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Pequena história dos 40 anos da Recargamatic.

Atualizado: 5 de Nov de 2019

                Pequena história dos  40 anos da Recargamatic!

               Somente alguém com forte paixão pelo esporte poderia acreditar num ramo bem diferenciado e sujeito a tanta instabilidade.

               Persistência, tenacidade e perseverança, foi necessário para resistir 40 anos nesse negócio cheio de incertezas, sujeito a muito controle e proibições. Felizmente resisti após ver diversas firmas do ramo fecharem suas portas, tais como: Metalúrgica Dalva, Gun Ok, Recarg e Karol.            

              Em 1977, estava eu em uma sociedade que durou cerca de quatro anos ,que posteriormente ruiu, assim sendo, fui ao encalço de outra atividade.

             Havia saído do ramo de plásticos, pensava em retornar ao mesmo ramo, mas o capital que eu havia conseguido acumular não foi suficiente. Pensando muito em que fazer, surgiu uma iluminação que me direcionou para o ramo da atividade que sempre me empolgou: a caça!

  Recarga de cartuchos, essa foi a palavra de ordem que me direcionou. Apostei na ideia e fui à luta. Os passos eram curtos, mas não me esmoreci, não foi nada fácil, mas a perseverança venceu.         

              A primeira prensa de recarga de cartuchos que projetei foi presenteada ao Toninho, grande amigo caçador, que usou por muito tempo, depois vendeu sua espingarda e a prensa desapareceu.   O segundo projeto de prensa, era com um só eixo de sustentação, um rasgo onde corria uma chaveta mantinha as bases alinhadas. O polvorímetro era uma barra de alumínio que  se deslocava lateralmente. Esse modelo de prensa foi a que me introduziu no meio dos atiradores e caçadores, ela ficou conhecida como Mod. I. A prensa Mod. I era fabricada nas dependências da oficina do meu pai, com algumas peças terceirizadas, mesmo por que eu não possuía meu próprio espaço físico.

               Em 1978 fundei a firma com prédio próprio, intitulada Usifund, Usinagem e Fundição, pois pretendia, além de prestar serviços de manutenção, trabalhar com fundição de metais, uma vez que eu não podia confiar somente nas prensas de recarga, que na época só eram permitidas para cartuchos de caça.

              No ano de 1978 houve um aprimoramento na prensa de recarga de cartuchos, surgiu a mod. II, que teve como inovação o dosador de pólvora e dois eixos de sustentação. Esse projeto deu tão certo que, excetuando pequenas modificações, sobrevive praticamente igual até hoje.  

              A fundição que pretendia montar, com máquinas que adquiri usadas, não vingou, os serviços de manutenção, este sim, me sustentaram por um bom tempo. Como as vendas de prensas de recarga de cartuchos tomou vida, parei com a manutenção e foquei somente na prensas de recarga . Na década de 80, com toda a inflação da época, tive proporcionalmente as melhores vendas desde a existência da firma.

             Nessa época conheci o Sr.Luiz Genizelli, de Campinas, foi um homem conhecidíssimo no tiro esportivo do Brasil, principalmente na modalidade fossa olímpica. A princípio vendi algumas prensas a ele. Posteriormente, usinamos, em nossa firma, muitas prensas de recarga de seu projeto baseado na minha prensa, exceto o dosador de pólvora que era com barra de correr lateralmente. A sua prensa possuía marca de fundição gravada Genizelli.

  Fabricamos também um carregador manual para cal.12 que teve muita procura pelos clientes.

        Em 1984 o Exército liberou a recarga de munições à bala. Foram liberados os calibres.38,32 e 7,65 o restante eram proibidos.

         Imediatamente comecei a fabricar prensas de recarga de munição.  Não conhecíamos muito sobre o assunto, pois somente recarregávamos cartuchos de papelão e metal para espingardas, balas nunca havíamos recarregado. Todos éramos leigos no assunto, tanto em cargas de pólvora como nas dimensões, principalmente dos projéteis, então tudo era experiência. A única coisa que podíamos obter eram catálogos de prensas de recarga vindos pelo correio dos EUA, que davam vaga noção de recarga. Muitas experiências foram feitas, algumas deram certo, outras não.

             A primeira prensa de recarga de nossa fabricação foi uma semi-progressiva em ferro fundido hiper reforçada e muito pesada.  Ainda existem algumas funcionando, e que são conservadas como joia. Há pouco tempo apareceu uma dessas para eu reformar.  Perguntei ao proprietário se queria trocar com um modelo atual, ele me respondeu que não trocava nem por uma progressiva americana. Continuo então sem ter um modelo da primeira prensa de recarga de balas que fabriquei.

   Nosso maior problema na fabricação da semi- progressiva sempre foi o polvorímetro, o primeiro modelo era com polvorímetro de empurrar. Após essa primeira prensa, diminuímos a estrutura  e projetamos outro polvorímetro, com buchas dosadoras e peça de nylon que corria de um lado para outro.

     Esses dois primeiros modelos de prensas usavam os quatro furos da base. As operações de recarga eram feitas da seguinte maneira: no centro só calibrava a cápsula, à esquerda colocava a pólvora e a espoleta, no fundo retirava a espoleta e expandia a boca da capsula e à direita colocava o projétil.

               O próximo modelo chamou-se Mod.5B, possuía outro modelo de polvorímetro com três buchas dosadoras, mudando a alavanca de posição obtínhamos três alternativas de cargas. Esse modelo de prensa só utilizava três furos da prensa, pois ao calibrar já retirava a espoleta, a seguir colocava a pólvora, expandia a boca e colocava a espoleta e por fim colocava o projétil.

Finalmente veio o projeto que é utilizado até agora a Mod.5C, com polvorímetro de regulagem.           Logo que passei a fabricar prensas de recarga de balas aumentou meu leque de vendas, passando de atiradores de prato para atiradores de fogo central e outras modalidades. Então, conhecemos o Mário Colado da loja “Calibre”, que deu muito impulso de vendas na capital paulista, como também o Marcos Stisin, da “Gun OK, que colaborou com nosso negócio.

   A recarga no Brasil desde a liberação, teve seu  controle crescente: logo que começamos apenas uma simples declaração do Clube de Tiro ao associado servia para compra da prensa. Após isso, o EB passou a controlar,e  logo veio a exigência de autorização de compra pelo EB.

           Como mencionei acima, este ramo sofreu instabilidades, por duas vezes ele balançou, a primeira vez foi em 2005 com o plebiscito de votação sobre as armas e a segunda com uma emenda de um deputado proibindo a recarga. Felizmente o povo venceu e estamos agora trabalhando com maior controle. Felizmente o cidadão agora pode adquirir legalmente sua prensa de recarga, logicamente seguindo os trâmites do EB.


Na década de 90 produzimos as primeiras prensas progressivas com peças importadas da

          Para quem não sabe a Recargamatic também produziu projéteis encamisados, nos calibres .38/.380/9mm e 7,65, porém após um tempo resolvemos encerrar a produção e vendemos as prensas e ferramentas para a Búfalo de Avaré, que continua até hoje a fabricar projéteis encamisados.

   Atualmente a Recargamatic está empenhada em lançar mais dois produtos no mercado , a prensa mod. Turret e uma progressiva.


Finalizando nossa história, lançamos dois livros , um em 2011 , esgotado e outro em 2017


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