©2019 by RECARGAMATIC.

O primeiro bicho do vovô caçador de arco

Primeiro dia de safári na companhia de safaris da Sandra Mas e seu marido Stephan, município de Modimolle, África do Sul.

Logo pela manhã o Stephan preparou a tralha, emprestando seus binóculos com telêmetro, pois havia me esquecido o” finderange” no Brasil. Saímos, nós dois, para uma propriedade bem próxima do” lodge”.

Chegando ao local onde havia um pequeno lago, que chamam de “waterhole”, o Stephan mostrou que eu deveria ficar na espera em uma plataforma chamada “tree stand”bem próximo do lago. Ele me passou uma veste camuflada 3D e uma máscara de face. Vesti tudo aquilo e subi no “tree stand” . Ele despediu-se de mim dizendo que viria me buscar após ao meio dia, afirmando com certeza que antes dessa hora os impalas haveriam de vir tomar água no lago.

Estava de posse da minha máquina fotográfica e da filmadora. Fiquei ali sozinho respirando o ar seco da África e sentido o vento nordeste que agitava as verdes acácias. À minha frente o lago, onde vez por outra algum peixe dava sua cara, do lado direito, do outro lado do lago, um saleiro debaixo das acácias.

Meu pensamento vagava, seria a primeira vez que iria atirar em um bicho com arco na África. Tomei o binóculos, passei a fazer as medições dos diversos pontos prováveis onde o bicho poderia se aproximar. As distâncias variavam de 25 a 30 metros. Regulei a mira para 30 metros e fiquei na expectativa.


A manada continuou pacífica comendo as folhas das acácias e caminhando, num certo ponto viraram de direção e passaram a caminhar para o lago. Nesse momento parei de filmar e passei a brigar com minhas emoções. Dizia a mim mesmo: tenha calma, se contenha! Mas que nada, a emoção me dominava por completo. O macho alfa chegou primeiro na água e eu não conseguia prender o gatilho na corda do arco, tremia como vara verde. Assim que engatei o gatilho, sem ao menos ter avaliado novamente a distância, esperei que ele desse as espáduas. Assim que ele ficou de lado mirei um pouco acima do coração do animal e premi o leve gatilho. Enquanto a flecha percorria o mísero tempo até atingir o alvo, me fez mais nervoso pensando na possibilidade de ter errado. Mas, quando o animal deu um salto girando seu corpo para à direita, notei a flecha atravessada em seu corpo segura apenas pelas  suas penas. A emoção não havia cessado ainda. Muito embora, sem dúvida que o animal prostraria no chão, confirmado pelos vídeos de caça que assisti com arco, permanecia em mim a incerteza crucial.

Num curto espaço de tempo o impala cruzou a parte limpa do campo e se meteu numa suja vegetação semeada de acácias e outros espinheiros. A manada de fêmeas, agora, sem o seu protetor agruparam-se debaixo das árvores próximas ao saleiro e ficaram resmungando conjuntamente com uma espécie de tossido, provavelmente sem saber o que teria ocorrido. Parece que o brado das fêmeas foi ouvido pelo fugitivo macho que antes pastoreava-as, assim, ele logo se aproximou e imediatamente tomou o lugar definitivo que antes tanto almejava.


Fiz então outra varredura na área e, por sorte achei o bicho prostrado, parecendo, sem dúvida, que a morte foi sem sofrimento. A alegria, muito embora, naquele exato momento não havia como ser compartilhada, posso afirmar que foi uma sensação indescritível que perdurará eternamente em minha mente.

0 visualização