Nos campos do Uruguai


Uma tardinha, após termos andado muito pelos campos, o Rafael, mochileiro experiente da pousada, convidou o Bill e o Jim para uma caçada à noite de lebres. Naquela época ainda era permitida a caça à noite com farol.

O Bill me convidou prá ir, mas o Jim também iria, como na caçamba da caminhonete só dava mesmo para acomodar dois caçadores eu me recusei. Mas o Bill insistiu e o Jim disse que iria só para ver, assim sendo aceitei e o Jim foi na cabina com o Rafael.

O Bill me passou alguns cartuchos espanhois calibre 20 com chumbo numero 5 e 24 gramas . Coloquei-os no bolso do blusão de nylon  e pegamos a estrada com o Rafael ao volante.

Antes de sair perguntei ao Rafael qual seria o tipo de vegetação que iríamos percorrer no encalço as lebres, e ele me respondeu vagamente que seria numa plantação.

Logo chegamos ao local, para meu espanto era uma plantação de trigo ou aveia, não me lembro bem,as plantas estavam numa altura de uns cinco centímetros, até falei ao Rafael que iríamos pisotear a plantação.

Assim que o farol foi varrendo a noite escura deparamos com os olhos resplandecentes das  lebres. Nós, Bill e eu apostos sobre a caçamba. Eu com uma de dois canos cal.20 e o Bill com sua semi auto cal.20.

O Rafael passou a perseguir as lebres com o facho de luz, elas não paravam no foco , naquele zigue-zague, correrias e brecadas, quem diz de acertar as tais. Eu estava do lado direito da caçamba e o Bill falava: —Shoot,shoot e o Jim dentro  da cabina, torcendo, gritava quando acertávamos:– Good shot. Aquilo foi um tiroteio. A emoção era forte demais, pois atirar num alvo que corre, sobre um veículo movendo imprevisível em qualquer direção, não é nada fácil.  

Mesmo assim conseguimos apanhar diversas e até um zorrilho menos precavido.

Mas, não terminou tudo só em emoção não, no dia seguinte foi completado com sabor também, comemos lebres ao vinho tinto com arroz que o João Paulo maravilhosamente nos preparo

Assim como as perdizes povoam os campos do Uruguai, também acontece com as lebres, elas são bem grandes e  caçadas profissionalmente.

 Já deparamos pela estrada caminhonetes que ostentavam em suas carrocerias centenas de lebres penduradas, sendo levadas para o frigorífico, onde seriam esfoladas e a carne embalada para exportação à Europa.

 A caça normalmente feita pelos próprios moradores com carabina .22 é uma forma paralela de  receita familiar.

 Anos atrás essa prática era permitida à noite, porem de uns anos para cá foi proibida.

 Nos campos do Uruguai, na jornada de caça à perdiz, o caçador esportivo chega até a assustar quando se prepara para atirar uma perdiz e é surpreendido por uma criatura veloz que saí a toda de seu esconderijo correndo pelo chão sem chance de ser apanhada pelo cão. Mas, a malícia e a destreza do caçador que está atento a qualquer alvo seja no chão ou no ar, aponta na direção da lebre e num ato automático, sem pensar, elege um desconto à frente do bólido e dispara.

O coração do caçador exacerbado pela emoção passa a pulsar um pouco mais lento, a alegria  inefável mostra o que aquele ato representou.

Mas é esporádico, nem sempre o caçador depara com lebres durante o dia.

Estávamos numa temporada de caça na pousada do João Paulo, juntamente com os amigos americanos Bill e Jim.

u.

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