Permissões


Pick-ups no campo


Por ser a caçada cercada de dificuldades, esforços físicos e emoções é que se torna apaixonante para quem gosta de desafios.

Um dos primeiros desafios a enfrentar é conseguir o local para caçar. A dificuldade é sempre maior quando se trata de caçada de campo. Muitos caçadores inescrupulosos macularam os verdadeiros caçadores de espírito esportivo.

Devemos então ser “gentleman” com o proprietário, ouvindo e seguindo atentamente seus ditos, cuidar da sua propriedade como se fosse nossa. Uma das coisas simples que sempre cuidei é não deixar cartuchos vazios pelo campo.

Atitudes educadas que fazem parte do bom caçador não podem ser esquecidas. Eu tive um colega que, quando terminava o percurso de caça não encontrando nada no local, nem despedia do proprietário; como se o proprietário tivesse alguma culpa.

Sempre foi de minha índole agradecer, a permissão, pois só o fato de termos a oportunidade de adentrar à propriedade já é de muita valia, o restante é conseqüência.

Em nossas andanças pedindo permissão para caçar passamos por várias experiências, algumas cômicas como as que seguem:

Uma ocasião estávamos caçando no oeste de S.Paulo e nosso amigo morador do local, nos indicou uma fazenda para caçar, mas teria que solicitar permissão para a proprietária, que era uma senhora viúva. A viúva residia numa cidade próxima e sempre num determinado horário ela ia para a fazenda. Sabendo disso, procuramos chegar exatamente no horário que a viúva estaria no local para solicitar a permissão e conseqüente caçada.

Assim que chegamos ao local, a viúva que era uma senhora idosa, mas nem tanto, nos recebeu até bem , expliquei a ela que estávamos lá para dar um passeio pelo campo para “treinar” os cachorros—aquele velho chavão! A senhora viúva, não entendia bem e perguntava de onde éramos e o que estávamos fazendo lá, e quando andava, vez por outra soltava uns “puns”. Nós nos esforçávamos para não rir. Logo percebemos que a senhora demonstrava senilidade precoce. Fomos tenteando a situação e saímos para o campo com os cães sem mostrar as espingardas.  Infelizmente ou felizmente, não sabemos, mas não achamos nada de caça, deixamos o local e a viúva ficou sem entender porque estivemos  em sua propriedade.

Uma outra ocasião fomos parar numa fazenda de um japonês. Chegando logo pela manhã acordamos o Japa, que saiu apressado da cama. Ele nos deu permissão para a caçada, mas falou:

__Vocês chegaram muito cedo não deu tempo nem para as lombrigas voltarem para sua moradia. Ficamos sem entender nada, e ele explicou:

__Quando você dorme as lombrigas saem do seu corpo pelo ânus e passeiam pela cama e depois voltam à sua casa!

Aquilo prá nós foi só risada… Ficamos sem saber se o Japa falou sério ou estava apenas brincando. Por ventura teríamos encontrado outro senil precoce?       Essas cosias ficam gravadas em nossa memória

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