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Pólvoras e noções de balística interna



Pólvora e noções de balística interna.

     Antes da liberação da recarga de munições à bala, o Brasil era servido por algumas fábricas de pólvoras, usadas mais para armas de alma lisa de caça. Com a advinda da recarga de balas, os recarregadores ficaram meio perdidos, pois as únicas informações que se obtinham das ditas pólvoras era no próprio rótulo da embalagem, onde se informava com  muita limitação as cargas para os calibres só de armas lisas.

    Nessa mesma época apareceram as carabinas Puma; estas então serviram de saco de pancada para as cargas dos incautos. A notícia corria aos montes por conta das culatras das carabinas que foram pelos ares. 

   Após mais de 30 anos ainda se comete muitos erros na recarga, tanto nas armas lisas, como nas raiadas, por conta do uso indevido da pólvora adequada para cada arma.

   Uma das práticas mais comuns que existe até hoje, herdada da pólvora preta, é a prática de socar a pólvora sem fumaça, prática que faz aumentar a pressão exagerada com risco de romper cano ou proporcionar folga nos mecanismos.

       Para entender como funciona a máquina termodinâmica que é a arma, vamos elucidar o que acontece dentro da câmara, seja lá qual for, desde um cal.22 até um canhão, o princípio é o mesmo.

         A carga de pólvora tendo inciada a combustão, gera num mísero tempo  uma grande quantidade de gases sob alta pressão e calor, forçando a câmara da arma em todos os sentidos; como o projétil  é a parte que possui menos resistência, essa enorme pressão faz com que ele se desloque através do cano.

        Qual seria a pólvora ideal que proporcione maior velocidade possível do projétil na boca do cano, que exerça pressões compatíveis com a resistência da câmara da arma, que produza o máximo de gases com o mínimo de detritos e, que sua combustão gere pressão uniforme desde que o projétil deixe a câmara até abandonar o cano da arma. Esta eficiência da pólvora é chamada de força Brisante. A apostila da Academia Agulhas Negras enuncia que Força Brisante é a qualidade do explosivo que permite, por exemplo, fazer saltar grandes massas de pedras, sem por um lado  fragmentá-las e, por outro sem lançar muito longe. No livro “El arte de atirar biem a la caza” faz a seguinte comparação da força Brisante:” Suponhamos que se trate de mover um corpo pesado ou de remover uma ferradura; pode-se atuar de duas maneiras: ou por meio de fortes marteladas ou por meio de um esforço prolongado através de uma alavanca”. Assim como a alavanca a pólvora ideal terá que atuar constante através do cano, pois se toda pólvora  transformasse instantaneamente em gases, antes da partida do projétil, a pressão do gás iria  decrescendo durante o trajeto  pelo cano e sairia com  velocidade na boca inferior ao da partida.

      Devemos ter em mente que:

1. Um aumento de pólvora aumenta a pressão e a velocidade inicial.

2. Aumentando-se o peso do projétil, diminue-se a velocidade e aumenta a pressão

3 A compressão exagerada da pólvora, mesmo com carga normal, aumenta perigosamente a pressão e influi pouco sobre a velocidade inicial.

4. Uma velocidade inicial acima dos parâmetros normais da arma, indica quase sempre pressões perigosas.

5. A pressão e a velocidade aumentam com a temperatura, isto quer dizer que também diminuem com a queda de temperatura.

6.    Para dada carga de pólvora e projétil aumenta com a quantidade de iniciante           contido na espoleta. Teoricamente, cada pólvora deveria ter sua espoleta     correta.

       Segundo um catálogo da CBC, a companhia só comercializa pólvora de base simples. A pólvora   de base simples é composta do Colóide Eter Alcool com nitrocelulose, que propicia  velocidade em torno  de 7.300m/s.  Já a pólvora de base dupla é composta de Nitrocelulose e Nitroglicerina e proporciona velocidade em torno de 7.700 m/s

      O Gal.americano Rodman, após meticuloso estudo experimental, modificando a densidade, a forma, e, as dimensões dos grãos de pólvora , chegou à conclusão que a velocidade de combustão varia, inversamente com a densidade da pólvora, e a superfície de inflamação da carga varia na razão inversa da grandeza dos grãos. Se dividirmos um grânulo teórico de pólvora branca, dividido em duas e oito partes,quanto maior a fragmentação do grânulo, maior é a superfície de combustão inicial, portanto maior velocidade da queima.

     São consideradas pólvoras vivas as pólvoras que se decompõe totalmente antes de o projétil atingir a boca da arma, e lentas as que apresentam o fenômeno contrário e as progressivas quando a combustão se realiza com o aumento de superfície.

O gráfico abaixo mostra bem isso.


       A CBC usa os seguintes formatos para as pólvoras de sua fabricação: tubular mono perfurado, disco compacto e disco.

A maior e menor progressividade das pólvoras consegue-se por meio de artifícios. Um exemplo:imaginemos um grânulo com forma de umcilindro perfurado. Sea parte exterior estiver coberta com uma substância resistente à combustão, o grânulo arde do centro para a periferia,havendo cada vez maior superfície para arder até se consumir totalmente. Registra-se , de início, uma pequena emissão de gases suficiente para por a carga em mivimento. Quando é atingida a máxima pressão, já a carga está em movimento:é menor o efeito da inércia.


Livros consultados: Noçoes de balística interna da espingarda de caça, A espingarda de caça em Portugal,Balística interna(Academia do Exército),Armas e munições de Caça , El arte de Tirar bien a la caza. Manual de Recarga do Zanotta.

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