O cartucho e a espingarda


Um belo dia, o cartucho intrigado com a espingarda que vivia aparecendo nas mídias sociais, resolveu dar-lhe um cutucão e desafiou-a a uma discussão:

---Espingarda, você pensa que é a dona do pedaço, vive aparecendo nas redes sociais nas mãos dos internautas, sendo que eu nunca sou lembrado.

Espingarda responde ao cartucho:

---Pois é seu cartucho, você não é lembrado, pois não tem nenhuma importância, qualquer cartucho que é metido dentro de minha câmara atira!

---Nada disso dona espingarda, o cartucho é a coisa mais importante no tiro, se não tiver um bom cartucho com boa velocidade e pressão ideal, o tiro não será confiável e não cumprirá sua meta.

---Que é isso seu cartucho, o que vale são os canos da arma e o aparelho de percussão, se não se percute a espoleta não sai o tiro e, se os canos não forem direitinhos com choques apropriados o tiro não servirá pra nada!

---Dona espingarda, você está parada no tempo, diga pra mim quanto tempo que as espingardas são da mesma forma, não mudou em nada, não progrediu. O aparelho de percussão é o mesmo, os canos são os mesmos!

---Senhor cartucho, não zombe de mim, nós progredimos muito, atualmente temos os choques recambiáveis, que não existiam antigamente, as armas são mais leves, os aços aguentam mais. Agora já está saindo espingarda em que a perfuração do cano segue desde a saída da câmara até a boca do cano com conicidade uniforme, dando assim uma distribuição da chumbada simplesmente espetacular.

---Que nada dona espingarda, nós cartuchos que sofremos grandes mudanças. Antigamente os cartuchos eram de papelão, não aguentavam, não resistiam muito a recarga, cortavam junto ao culote. Atualmente eles são de plástico, alguns são totalmente plásticos e resistem muito mais que os de papelão. Também são resistentes a água. As buchas sofreram grande revolução, há tempo são de plástico com efeito pneumático e protegem na deformação do chumbo ao ser pressionado pelo choque. As pólvoras também tiveram grandes mudanças.

---É, mas eu sou um objeto de arte. Todos me admiram, pois sou trabalhada, bordada, muitas vezes até em ouro, você cartucho não tem nenhuma beleza e nem necessita, pois assim que é usado é descartado, eu não, sou guardada com carinho após ser limpa e lubrificada!

---Espingarda, você está abusando de mim, pois de que serve uma arma bordada, lindíssima quando em pleno trabalho de campo em que o cachorro agiu magnificamente ao levantar a ave o cartucho falha!

---Mas isso não pode acontecer, e se acontecer é raríssimo! Disse a espingarda ao cartucho.

O cartucho retruca: --- Por aí você vê a responsabilidade do cartucho que tem em não falhar de hipótese nenhuma. Portanto o cartucho é a coisa mais importante no contexto espingarda cartucho!

---Você pode até ter razão, mas o cartucho por si só não acerta a ave! Eu tenho a coronha com a queda certa para cada tipo de caçador, ele leva à cara, encosta ao ombro e aponta em direção à caça e já era uma caça!

O cartucho, infelizmente não teve mais argumentos para debater com a espingarda. A discussão estava que nem o caso da galinha e o ovo para saber quem nasceu primeiro.

A conversa acabou numa boa, pois ambos aceitaram as razões de um e de outro e entenderam que um não pode existir sem o outro e os dois juntos formam um par que sempre deverá estar bem sintonizado!

Resolvi escrever esta curta graça sobre o cartucho e a espingarda, pois o cartucho sempre me atraiu. Ele carrega uma energia não só potencial intrínseca que só é transformada em tiro quando acionamos o gatilho, mas também um vislumbre vibrante de euforia que aflora no ato de colocá-lo na câmara da arma e na retirada ainda quente exalando fumaça de gases perfumados!

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