmo da leiteria, derrubando cercas e ameaçando o gado do sitiante.

O providente sitiante, depois de grande esforço, conseguiu expulsar o invasor. No dia seguinte foi procurar pela redondeza se achava o dono do animal. Perguntou para diversos proprietários rurais e ninguém assumiu ser proprietário do Marruco. Assim sendo, ficou esperto, pois se aparecesse novamente iria pregar fogo no bicho. Preparou sua .22 long rifle semi-auto, tendo fé que iria derrubar o animal de quase uma tonelada, com a simples balinha, como fazia com suas vacas com tiro no centro da testa, imaginou que poderia fazer o mesmo.

Não demorou muito o enorme Marruco, com seus chifres recurvos, voltou a importunar o calmo ambiente. O Sr. Zé passou a mão na .22 semi –auto, com balas comuns da CBC, mirou a cabeça do animal, que nem fez cócegas, o bicho, mais assustado com o barulho do que a simples batida em sua testa, foi desocupando o local. O Sr. Zé, aproveitando a virada do bicho, soltou mais uma saraivada de tiros na região do coração e pulmões, mas que nada. O bicho saiu quebrando cerca e sumiu.

Passados uns dias, cortadores de cana passaram um perrengue com o búfalo gigante. O animal assim que saiu de uma pequena represa avançou sobre os trabalhadores. O serviçais afirmaram que o animal estava enlouquecido, com certeza injuriado com as perfurações pelo corpo.

Um açougueiro da região, sabendo do búfalo e, já pensando em ter carne para o açougue, rumou para onde sempre o bubalino frequentava. Chegou próximo do bicho e atirou, ele não esperava que o bicho fosse com tudo por cima dele, correu e entrou na picape. O búfalo mais enraivecido que nunca, baleado diversas vezes com diversos calibres não podia ver um ser humano. O Açougueiro safou-se mas, teve o veículo todo amassado pelo Marruco. O bicho perigoso, passou a odiar qualquer pessoa que cruzasse seu caminho, estava colocando em polvorosa todos os moradores da redondeza, passou a ser muito comentado, todos sabiam que para detê-lo teria que ser uma arma poderosa, pois já havia sido perfurado por variados calibres desde os .22 ao .30, balotes e nunca foi ao chão.

O pessoal amedrontado lembrou então do meu amigo esportista do tiro, campeão de muitos torneios a longa distância e grande aficionado de armas, possuidor de um rifle cal.458, o qual aceitou o desafio.

Por muitas vezes foi chamado para ir ao encalço do Marruco, mas quando chegava ao local o bicho já havia partido.

Um dia, ao ser chamado, saiu às pressas pra um canavial da região, junto com um amigo. Quando chegaram ao local onde se encontrava o Marruco, o bicho correu por um corredor de cana, seguiram o animal, com a picape, que corria dando chance de tiro só de quadril. Assim que meu amigo percebeu que o bicho iria entrar pela cana e se safar, disparou em suas ancas o poderoso 458 Lott. O estrondo foi grande pelos labirintos do canavial, o bicho caiu de quatro. Foi um tiro semelhante aos que os caçadores de elefantes fazem quando o animal se põe em fuga, acertam a anca do animal que fica imobilizado. A picape avança e o Marruco com uma energia incrível ainda ousa investir no auto, mas não consegue levantar, recebe então um tiro de misericórdia.

Ao courearem o bicho, qual foi a surpresa- acharam projéteis de todos os calibres: projéteis knock down, cal. .22, .38, .357 mag.. 30 e outros calibres mais. Meu amigo ficou estarrecido com o que deparou, nunca havia visto tantos projéteis de tantos calibres crivados pelo corpo de um animal.

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