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Não se deve ao homem a culpa de caçar


“A morte é essencial, porque sem ela não há autêntica caçada, em suma, não se caça para matar senão ao revés, se mata por ter caçado”.    Em Portugal, próximo a uma metrópole, um caçador todo final de semana pegava seu cão e ia ao bosque, soltava seu cão levantava a perdiz botava a arma na cara mirava e não atirava.    Um outro caçador inconformado de ver o caçador sempre voltar sem caça, seguiu-o e verificou como estava acontecendo os fatos. O cachorro amarrava com seu padrão de pointer, a caça  levantava e o caçador não atirava.    Um belo dia o inconformado seguiu o caçador munido de uma espingarda, e ficou escondido por perto. Quando a perdiz levantou, ele atirou e derrubou- a. Assim que consumou o ato, foi conversar com o caçador e perguntar por que ele  não tinha atirado. Ele respondeu ao inconformado que infelizmente ele havia acabado com a sua distração , pois aquela era a última perdiz que existia naquela redondeza. Assim sendo, não iria mais voltar naquele lugar.    O segundo caso, ocorrido em Minas há muito tempo atrás. Um funcionário resolveu passar uns dias na fazenda de seu primo da família Junqueira.    Já no dia seguinte de sua chegada, no domingo seria o dia de caçada ao veado, então foi preparado todo aquele aparato, cachorrada desassossegada cavalos relinchando e cada um deveria montar num cavalo munido da espingarda e quando o veado saísse a perseguição se  empreenderia.  O  primo da cidade foi escalado para tomar a dianteira ao veado. Assim que o bicho foi desentocado da grota de mato pela cachorrada, o visitante saiu em carreira e emparelhou com o veado e desferiu um tiro certeiro no pescoço.    Quando voltou feliz com o troféu, esperando os cumprimentos de todos, deparou  com cara amarrada dos participantes,todos saindo do local sem dirigir-lhe nenhuma palavra.    Voltou para casa e lá perguntou ao seu primo o que teria feito de errado, pois pensava que iria ser recebido com júbilo e simplesmente foi desdenhado. A resposta foi que aquele era o último veado que existia por lá e uma vez por mês eles soltavam  a cachorrada para uma corrida e ele estragou tudo!    O ímpeto de um caçador muitas vezes sobrepuja o esquema dos outros, nem por isso devemos condená-lo, pois: “A simbologia de uma caçada é representada por uma flecha indo em direção à caça, mas raciocinando melhor a flecha deveria indicar em sentido contrário, da caça em direção ao homem, pois é ela que tange os sentidos venatórios do homem, sem este sensível toque cinegético sem dúvida não existiria o ato de caçar. Concluindo, a culpa não se deve ao homem de caçar e sim ao animal que é quem desperta este ato”.

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