Ouriço


Ouriço

Sempre tive problemas com ouriços; no quintal onde ficavam meus cães tinham árvores frutíferas e sempre apareciam ouriços e o cão abocanhava-os sem dó. Isto se dava sempre à noite, pois esse animal tem hábitos noturnos, pela manhã quando ia verificar os perdigueiros, todos espinhados pela boca, língua e até na cabeça. Aquilo era um transtorno, pois tinha que arrancar com alicate, o cão não parava, pois doía muito. Tive cães que eram compreensíveis e ficavam quietos, pareciam que sabiam que era para o bem deles a retirada dos espinhos que cravavam fundo, chegando muitas vezes a profundidade de 20 mm. Tive também outros cães que eu não conseguia retirar os espinhos e sempre tinha que levá-los ao veterinário e anestesiar para extrair os espinhos.

Uma passagem que marcou: quando era jovem, sempre aos domingos à tarde fazíamos uma caçadinha por perto nos sítios dos conhecidos. Fomos nós no Corcel I, meu colega e eu, atrás das codornas e dos inhambus que eram abundantes nas roças quebradas de milho e algodão. Hoje não se vê mais codornas e inhambus, o veneno das plantações e o maciço plantio da cana exterminaram quase por completo. Fizemos a nossa caçadinha domingueira aproveitando até os últimos raios do sol do inverno, o meu cachorro, naquele finalzinho de tarde acuou um ouriço e não tivemos tempo de segurá-lo, e abocanhou o tal, pobre do cão, ficou bigodudo de espinhos. Aquilo dá um desespero no cão e mais ainda na gente de ver o pobre coitado sofrer. Nesse ínterim, já estava escuro e nós lidando agachados para retirar alguns espinhos, quando fui pegar a chave do carro para acender o farol, cadê a chave, tinha perdido. Aí o desespero aumentou; a pergunta era como fazer para voltar sem o carro. Hoje amaldiçôo o celular, mas se existisse naquela época seria de grande valia. Final da história, nós tivemos que voltar a pé mais de 8 km. Após a andança a pé, voltamos ao local com outro carro e procuramos a chave, felizmente encontramos.

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