O Homem gato retorna- por Sasha Siemel -Revista Outdoor life de 1967 (Parte-1)

Artigo publicado na revista Outdoor life em 1967

Sasha Siemel morou e caçou no Brasil,  foi muito citado em livros de linhagem cinegética e nunca teve seu livro publicado em nossa língua. Agora, Rodrigo e eu conseguimos a licença para publicação do livro Tigrero de sua autoria. Deverá sair agora em 2014

Enquanto isso fiquem com um aperitivo do que foi o Sasha.

O Homem Gato retorna – Por Sasha Siemel  Publicado em 1967 na Outdoor life (USA)

Fiz a tradução, mas confesso que não sou muito bom nisso.

Eu matei 31 onças com a zagaia. Agora retorno em cena.

Matei minha primeira onça, o grande gato malhado que caçadores dos EUA conhecem como Jaguar, no centro este do Brasil em 1919.

Nestes 48 anos eu peguei quase 300 desses grandes gatos com arma, 14 com arco e flecha e 32 com uma zagaia de mão. Adicionando a isso tudo eu guiei esportistas para mais 100 outras onças serem caçadas.

As 31 onças abatidas com a zagaia me deu muita emoção e satisfação que todo o restante que peguei,  também mantive minha reputação como um caçador. Eu sou o Tiger Man do livro de nome intitulado Tigrero. Através destes anos tenho tido informação que nos EUA e na Europa, que sou o único homem branco que aprendeu até hoje a matar os grandes felinos com zagaia. Das 31 que cacei eu não me lembro de nada melhor de uma que lutei na fazenda do meu amigo José Barros. A onça feriu dois peões até a morte.  Foi a única onça que brincou de gato e rato comigo. Eu era o rato.

Isto foi anos atrás, mas este verão estou indo para uma caçada de onças uma vez mais. Com relação ao tempo esta história aparece escrita. Estarei deixando minha casa em Green Lane, Pennsylvania, para o Brasil, onde guio esportistas americanos os quais gostam de caçar comigo no verão. Minha preferência será a mesma fazenda. O Senhor Barros já faleceu, mas seus filhos cuidam da fazenda. Somente no último ano tive notícias que mais uma vez eles estão perdendo gado para as onças. Então me convidaram a voltar para caçar, o convite soou como o clarim para um cavaleiro. Quando eu cheguei a Mato Grosso em maio, a fazenda do Barros  foi a primeira que visitei. Se os grandes gatos malhados assassinos estão em quantidades como eram antes, será o lugar onde caçarei quando meus clientes chegarem. Eles usarão armas, com certeza, mas antes da caçada acabar eu espero pegar uma com a zagaia.

Será minha última caçada. Eu fui um caçador e um soldado da fortuna a maior parte da minha vida. Eu nasci na Latvia, fugi dos laços de Edith. Nesses últimos anos tenho ido sozinho.

Três anos atrás eu comprei uma velha, usina em Green Lane,Pennsylvania, e converti-a em um museu para guardar meus troféus e coleções. Desde então eu tenho gerenciado no verão e palestrado no inverno. No último inverno eu apresentei filmes em mais de 120 audiências.

Eu posso não ser completamente tão forte ou rápido nos meus pés como eu era quando zagaiei a minha primeira onça, mas eu sei muito mais agora sobre zagaiar onças que sabia antes. Antes de eu comprar minha cadeira de balanço e me estabelecer na varanda eu quero sentir pela última vez as garras em fúria em minha zagaia e sentir a emoção do combate cara a cara com o magnífico animal incomparável a nenhum outro. Eu quero simplesmente caçar outra vez nos grandes pântanos onde eu lutei com uma onça que  matou dois homens.

Assim que ouvi falar desse Jaguar quase lendário; caçadores tem o costume de exagerar suas aventuras nas remotas fazendas do Brasil tal quanto nas matas de peru da Pensilvânia. Já que esse animal é astuto em matar pode-se tornar uma lenda em pouco tempo.

Por um tempo eu menosprezei as histórias desses jaguares. Os contos perfilavam como os mais ousados malvados e inteligentes gatos do Mato Grosso. Matadores pelo prazer de matar, que raramente eram vistos na sua espécie.  Falavam que ele nunca retornava a carcaça para se alimentar e que teria aprendido emboscar cães deliberadamente. Tudo parecia muita onça para ser verdade.

Meu amigo Sr. Barros tinha me feito um favor e quando ele mandou notícias que necessitava de minha ajuda, eu tive que ir. Eu cacei em outra fazenda cerca de 200 milhas de lá, onde havia naquele tempo muitos matadores de gado. Mas esta vez troquei para ir à fazenda do Barros.

Meu amigo ficou contente em me ver, mas estava desapontado porque eu não tinha trazido meus cães. Ele queria que eu matasse a onça sem demora. Ele me falou que o grande gato estava tão ousado que estava levando gado do curral perto da sede da fazenda. Quando era corrido pelos cães, raramente escalava as arvores e nunca parava em árvores que desse tempo ao atirador colocá-lo dentro da mira. O animal tinha matado muitos cães, e os caçadores locais não mais o caçavam.

Finalmente o matador fez um ataque sem provocação a dois dos vaqueiros do Sr. Barros, matando um e machucando o segundo que logo depois morreu.

Como o Sr, José contou a história, os dois homens tinham saído a cavalo para trazer um boi gordo para abate. De uma distância, os dois homens viram corvos sentando numa carcaça. Eles aproximaram cuidadosamente e encontraram uma vaca parcialmente comida por uma onça.

A carcaça estava ainda quente e enquanto eles permaneciam em pé conversando o gato saiu da mata e irrompeu um feroz ataque sobre eles. Não tiveram tempo de sacar o revolver que todos os vaqueiros  carregam.

A onça bateu forte derrubou um com selvageria e cravou suas garras, enquanto o outro puxou sua arma e disparou duas vezes na onça, mas errou os dois tiros. Excitada a onça voltou-se para ele e matou-o rapidamente num feroz ataque. Deixando o homem morto e desapareceu dentro da mata.  O homem machucado procurou montar em seu cavalo e seguir para casa. Ele foi muito ferido e morreu na noite seguinte.

Este foi um raro comportamento de onça, eu sei de poucos casos de ataques não provocados e dois casos verdadeiros de homens serem comidos. Na maioria dos casos os grandes gatos quando caçados com cães preferem fugir se puderem. Se ele for acuado no chão lutará, mas a regra geral é não perturbar você se você não o incomodar.

Um ajuntamento de gado foi feito no dia seguinte que cheguei a Fazenda do Barros e decidi dar um giro pela fazenda. Antes de decidir a caçar o matador de homens, eu queria olhar o lugar.

O pantanal é um lugar do Mato Grosso onde há terra firme e planícies de gramas dotados de caminhos de matas. Carros de bois com duas rodas eram o método comum de transporte, as rodas tinham que ser altas para livrar dos altos formigueiros. O pantanal é inundado somente durante a época das chuvas as quais começam em dezembro ou janeiro. A temperatura é muito quente e úmida, os pernilongos são horríveis e não dão trégua para caçar. A chuvas terminam  em março ou abril ,e dentro de um mês com exceção dos rios e lagos permanentes a terra fica seca. No inverno os dias tem temperaturas suaves e as noites frias, sendo ótimas as condições de caça. Era junho. Não teria melhor época para o que pretendíamos fazer.

A fazenda do Barros era do tamanho de duas ou três pequenas cidades americanas, com aproximadamente cinco mil cabeças de gado distribuído sobre ela. A maior parte do gado era da raça Brahmas ou cruzamento de Brahmas com gado Espanhol que foram trazidos séculos atrás.  O gado de Mato Grosso sofre para sobreviver, tem que enfrentar os jaguares, jacarés e ferozes pernilongos, muitas vezes precisa pastar debaixo da água no tempo das enchentes e podem morrer de sede na época das secas.

Nosso trabalho naquele dia foi rodear a manada e dirigi-los para o curral principal da fazenda para serem classificados e marcados. O mangueirão era muito parecido com os currais do nosso oeste americano. Eu percorri a fazenda com dois vaqueiros que conheciam bem a fazenda. Eles eram amigos dos peões que foram mortos pelo jaguar e me falaram muito sobre o ataque.

Enfim nós terminamos de reunir o gado, dois ou três aqui, uma dúzia prá lá. Eu vi o suficiente para me convencer que a caçada seria boa, urubus estavam por toda parte e encontramos duas ou três velhas carcaças que os jaguares abandonaram.

Estaríamos de volta para um descanso em poucas horas, quando o restante dos funcionários chegasse com suas cabeças de gado iríamos para a sede da fazenda. Foi bem até que nós estávamos quase na sede.

O que aconteceu então é difícil de acreditar. Nós estávamos dirigindo o gado passando um caminho de mata fechada a menos que 300 metros da sede da fazenda quando houve um súbito rosnado, o jaguar aproveitou do esconderijo da mata e saltou sobre um garrote e derrubou o animal. A manada escapou em todas as direções. Foi um estrondo do gado que eu nunca tinha ouvido.

Os vaqueiros deixaram o gado correr, mas depois gradualmente conseguiram controlar, trabalhando os animais num grande círculo. Dirigiram a manada para um curral oposto ao principal. Ao por do sol quando o trabalho estava completo eu me dirigi com mais dois homens para o local onde a onça atacou o garrote.

Nós não estávamos armados para caça, então nenhum de nós apeou do cavalo nem chegamos muito perto da cena. De cima do cavalo vimos as pegadas de diferentes tamanhos, provavelmente seriam de um macho e uma fêmea de onça. O ousado ataque tão próximo à sede da fazenda enquanto a mandada estava sendo levada pelos vaqueiros foi fantástica. Eu nunca soube que um jaguar fizesse alguma coisa como isso. Mas o senhor Barros e os vaqueiros não estavam surpresos, não era fora do comum, afirmou o Sr. Barros. Eles estavam certos que o matador de homens atacou o garrote porque perdeu todo o medo dos homens. Eu deixei para o outro dia pegar meus cães. Eu tenho uns oito atualmente, alguns deles de pura raça que eu comprei nos EUA, alguns mestiços, todos bons cães onceiros. O melhor de todos foi o mestiço chamado Raivoso que eu consegui numa fazenda de gado no Brasil. Raivoso tinha um bom nariz que nunca tive outro igual. Ele era bom na perseguição como cão de árvore. Quando o gato acuava, ele sabia como manter suficiente distância para se manter salvo do ataque. Há outra coisa que os cães devem se cuidar no pantanal, são os jacarés, e Raivoso era inteligente suficiente para manter-se longe deles. Raivoso tinha uma característica essencial, não corria outro animal a não ser onça. O caçador de onças no Mato Grosso depara com o mesmo problema que os caçadores de pumas na Califórnia. Há muitas espécies que os cães correm como: tapires, tamanduás, catetos, cachorros do mato, etc. os cães caçam eles sem ter senso.

Há também pumas em algumas áreas, eles são legítima caça, mas não são sempre encontrados no pantanal ou onde jaguares são numerosos. Os nativos dizem que os jaguares matam as onças pardas. Eu não tenho certeza, mas posso afirmar que não andam juntas e não dividem a comida. As onças são maiores, muito ferozes e muito corajosas. Eu nunca fui capaz de provocar uma onça parda com a zagaia.

Quando eu voltava para a fazenda com os cães,  escolhi um lugar perto de um lago cerca de cinco oito quilômetros da fazenda onde o Sr Barros estava construindo uma cabana de palha. A cabana seria meu quartel e o Sr. Barros prometeu me mandar suplementos de bifes a cada três ou quatro dias, pois assim não perderia tempo caçando comida para alimentar os cães e mesmo eu.

Na primeira noite sentei em volta da fogueira bebendo mate, forte chá do Brasil. Os vaqueiros falam prá você cuspir o chá quente sobre um cachorro, se ele correr é porque está quente, senão está no ponto de tomar.

Recordando tempos passados quando caçava onças com Joaquim Guató, rijo homem que me ensinou o uso da zagaia revivo algumas das caçadas marcantes.

Por exemplo, havia um menino de 16 anos que o pai deu-lhe a escolha de um carro usado ou caçar junto comigo. Ele escolheu a caça e um dia nós empoleiramos três onças numa mesma árvore, dois machos e uma fêmea O menino acertou as três com o rifle. Foi um recorde de sucesso e não foi uma matança desenfreada, pois as onças estavam dando muito prejuízo na fazenda. Nós estávamos na área onde as onças estavam causando muito estrago e os fazendeiros tinham contratado caçadores para colocar em cheque as onças.

 Uma vez  guiei Theodore Roosevelt Jr. E nós estivemos fora por 27 dias  miseráveis. fui capaz de mostrar para ele uma onça. Ela não era grande como outras. Pelo que observei suas pegadas  duvidei que ele pesasse mais que 125kg.

De tudo que tenho lido e ouvido falar, a onça do Mato Grosso é completamente diferente em tamanho da onça do norte do México. Uma onça de 100 kg no norte do México é grande, no Brasil 175 kg é o recorde em peso. Autoridades dizem que há diferentes raças dos grandes gatos, alguns maiores que outros. O maior gato em tamanho em média é o jaguar Indiano.

Grande ou pequeno, sabia que esse bandido  representava um desafio como eu nunca tinha defrontado, esperava  pegá-lo numa luta com a zagaia. O fato de ser um matador de homens não me causa preocupação. Toda onça que matei com a zagaia tentou se tornar um matadora de homem sendo eu a vitima. A reputação desse gato por matar cães não me aborrecia, muito embora eu não pretendesse perder nenhum dos cães, principalmente o Raivoso.

Eu não estava preocupado comigo, por todo o perigo inerente a uma luta com a zagaia, a zagaia é tão segura arma em uma vegetação fechada quanto uma arma de fogo, que pode não ter chance de  ser usada nessas condições, já a zagaia faz o que a arma não faz com um grande gato no meio do ar. Não há preocupação da direção que ele poderá vir, tão perto ou rápido, a lâmina estará lá para encontrar com ele, interceptará seu pulo sobre ela.

A lâmina necessita ter um fio de navalha para perfurar o ouro e preto em chamas do couro da onça que é tão duro quanto o de um velho boi Brahma. Eu mesmo nunca soube de um cão arrancar sangue de uma onça por conta da dificuldade de furar o couro.

Eu fui um mecânico depois me tornei caçador.  Tenho feito sempre minhas próprias zagaias, acompanhando o modelo da lâmina de ferro da zagaia indiana. O cabo tem 180 cm de comprimento feito com madeira dura; a lâmina é de aço forjado a mão, com 25 cm de comprimento e com largura de seis cm na parte larga do meio da lâmina. Há uma barra em cruz para prevenir que o gato não deslize através do cabo.

Havia muitas onças trabalhando na fazenda do Barros, como eu disse anteriormente,  descobri naquela primeira manhã. Realmente havia um grande macho entre elas, muito grande como o matador de homens. Eu cavalguei durante o dia com os cães trotando ao meu lado, mas quando faltava somente uma hora para meio dia, urubus me levaram para uma carcaça. O dia estava muito quente e nessas horas não há suficiente emanação da onça para os cães trilharem. Eu encontrei as pegadas do grande gato, mas antes de sair da fazenda  decidi não esticar muito o percurso.

 Na próxima manhã, quinze minutos depois que  deixei o campo, quando começava a clarear o dia no leste, Raivoso rosnou e correu a esquerda para um capim alto.  Ficamos surpresos em encontrar uma onça sobre uma presa recente. Os cães já estavam encima e eu já imaginava o que poderia acontecer.

Não há como previr se a caçada da onça será longa ou curta, algumas onças acuaram a dez metros, ou sobiram na primeira árvore que alcançaram. Outras correram por minutos e outras por horas. Em média andam três quilômetros para dar acuação.

Três em cada quatro onças sobem em árvores e aí são alvos fáceis. As que acuam no capim, debaixo dos arbustos ou nas intrincadas ramadas é que causam problemas, mas elas são bem vindas para mim.

Os cachorros correram cerca de 20 minutos e ultrapassaram a onça na trilha da mata. Eu logo imaginei que a onça estava trepada numa árvore. Então amarrei meu cavalo, tirei a bainha da

Continua na próxima postagem

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