Perdiz,a rainha dos campos, ameaçada!


Perdiz, a rainha dos campos, ameaçada.

Rodolpho Von Ihering, em seu livro: Dicionário dos animais do Brasil, discorre sobre a perdiz:

   “Perdiz da família Tinamídeos, Rhinchotus rufescens. Nada tem a ver com a perdiz europeia que pertence à família Fasianídeos, da qual não há representantes entre nós. A perdiz brasileira habita só as regiões de campo e não existe ,pois na Amazônia; daí para o Sul estende-se até à Argentina. Tem o porte de um frango,assemelhando-se,porém, ao “macuco”, com plumagem bem mais clara. O colorido vermelho é matizado por amarelo-ferruginio; as penas dorsais são listadas de preto, o cocuruto é raiado de escuro, a garganta brancacenta. Sua ninhada, escondida na touceira, compõe-se de 6 a 9 ovos, que são do tamanho dos da galinha, porém cinzento-escuros  ou cor de chocolate.

    Em resumo, Henrique Silva diz o seguinte com relação à caça da perdiz: Durante os meses de agosto e setembro, isto é na época do cio, as perdizes piam, pela manhã e à tarde; fora deste tempo, raro se lhes ouve o cântico monótono e plangente. Sem o cão perdigueiro é quase impossível ao homem descobrir esta ave, cujo colorido se confunde com a macega. Mas , o perdigueiro amestrado, dando no rastro da caça, avisa o seu senhor, como que a pedir-lhe que esteja atento e a um sinal, avança cautelosamente na pista, até avistar a perdiz amoitada. Novamente o cão dá aviso, com uma das mãos encurvadas e abanando a cauda, ou , como se diz na linguagem dos caçadores. Ele amarra a caça. À voz do caçador , o perdigueiro avança bruscamente, de um salto e diante dele a ave se levanta num voo pesado e ruidoso…”

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     Caçadores de voo com experiência de caça em outros países, são uníssonos em afirmar que não existe em nenhum país do mundo ave cinegética, caçada com cães de aponte, mais esportiva que a nossa Perdiz. Ela também é encontrada em outros países sul americanos como Paraguai , Argentina e Uruguai, onde  são chamadas de “Martineta” ou “Perdiz Colorada”. Nos estados do Sul do Brasil também é conhecida como “Perdigão”

    A caçada de perdiz com certeza é o esporte da caça de campo mais espetacular que existe. Desde a dificuldade do cão em localizá-la , até mesmo a “amarrada”  diferente, constituindo uma cena de arrepiar e dar  calafrio nos ossos! Quando então, a perdiz alça voo, a cena é magnifica, seu voo é rápido e seu rufar de asas, soa como a passagem de um avião a  jato. Sem falar que também ela pode “encastelar” isto é: levantar voo pra cima , e depois tomar sua direção pretendida, tornando-se a  mais sensacional ave.

    Pena que nossa tão desejada Perdiz está reduzindo dia a dia, proporcionalmente à expansão agrícola que se denota em todas as regiões do país.

   Atualmente as terras são plantadas de estrada a estrada, não deixando nada de reserva de campo para a procriação das aves. Sai soja entra milho, sai a grade entra a plantadeira, logo a colheitadeira e a nossa perdiz não tem onde nidificar.  Para completar esse genocídio, alguns inescrupulosos plantadores usam inseticidas contrabandeados, que são proibidos no Brasil, fazendo com que haja uma devassa nos seres vivos. Somando a tudo isso, muitas soqueiras de milho são atingidas pelo fogo, expurgando tudo quanto é vida das poucas que restaram. Nem mesmo as pequenas matas ciliares que escondem as pacas e outros animais, estão livres do fogo, esses animais são surpreendidos, fogem de suas tocas e defrontam com a morte!  Recentemente pude constatar pessoalmente uma dessas tragédias.

  A exemplo do que está ocorrendo no Brasil já se passou nos Estados Unidos, especificamente em Michigan com o faisão.

    Nativo da China, o faisão de coleira, foi introduzido em Michigan em 1.895 e virou o favorito  dos “hunters” de Michigan. 

   A primeira estação de caça foi em 1.925 e até 1.940 foram colhidos anualmente  um milhão de faisões ao ano. Entre 1.940 a 1.964 só falhou em 1.947 quando caçadores de Michigan só levaram para casa meio milhão de aves.

   Naqueles tempos, a abertura da caça ao faisão no sul de Michigan em 20 de outubro , era muito maior que a abertura atual de caça ao veado. Escolas, e algumas fábricas na região sul de Michigan fechavam suas portas para permitir a caça ao faisão aos esportistas.

    Em 2010, de acordo com o Departamento de Recursos Naturais, os caçadores abateram somente 38 mil faisões selvagens em Michigan.

   O que aconteceu foi quase uma tempestade que liderou o declínio da população dos faisões. As paisagens mudaram de pequenas famílias com pequenos campos, para grandes fazendas plantadas quase de rodovia a rodovia, com colheitas em linha. Modernos fertilizantes reduziu a necessidade de repouso da terra. Não existe mais restolho, os poucos capins que circundam as plantações não permitem mais a nidificação, nem abrigo aos faisões para o rigoroso inverno. A maciça urbanização extinguiu muitos dos habitats do faisão, especialmente nos condados de Wayne e Oakland.

  Assim, em 2010 o DNR (Department of Natural Resources), anunciou um novo programa” The Michigan Pheasant Restoration Iniciative”, uma parceria entre o CNR e a agência de conservação e grupos para criar e melhorar o habitat e ajudar a reconstruir o legado estadual de caça ao faisão.

  Nós estamos dando um grande foco para a caça pequena em Michigan, disse Russ Manson, chefe do DNR, Nós acreditamos na restauração de nossa alta qualidade da tradicional caça ao faisão. Nós podemos atrair e trazer de volta aqueles que deixaram o esporte.

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  Infelizmente aqui no Brasil a perdiz não é protegida contra a destruição de seu habitat, contra a aplicação de defensivos e outras desgraças criadas pelo progresso, ela só é protegida contra à caça, como forma de insinuar que  há uma proteção!

  Ecologistas, protetores dos animais, não simpatizantes dos caçadores, vocês precisam ir ao campo  verificar o que está acontecendo com nossa fauna!  É muito fácil criticar caçadores e defender a proibição das armas, como maneira de defender os animais sem saírem de suas poltronas confortáveis da grande metrópole!

  Se  a proibição da caça resolvesse teríamos milhões de codornas no Estado de São Paulo,pois há dezenas de anos ela é proibida, porém com 70% de cana plantada, praticamente extinguiram-se as codornas!

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