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Nasce um caçador, como se nasce um poeta.


                                      Esta foto não tem nada a ver com a história abaixo.É só para mostrar como é uma zagaia. A foto foi retirada do web site do Sasha.

O primeiro livro de caçadas do Comandante H. Pereira da Cunha editado em 1949, fala sobre as aventuras de caçadas que participou em 1913, com o ex presidente do EUA Theodore Roosevelt, no pantanal Matogrossense.

Seu segundo livro sobre caçadas, intitulado: Caçando em África e olhando o mundo; no inicio ele cita um texto que achou num livro muito antigo italiano, que diz: ”Si nasce cacciatore, como si nasce poeta” e diz : É isto de fato, uma grande realidade, porque ao contrário do que geralmente pensam os que não são caçadores, o prazer da caça não consiste, de modo algum, apenas em matar os animais. Em uma tradução francesa do livro ”Paix et Bonheur” lê-se: Realmente, a morte do animal, seja ele pacífico ou agressivo, é a última das coisas, e talvez sem ela fosse a caçada ainda mais interessante. A beleza dos lugares a que é levado o caçador; o contato com a natureza, exuberante às vezes, agreste e até agressivas, todo esse conjunto é que torna empolgante o esporte da caça, para o qual nem todos possuem as mesmas aptidões.

Sempre que converso com pessoas mais jovens, muitos deles ficam eufóricos em ouvir nossas histórias de caçadas e relembram seus avós que caçavam, e lastimam muito não poderem mais praticar este esporte. Muitas dessas pessoas nasceram para a caça e não podem praticar, por causa da nossa burra e retrógrada legislação proibitiva. Estes jovens, que poderiam estar deleitando a natureza, não tendo outra opção, muitas vezes encharcam de cerveja nos bares.

Transcrevo aqui uma emocionante caçada de onça relatada no livro Viagens e caçadas em Mato Grosso do autor acima citado.

….. “Nós já tínhamos encontrado com uma onça acuada no chão; é verdade que era uma onça de extraordinária bravura e que o local era dos mais desfavoráveis para o caçador; aqui o lugar não era sujo,era um acurizal baixo e onde se podia ver o animal a uma certa distância;em compensação, o macharrão que íamos enfrentar era muito maior, Creio que, se ficássemos bem atentos,teríamos ouvido o bater nossos corações…Com a máxima cautela, os dois zagaieiros à frente, o Nelson entre eles, eu e o Gomes logo atrás, o camarada fechando a retaguarda,nessa ordem de cunha inversa, penetramos no acurizal. Não andáramos muito quando um zagaieiro, como da outra vez, mas agora dirigindo-se ao Nelson e apontando para o chão , indicou o animal acuado e raivoso.

Mais dois passos para a frente e um espetáculo sublime oferecia-se aos olhos dos caçadores. A denotada cachorrada, com os pelos eriçados e os dentes à mostra, latindo com fúria e raiva, acuava um enorme macharrão, que entre sentado e de pé,com as costas protegidas por um acuri, a boca escancarada donde partiam urros de guerra, as presas ameaçadoras a descoberto,os braços abertos e as fortes garras saltadas, fazia frente aos valentes cães.

A fera não nos dava a frente, e o Nelson, sem perder tempo, procurando atingir a coluna vertebral perto do crânio, visou um pouco atrás do maxilar e um pouco acima, fazendo partir o tiro; o animal rolou por terra e a cachorrada avançou; rápido, porém uma nuvem de poeira levanta-se, os cães afastam-se, e o macharrão reerguendo-se procura apanhar um deles; mas ,o nosso grupo também tinha avançado,e o macharrão, deparando com ele, salta sobre um dos zagaieiros.

A enorme força e o grande peso do animal enfurecido deveriam dominar o valente zagaieiro Coriango; este homem já havia morto muitas onças como zagaieiro, e sua grande prática de muito lhe valeu nesse momento crítico; assim com grande calma e perícia, recebeu o macharrão na ponta da zagaia, e por tal forma que o derrubou por terra..”.

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