Pescaria no Miranda


Pescaria no Miranda.

    Para encerrar a temporada de pesca resolvemos mais uma vez enfrentar as estradas em direção ao Mato Grosso do Sul. Diga-se de passagem, que a minha maior  maior alegria  é viajar neste sentido. Nós, como os exploradores americanos dos séculos 19 e início do 20 sentimos também uma atração descabida pela direção oeste.

  Toda vez que vou ao Rio Miranda relembro a primeira vez que estive pescando na ponte do 21.

   Estávamos meu pai, João Maimone, Tito Foltran e eu. Levamos um dos primeiros barquinhos piracicabano de alumínio que foram construídos. O barco era chamado de piracicabano, pois mantinha o mesmo formato dos famosos barcos de madeira feitos em Piracicaba. Foi também um motor de popa de 15 Hp marca Johnson com hélice de pino.

   Já que chegamos à barranca direita do Miranda para acampar ,meu nariz deu alerta, o rio fedia peixe ,bom sinal quando o rio cheira peixe é porque tem, mas em compensação a margem fedia bosta. Tinha muita gente acampada pescando, aquilo parecia dia de encontro do Divino nas águas do Tietê, abarrotado de gente!

   Descemos o rio, o barranco causava espanto, estava apinhado de pescadores de barranco e todos estavam tirando piavuçus.

   Procuramos um remanso onde aportamos o barco, jogamos milho cozido e iniciamos a pescaria com varas de bambu e molinetes. Foi inesquecível, era linha que arrebentava , vara que quebrava, os piavuçus eram enormes e brigavam como nenhum outro peixe. Só quem já pescou piavuçú é que pode avaliar como o bicho é briguento.

   Após dois dias de pescaria frutífera, resolvemos descer mais o rio e jogar a sorte nos dourados.  É comum nas corredeiras do Miranda, onde param os dourados, acumular grande quantidade de pedregulho em uma das margens , assim sendo o local fica propício para lançar as iscas.

   Observando as águas correntes, notava-se que vez ou outra um dourado aqui , outro ali, dava bocadas nos peixinhos lançando-se fora d’água. Aquilo foi um prato cheio para nós, ficamos a lançar as iscas sem descanso.  

     A hora boa do sol quente chegou e meu pai e o João, cada um deles apanhou seu dourado, faltava eu.

     Nas águas que corriam junto à margem oposta, um dourado insistia em mostrar seu amarelão e eu sem cessar lançava desesperado minha isca , tentando alcançá-lo, mas o bicho não mordia a tuvira. O tempo foi passando, à tarde chegando e até que enfim consegui ferrar o rei do rio. A grande emoção de fisgar o dourado é que ele salta fora da água agitando a cabeça para se livrar do anzol, aí mora a emoção, pois a ansiedade é indescritível. Após a luta de tamanho desproporcional, vencemos, e ele prancheou na praia.

    O meu amigo Tito, inconformado não tinha fisgado nenhum. O sol ia-se escondendo na mata ciliar e nós aproveitando à tarde calorenta banhamos ali mesmo nas águas do Miranda. O Tito não desistia, incessantemente continuava a lançar sua isca ao dourado.

   Aprontamos as coisas para subir o rio e o homem nada de desistir. Disse ele que não sairia dali enquanto não pegasse um dourado. Tivemos então que falar duro com ele, pois se a noite chegasse não conseguiríamos ver as pedras e com certeza bateríamos a hélice em uma delas e o pino quebraria e nós ficaríamos a deriva nas águas rápidas do Miranda.

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    Hoje em dia as pescarias nem sempre são satisfatórias no MS, então temos que procurar outros atrativos como ir às compras nas lojas de Pedro Juan Caballero e visitar cidades turísticas.


   Assim sendo na ida passamos a Ponta Porã , divisa seca com o Paraguai. Saindo de lá em direção à Aquidauna passamos por terras habitadas por tribos indígenas das tribos Caioás-Guarani. Aproveitamos a oportunidade entramos rapidamente em sua comunidade onde fotografamos algumas crianças índias.

  Após deixarmos a cidade de Aquidauna onde visitamos a filha do famoso Sasha Siemel, grande caçador de onças que viveu sua saga no pantanal sul matogrossense, rumamos para o rio Miranda. 

   Atualmente o Miranda vive outra realidade, os ranchos de pesca e os pesqueiros se alastram nas margens, a famosa ponte do 21 já parece uma vila, com supermercado e tudo.

    Passamos pela ponte e seguimos em direção ao município de Bonito, mais para a cabeceira do rio. A pousada que contratamos é realmente muito boa , tanto que o proprietário Paulista, de tanto frequentá-la enfeitiçou e acabou comprando-a, e ora chama-se Dona Terezinha.

    A pousada não dispõe de pirangueiros, a gerente tinha nos indicado um, mas ele não apareceu no dia. Assim sendo preparamos nossas iscas que eram: lambaris vivos para a pesca do jurupoca, tuviras para os dourados, milho cozido para os piavuçus e minhocuçu para os jaús e descemos para o rio.


    No outro dia nos ofereceram o pirangueiro, mas soubemos que ele cobraria R$100,00 por dia de pesca e não pescaria com nosso motor de popa, mas só alugando o dele por mais R$100,00 por dia, achamos melhor inviabilizar a contratação. Pescaríamos sozinhos como no primeiro dia e os peixes que viéssemos a apanhar seriam mérito nosso.


  O rio Miranda é um rio sacrificado pelos pescadores, mas ainda é um dos maiores rios de piracema. Além disso é encantador ver sua paisagem, ouvir as cigarras e os jaós e ver os pássaros cruzando o rio como a jacutinga.


   Este ano o que nos proporcionou um espetáculo notável foram dois cachorrinhos caçadores que atravessavam o rio a nado com a maior facilidade. A cachorrinha ainda nova, quando nos viu veio ao nosso encontro nadando ,  recebemos-la com maior carinho. Parecia até que ela sentiu alguma emanação vinda do barco que indicava que ali  não tinha só um pescador como também um caçador. Agradamos-la e até demos um pedaço de nosso lanche e colocamos dentro d’água para que tomasse seu rumo, mas a dita não queria nos abandonar e voltava para o barco. Pensamos até em trazer conosco, mas estávamos com a picape sem espaço mais para nada.

   Depois de algum tempo a cachorrinha ouviu a acuação de seu parceiro de caça e abandonou o barco.

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