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Pescaria no pantanal do Nabileque


Pescaria no pantanal do Nabileque

Montamos um grupo de oito pessoas de nossa cidade para participar de uma pescaria no Rio Paraguai


Após poucas compras, tendo em vista o alto valor do dólar, partimos para Porto Murtinho de onde sairia nosso Barco Hotel. A viagem pelas estradas que ligam as cidades de Ponta Porã a Murtinho é repleta de lindas vistas da serra da Bodoquena.

Dormimos na cidade de Porto Murtinho e noutro dia ,28/03/15, levamos nossos pertences ao porto do rio Paraguai. O porto é movimentado, muitos barcos taxis para levar gente para outro lado do rio. Barcos hotéis ancorados esperando seus passageiros. Barcos pequenos carregando materiais de construção, etc. Enquanto esperávamos o transporte de nossas malas atravessamos o rio de barco para a Ilha da Margarida, no Paraguai. Nessa ilha há também um livre comércio de importados. Fomos até um barzinho onde saboreamos cervejas geladas com   isca de jacaré frito.

Pouco tempo depois nossa tralha foi deixada no barco hotel e embarcamos. Como não servem almoço no primeiro dia, levamos alguns quilos de carne, aproveitando o bom preço da carne do MS.

Nosso barco hotel carrega a bandeira paraguaia e fica ancorado no Paraguai, toda a tripulação é composta de paraguaios, somente o proprietário é brasileiro.

Logo que embarcamos o Capitão Hélio nos reuniu e deu as instruções de segurança, pois a preocupação aumentou depois que colegas da tripulação perderam suas vidas no naufrágio do ano passado num barco hotel igual ao nosso.

O motor diesel de 6 cilindros acelerou e iniciamos a subida do caudaloso Rio Paraguai. O dia achava-se nublado a temperatura estava amena em torno de 24 graus. Enquanto íamos subindo o rio, o churrasco estava sendo preparado no deck superior.

A subida seguia lenta com velocidade captada pelo meu GPS do celular em torno de 8-9 km por hora. A carne assada na brasa ia saindo acompanhada de pão e vinagrete e nós íamos saboreando carne  orgânica.

A conversa ia correndo solta no deck, alguns estavam preocupados, pareciam ter perdido algo: Era o sinal da internet! Assim ficamos sem o Face e o Whatsapp para comunicar em casa.

Cinco barcos de pesca com motor de 15 hp iam rebocados na popa do barco hotel, num dado momento dois piloteiros saíram em busca de coquinhos de Carandá para serem usados como iscas para a pesca do pacu.

A viagem prossegue. O tempo mudou a vegetação parecia ter adquirido mais vida, os camalotes resplandeceram, era a luz forte do sol do oeste banhando a viço das plantas.

Às seis da tarde aportamos em Puerto Guarani do lado paraguaio, onde vivem 270 famílias. Na margem do rio alguns paraguaios nos ofertaram peixes pintados à venda, mas ninguém se habilitou a comprar.  Em conversa com eles, me disseram que o dinheiro paraguaio “Guarani” está valorizado frente ao Real e que as compras no Brasil estavam bem vantajosas.

O Capitão Hélio nos convidou, após o jantar, a assistir um show de uma menina de 15 anos que iria cantar numa pequena venda. Assim fomos em quatro pescadores ao show. Encontramos lá pessoas bem simples que sentadas ao luar assistiam a menina cantar canções misturadas em espanhol e guarani. Espantamos com a recepção calorosa daquela gente simples que fazia tudo para nos agradar.

Logo depois voltamos ao barco para o primeiro sono na embarcação. Não foi fácil dormir com o barulho do gerador que ficou ligado a noite toda para servir-nos com o essencial ar condicionado.

O domingo amanhece. O Mato Grosso do Sul tem fuso horário de uma hora a menos que São Paulo. Eu mantive o relógio no horário de S.Paulo e assim o dia parecia ficar mais longo. De manhã acordava às 6 horas e tinha a sensação que estava sempre ganhando uma hora.

Nosso piloteiro Ramon, nos recebe em seu barco muito limpo e aparelhado com tudo para uma manhã de pesca. Seguimos rio acima.

A primeira forma de pesca foi de rodada, iscando nossos anzóis com tuvira, nós dois, Marcio e eu, não conseguimos fisgar nada, já o piloteiro fisgou um pintado de 83 centímetros que foi devolvido às águas por não ter a medida mínima de 85cm. O Márcio conseguiu apanhar uma piranha bem grande. O sol esquentou e partimos para outro tipo de pescaria com o barco poitado na margem em busca do pacu. Após tentarmos com isca de coquinho de Carandá e jenipapo, nada conseguimos e sem mais o que fazer voltamos para o almoço no barco.

Uma dose de Hankey Bannister ao estilo cowboy serviu bem para relaxar o corpo que permaneceu por horas na mesma posição. Após o aperitivo de isca de peixe frito na hora, tivemos o almoço.

Enquanto descansávamos o barco hotel subiu o rio Paraguai até o Fuerte Olimpo onde atracou. Nós continuamos a pescaria num braço do rio e consegui apanhar meu primeiro peixe. Era um pacu de uns 4 kg, a isca foi pedaço de jenipapo. Estava usando um molinete pequeno e linha 0,35 e um anzol pequeno, Assim que ferrou fui comandando com habilidade a fricção do molinete deixando o peixe cansar, com auxílio do puçá retiramos o bonito exemplar da água. Assim que retiramos o peixe o anzol caiu de sua boca, por pouco não escapou, pois estava aberto. Foi um momento inesquecível.

Logo depois o piloteiro fisga outro pacu um pouco menor daquele que apanhei.

Segunda, logo de manhã saímos para mais uma pescaria. Como sempre iniciamos a pescaria de rodada, como não foi proveitosa passamos a pescar poitados.  O Márcio pegou um peixe chamado Palmito e eu apanhei um Cajara pequeno que foi solto. Logo após veio uma chuva e a pescaria foi encerrado por conta da nossa preocupação com o vento.

Nosso piloteiro Ramon sempre que cruzava com seus amigos falava em guarani e, nós não entendíamos nada, a não ser palavra que nossa língua já incorporou como: pira, ita, etc. Assim num outro dia montamos a palavra piratembo (peixepau) que nosso colega pegou de rodada.

Na terça à noite saímos com o Ramon para uma pescaria, ficamos até 11 horas da noite e nada de peixe, somente fomos sugados pelos pernilongos.

Nosso barco hotel passou pela foz do rio Branco e do rio Aquidabã. Acima do rio Branco pudemos ver os escombros do que foi um complexo de pescaria que fez muito sucesso nos anos 80-90 , era o Hotel dos Camalotes, que obteve muito prestígio nessa época. Um pouco mais acima na foz do rio Aquidabã , na mesma época, existia o Hotel Americano que também extinguiu.

Quarta feira dia universal da mentira, nem ao menos pude mentir o tamanho do peixe, pois não pequei nada.

Durante a tarde nosso piloteiro apanhou um pacu bom e um cajara que não alcançou a medida.


Rio Paraguai, na região de Murtinho foi sempre famoso por fisgarem grandes jaus. Lembrei-me então de um pescador antigo da região que uma ocasião escutei ele contando pelo rádio uma estória de jau, mais ou menos assim:  Existia um jaú muito grande na região de Murtinho, ninguém conseguia pegá-lo. Eu com muita habilidade e tralha muito pesada consegui embarcar o bruto. Quando tirei-o da água, contei cento e quinze anzóis em sua boca. O bicho pesava duzentos quilos e tinha pêlo no subaco.   






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