O Homem Gato Retorna-Sasha Siemel-Outdoor Life -1967-(Parte-2)

zagaia e comecei entrar na mata a pé, estava carregando meu Smith &Wesson .357 Magnum cano longo,pois planejava derrubá-la com ele. Todavia usaria a zagaia se houvesse ainda vida nela para que não rasgasse um ou dois cães.

A onça estava num alto galho, ainda arfava por causa da corrida que dera. Eu peguei-a na mira, era uma grande onça que eu tinha visto as pegadas no dia anterior.

A luminosidade ainda não estava boa o suficiente para tomar uma boa pontaria, então sentei do lado de um arbusto onde eu podia vê-la sem alertá-la e esperei. Quando estava pronto apoiei minha zagaia no chão, a qual serviu como apoio para o meu. 357 e atirei-a entre os olhos, caiu morta.

Ela foi uma das grandes onças que peguei, seu corpo lembrava a de um homem. Assim que abri suas grandes mandíbulas notei que quase cabia minha cabeça entre elas, tal era o tamanho. Estimei seu peso nada menos que 175 kg. Sua pele está agora pendurada em meu museu, um magnífico troféu, um dos mais finos.

No próximo dia eu já estava no rastro antes do amanhecer e tinha cavalgado cerca de duas horas quando vi urubus descendo para uma novilha morta na noite anterior, e já estava metade comida pelos felinos. Em volta da carcaça pude notar marcas de patas de uma onça macho de porte médio e de uma fêmea pequena.

Não havia forma de distinguir se era a onça matadora de homens, não havia maneira de identificar a não ser pelo tamanho. Entretanto as pegadas, a localização da carcaça e o fato de duas onças terem alimentado sobre a novilha percebi que o macho era um dos que eu estava ao seu encalço. Embora a onça seja um animal solitário o macho poderá ficar por dias na companhia de uma fêmea no cio. Esperava que estivesse certo.

O rastro direcionado da carcaça estava fraco, mesmo assim os cães correram por duas horas. As onças tinham descansado num lago a um quilometro além, voltaram e subiram em uma árvore, mas não estavam mais lá. Finalmente perdemos o rastro quando adentraram numa grama seca.

Na próxima manhã chequei a carcaça, mas os grandes gatos não voltaram para se alimentarem. Uma hora depois o sol subiu e vi corvos sentando num outro cadáver, eu tinha certeza que as onças estavam descansando sobre as árvores. Tudo levava a crer que as onças estavam se alimentando ainda da carcaça. Nós surpreendemo-las e deixaram a carcaça. De cima do cavalo eu pude ver a onda no alto capim quando as onças fugiram. Tinha certeza que era o mesmo par que rastreamos no dia anterior.

Elas deram rastro suficiente para que os cães começassem a trilhar. Então as onças separaram, o macho correu em meio círculo. O macho estava pronto para aplicar seu velho truque de espreitar cães. Mas teve sorte, pois os cães seguiram a fêmea e o truque falhou. O macho estava perto de me atacar.

Cerca de 200 metros à minha frente a fêmea voltou pelo rastro e a matilha perdeu-a momentaneamente. Eu estava seguindo devagar a pé mantendo olhos afiados por todos os lados e também às árvores. Então ouvi o barulho de um galho seco quebrado a uns 20 ou 30 metros atrás de mim. Eu girei em volta com minha zagaia e vislumbrei um formato manchado em arbustos fechados que se dissolveu rapidamente.

Minutos depois foram misteriosos que eu nunca havia visto numa caçada de onças. Normalmente quando o grande gato esta´acuado , o caçador chega mais próximo que puder, ele rapidamente engatilha um ataque. Um inesperado movimento ou grito alto pode desencadear uma carga do gato. Um simples raspar dos pés num torrão de terra ou uma sujeira jogada em sua direção ou mesmo um grito estridente o gato sai para a luta.

Não este. Ele não viria pela borda do matagal e daria a cara. Eu percebi que ele estava me perseguindo como perseguia o gado, ele estava escolhendo o local e hora para me atacar. Duas vezes eu ouvi um furtivo movimento. Eu o vi por uma fração de segundo no meu lado, então metros pra frente em outro lugar, não mais esgueirando sombras nos pretos e verdes arbustos eu embaralhei o pé e farfalhei o capim com minha zagaia, gritei e atirei uma pedra contra ele. Ele respondeu com baixos rosnados, mas não me atacou.

Pé por pé, Eu voltei para um lugar aberto onde ele não pudesse ficar atrás de mim, onde houvesse mais espaço para uma luta. Eu desafiei o gato outra vez com grito de caça. Então ouvi o Raivoso latir, meu cão de caça esta vindo de volta para mim. O gato ouviu o latido e escolheu não ignorar e voltou do matagal abaixado e achatado distante 1,5m na minha frente. O pelo do seu pescoço estava em pé e vi as garras das patas como se fossem molas. Então suas orelhas ficaram paralelas com a cabeça e começou a rosnar.

A luta com zagaia é uma coisa dura de descrever. Raramente ela dura mais que um minuto ou dois, mas estes movimentos são cheios de ações, excitamentos e perigo que desafiam palavras.

O gato não vem de uma direção, Ele está em todo lugar em uma só vez, neste lado e naquele, em frente e tenta vir por trás do zagaieiro, circulando e pulando, se furtando para trás na obscuridade. O zagaieiro de cócoras sobre a bolas dos seus pés necessita virar como o gato vira pronto se ele atacar do chão em pé ou pelo ar, sua lâmina deve estar apontada onde ela necessita estar, tudo em fração de segundos durante a luta.

Onça e homem são como dois boxeadores trocando socos em agitação tão rápidos para o olho acompanhar, mas há uma diferença: o ringue, se um lutador bate no outro e vai para chão o outro dá um passo prá trás e espera. O grande gato nunca faz isso, se errar a zagaiada o zagaieiro poderá morrer.

A primeira vez que eu vi Joaquim Guató matar um grande gato com sua zagaia era como se fosse uma selvagem e fantástica dança. O gato estava acuado na margem de um matagal entre uma matilha de cães latindo. O velho índio movia chutando um punhado de sujeira na cara do gato. O animal respondia com raiva rosnando e Joaquim o acompanhava com estocadas com sua zagaia, picando seu pescoço incitando-o a atacar, o animal atingido de lado arremessando-se em ardente fúria, mas Joaquim retorce e recebe a carga com sua zagaia e o grande gato fica empalado por si só no total comprimento da zagaia, com sua própria força. A batalha dura talvez meio minuto, mas quando terminou senti então que vi um longo e terrível balê.

Todas as lutas com zagaia que tive testemunhado ou lutado tem sido assim e esta não foi diferente.

A carga do grande gato foi baixa, abaixando a zagaia para encontrar com ele, meus Joelhos dobraram meu corpo preparou-se contra o choque que viria. Não havia necessidade de estocar a zagaia na onça. O gato tomou a pontada em sua garganta e a ponta afundou até a cruzeta da zagaia, mas foi para um lado, Por um segundo ou dois o gato rosnou em fúria e contorcia para se livrar. No momento que a lâmina saiu fora o gato investiu outra vez. Sem recuar, sem agachar, sem atraso. Nessa hora eu levantei do chão e vi garras me alcançando que poderiam estripar um boi com um golpe. Eu posicionei a zagaia pra cima e senti a forte solavanco que foi para dentro do peito do gato.

Este gato matou dois homens e não tinha medo de outro, ele empalou por si mesmo oito vezes, mas isto foi porque eu falhei para encontrar o ponto vital. Ele sangrava muito; no final seu ultimo ataque foi débil e fácil de evitar.

Peguei a zagaia naquela hora e  afinquei no chão, ele se debateu e cravou as garras por alguns segundos e morreu.

Antes da manhã acabar eu segui a fêmea e a matei também.

O matador de homens não era um grande gato, imaginei que pesasse 140 kg, mas foi uma satisfação especial para mim em destruí-lo. Ele deu uma das melhores lutas de zagaia que tive.

Provável que sua prole pode estar ainda rondando a fazenda do Barros. Se estiver, talvez eu arrume um encontro com um deles antes de eu terminar minha última expedição neste verão. Deseje-me sorte!

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