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Munições velhas,o que fazer com elas?



 Munições  velhas, o que fazer com elas?

 Sabemos que munições muito antigas não detonam. Alguns leigos pensam que colocando-as no sol elas  adquirem vida. Porém, como toda regra tem sua exceção, não podemos confiar só porque são muito antigas.

Tenho um caso curioso a contar: certa vez um amigo trouxe um mosquetão 7mm, impecável, completo, com baioneta, tapa cano e algumas munições datadas da revolução de 1932. Eu, então com toda certeza de que a munição não funcionaria resolvi testar o ferrolho e, para não bater em vazio coloquei a munição sem mesmo retirar o tampão do cano, pois tinha absoluta certeza que não detonaria. Apontei para um gramado, pois como reza o ditado: “Não aponte nem mesmo descarregada uma arma para outra pessoa”, e puxei o gatilho. Que susto!  A detonação ecoou e nunca mais encontrei o tampão do cano! Notem que a munição tinha naquela época mais de 65 anos. Então, há que se cuidar.

Não podemos afirmar quanto tempo dura uma munição, pois depende do armazenamento, da umidade do ambiente, etc. Normalmente, bem acondicionadas em sacos plásticos fechados podem passar décadas.

Quando pegamos um lote de munições guardadas há muito tempo devemos colocar na arma uma ou mais amostras do lote e percutir. Se não detonarem podemos fazer uma recuperação e aproveitar a munição.

A maioria das munições com muito tempo de fabricação que encontramos atualmente são com pólvora sem fumaça, algumas como as munições 44-40 são ainda encontradas com pólvora negra. As carregadas com pólvora negra geralmente oxidam mais os estojos, mas suas cápsulas são perfeitamente aproveitáveis após uma boa limpeza.

O que estraga na munição velha é o iniciador (espoleta), diferentemente do que muitos pensam que é a pólvora a culpada. A pólvora, pode até perder um pouco da potência, mas não estraga com o tempo, isto se não forem molhadas ou umedecidas. Antes de reutilizar a pólvora retirada de cartuchos antigos faço um teste para ver se estão queimando perfeitamente botando fogo com cuidado numa porção pequena. Se queimarem bem e rápido está ok.

Para recuperar essas munições teremos que trocar a espoleta. Se forem cartuchos de caça que não funcionam, a maneira mais segura de trocar a espoleta é desmontar por completo o cartucho, que muitas vezes são de papelão. Não é fácil desmontar cartuchos de caça, pois não existe martelo de inércia que funcione para esse caso. Alguns cartuchos antigos de papelão são carregados de fábrica com buchas prensadas de pó de serra parafinado, aí não se aproveita a bucha e é complicado sua retirada.  Um amigo usou de uma artimanha para trocar a espoleta de cartuchos sem desmontar. Na verdade, não recomendo esse método, já que é arriscado. Ele faz da seguinte maneira:  com uma chave de fenda com a ponta bem afiada vai forçando a retirada da espoleta como se tirasse uma tampa de lata de tinta. Antes de retirar as espoletas dos cartuchos deverá constatar que nenhum deles detonam. Mas, a operação mais arriscada não é a retirada de espoleta velha e sim a colocação da nova que terá que ser batida. Então, não aconselho ninguém a trocar dessa forma as espoletas de cartuchos velhos.

Os cartuchos de fogo central devem ser desmontados com um martelo de inércia e depois com a prensa de recarga retirar as espoletas. A maioria dos cartuchos antigos tem os bolsos das espoletas no formato Berdan, então há que furar no centro dos bolso e consequentemente o furo elimina a bigorna. Os cartuchos brasileiros antigos nos calibres 45, 44-40,7mm tem seus bolsos maiores que os das espoletas box large atuais, consequentemente as espoletas atuais ficam folgadas. A solução nesse caso já é mais trabalhosa, tem que fechar os bolsos dos cartuchos com uma ferramenta especial e aí sim poderá ser colocada a espoleta boxer.

Tanto a pólvora como os projéteis podem ser aproveitados. Os encamisados não sofrem nenhuma alteração com o tempo, já os de chumbo podem perder ou ressecar a lubrificação, então pode-se trocar o projétil ou passar um lubrificante na ranhura e usar o mesmo. A pólvora pode ser usada a mesma, só  as pólvora negra que descartamos.



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